Conflito no Oriente Médio pode impactar mercado de milho no Triângulo Mineiro

Conflito envolvendo o Irã pode ameaçar exportações brasileiras e pressionar o mercado interno de milho

, em Uberlândia

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O prolongamento do conflito no Oriente Médio pode ter um impacto negativo no agronegócio do Triângulo Mineiro, em especial na comercialização do milho. O Irã, um dos países envolvidos no conflito, é um cliente significativo na exportação do grão. Além disso, é pelo Estreito de Ormuz, ameaçado pela guerra, que uma parte significativa dos fertilizantes são comercializados internacionalmente. Caso a guerra dure mais, é possível haver uma baixa no preço do milho e o aumento do preço de produção.

Conflito no Oriente Médio pode elevar custos do agro no Triângulo Mineiro
– Crédito: Eugenio Savio

Segundo Conrado Zanon, CEO da Geminare, empresa de consultoria em gestão de riscos de grãos, no ano passado, o Irã  importou 9 milhões de toneladas de milho do Brasil, o que corresponde a 23,1% do total exportado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (Mdic). Ao todo, o Brasil lacrou 2 bilhões de dólares apenas com este insumo, em sua relação com o Irã. 

Segundo o especialista, nos últimos cinco anos, em quatro deles o Irã esteve entre os três maiores importadores de milho do Brasil. A única exceção foi em 2023, quando ele foi o quinto maior importador. Zanon afirma que a média, neste período, é de que o país, que está no centro do conflito no Oriente Médio, representa o consumo de 14% do milho exportado pelo Brasil.

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De acordo com dados da Geminare, o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba produz anualmente entre 2,4 a 2,7 milhões de toneladas de milho, o que representa 40% da produção de Minas Gerais. Contudo, o impacto do conflito no Oriente Médio não seria sentido de maneira direta, já que a região, majoritariamente, comercializa para o mercado interno.

Os estados que sentiriam este impacto, de maneira direta, são principalmente Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul, que representam mais de 80% da exportação de milho no país. Contudo, o especialista explica que a perda de um cliente importante como o Irã pode aumentar a pode aumentar a disponibilidade interna de milho no país, algo que pode resultar na baixa de preços no mercado interno, o que impactaria a região do Triângulo e Alto Paranaíba.

Conflito no Oriente Médio e fertilizantes: uma faca de dois gumes

Um dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio que tem um potencial significativo de impactar na economia global é o fechamento do Estreito de Ormuz. O CEO da Geminare explica que o canal movimenta entre 50 e 60 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, cerca de 33% do comércio global de amônia, ureia/nitrogenados, enxofre e fosfatados.

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De acordo com Zanon, de um lado, o Brasil pode enfrentar dificuldades em função do acesso a estes insumos. Por outro, esta mesma dificuldade pode ser decisiva para o plantio que será feito nos Estados Unidos. Ele explica que o país norte-americano está se aproximando do momento de definir o que plantar, e a decisão é entre a soja e o milho. Pelo fato do milho necessitar mais de fertilizantes, a escolha dos estadunidenses pode ser pela soja. 

“É possível esperar que a área de milho dos Estados Unidos tenda a diminuir, o que pode favorecer o Brasil na competição pelo mercado internacional. Muito provavelmente a resultante desses fatores será altista”, concluiu Zanon.