“No olho do furacão”, afirma secretário sobre a situação financeira da PMU
Segundo o secretário de Governo, Renato Rezende, cenário deficitário no primeiro bimestre de 26 é consequência de uma série fatores: queda na arrecadação é o principal
-
“Estamos no olho do furacão”. Essa é a definição do secretário de Governo da Prefeitura de Uberlândia, Renato Rezende, sobre a situação financeira do Município neste primeiro bimestre de 2026, sobretudo, para arcar com despesas de curto prazo. “É exatamente o pior momento que a administração pode passar”, acrescentou em entrevista concedida neste domingo (1) ao programa “Política Cruzada”, da TV Paranaíba, apresentado pelo jornalista Danilo Caixeta.
“Por que olho do furacão? Nós terminamos o ano e sabíamos que teríamos muito sacrifício por causa da folha (de pagamento dos servidores). Nós resguardarmos sempre os servidores, porque são eles que fazem a máquina pública funcionar”, explicou Rezende, dizendo que nesse cenário deficitário na virada de 2025 para 2026, a prioridade foi honrar os compromissos com o funcionalismo e escalonar as despesas com os fornecedores de maior porte para o decorrer deste atual exercício anual.
“Eu falo que qualquer gestor público que não tem dinheiro no custeio, ele passa muito aperto. E a população percebe. Você não consegue mostrar para a população a sua atuação. Você também não pode fazer investimento. No futuro aparecem os gargalos”, disse Rezende, dizendo que essa condição acendeu o “sinal vermelho” na gestão municipal.

O déficit no balanço anual de 2025, a queda de arrecadação no primeiro ano de mandato do prefeito Paulo Sérgio Ferreira em relação ao que estava previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), restos a pagar da gestão anterior sem o recurso equivalente em caixa e o aumento nas despesas com a saúde, principalmente, são os fatores apontados pelo gestor público para explicar a razão do rebaixamento da nota de risco financeiro de B para C da Prefeitura de Uberlândia.
Segundo o secretário de Governo, mesmo em um cenário de déficit orçamentário, a política de contenção de despesas, a otimização da arrecadação com sistemas eletrônicos e a busca incessante por novas receitas permitiram que a Prefeitura anunciasse, na semana passada, um pacote de aproximadamente R$ 2 bilhões de investimentos em novas obras na cidade a partir de recursos financiados por agentes financeiros públicos e privados.
“O que prevemos para o ano de 2026 é um ano de maior equilíbrio. A PMU conseguiu novas receitas com o governo do Estado: R$ 120 milhões com o governador Zema e o (vice) Mateus Simões. Conseguimos aumentar o teto MAC (Média e Alta Complexidade da Saúde) e rever alguns contratos que vai dar perspectiva de um equilíbrio. Assim, anunciamos o maior pacote de obras da história de Uberlândia. São R$ 2 bilhões em recursos de financiamentos”, declarou o prefeito Paulo Sérgio Ferreira, em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (2) na sessão de abertura dos trabalhos na Câmara Municipal.
Acertos com aposentados também estão no “olho do furacão”
Em entrevista ao “Política Cruzada”, o secretário de Governo da PMU, Renato Rezende, admitiu que acertos da gestão municipal com servidores que se aposentaram no fim do ano passado ainda estão em aberto e já ultrapassaram o prazo de 90 dias para haver o pagamento dos direitos trabalhistas. “Têm rescisões feitas no fim do ano de aposentados e que irão ser transferidas para o regime do Ipremu (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Uberlândia). Vai ser sanada a dívida quando entrar o recurso do IPTU que está para entrar. Está espaçando mais do que os 90 dias normais, mas vai normalizar em fevereiro”, afirmou.
Assista abaixo a íntegra do programa “Política Cruzada” deste domingo (1º) com o jornalista Danilo Caixeta.