O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adiou para a próxima semana a votação sobre medidas para o Estreito de Ormuz, após divergências entre países com poder de veto. A decisão, que estava prevista para ocorrer ainda neste fim de semana, foi suspensa diante do impasse entre as potências.
O principal ponto de discordância envolve a proposta que prevê ações para garantir a segurança do transporte marítimo na região, em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã.
Estreito de Ormuz é a rota de um quinto de todo o petróleo mundial – Crédito: Freepick/Reprodução
Votação sobre o Estreito de Ormuz trava por divisão entre potências
A proposta apresentada pelo Bahrein prevê a autorização de ações consideradas necessárias para proteger navios comerciais que cruzam o estreito. No entanto, o texto enfrenta resistência de países como China, Rússia e França, que rejeitam qualquer brecha para uso de força militar.
Como o Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos membros permanentes, a divisão impede o avanço imediato da resolução.
Entenda como começou a crise
A discussão ganhou força após a intensificação do conflito no Oriente Médio. Desde o fim de fevereiro, ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevaram o risco na região e impactaram diretamente o Estreito de Ormuz, considerado um dos principais corredores de exportação de petróleo do mundo.
Com a instabilidade, parte do tráfego marítimo foi afetada, o que provocou alta nos preços do petróleo e aumentou a pressão internacional por uma solução rápida.
Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e concentra 20% do fluxo global de petróleo e gás – Crédito: Hamad Mohammed/Reprodução
Texto da resolução sobre Ormuz é ajustado, mas impasse continua
Diante da resistência de países com poder de veto, o texto da proposta passou por mudanças nos últimos dias. Pontos considerados mais sensíveis foram suavizados na tentativa de reduzir a rejeição e abrir caminho para um acordo mínimo no Conselho.
Mesmo com os ajustes, o desacordo permanece, especialmente em relação à possibilidade de autorizar ações militares na região.
A expectativa é que o tema volte à pauta do Conselho de Segurança na próxima semana. Até lá, o cenário segue indefinido, com reflexos diretos na segurança internacional e no mercado global de energia.