Negociações de paz entre EUA e Irã seguem sob tensão
Negociações entre eua e irã avançam para fase técnica, mas impasses estratégicos ainda dificultam acordo de cessar-fogo
-
Negociações de paz entre EUA e Irã acontecem neste sábado (11), em Islamabad, no Paquistão. As delegações de ambos os países, sob forte esquema de segurança, buscam um acordo que se encontra na “fase técnica”, em que estão sendo discutidos detalhes finais para o possível cessar fogo.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Os membros dos governos norte-americano e do iraniano chegaram nesta sexta-feira (10) ao país, e foram recebidos por autoridades paquistanesas. A delegação iraniana, de cerca de 70 pessoas, é liderada por Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento do país, e também por Abbas Aragchi, ministro das Relações Exteriores.
Já os negociadores norte-americanos estão sob liderança do vice-presidente do país, J.D Vance. Com ele, estão também Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump e ainda Jared Kushner, genro do mandatário americano. O encontro ocorre no Serena Hotel, por motivos de segurança.
Negociações de paz entre EUA e Irã em “fase técnica”
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, as negociações de paz entre EUA e Irã entraram, no fim da tarde deste sábado (11), em uma “fase técnica”, onde os dois países discutem detalhes finais para um possível acordo.
A Agência Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária do Irã, declarou que o impasse envolvendo o Estreito de Ormuz segue como o principal obstáculo nas negociações entre os dois lados. Além disso, o governo iraniano cobra a liberação de recursos financeiros bloqueados no exterior e exige compensações pelos ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.
A Guarda Revolucionária Islâmica advertiu que qualquer tentativa de navios militares de cruzar o Estreito de Ormuz poderá provocar uma reação considerada “forte”. A declaração foi divulgada por meios de comunicação iranianos.
Segundo o posicionamento, apenas embarcações civis estariam autorizadas a transitar pela região, desde que sigam regras específicas estabelecidas pelas autoridades do Irã.
A agência também relata que as exigências apresentadas pelos representantes norte-americanos são vistas como excessivas pela delegação iraniana. Até o momento, Washington não comentou oficialmente o andamento das conversas.
Segundo o jornal The Guardian, no às 17h deste sábado (11) (horário de Brasília), uma nova etapa de negociações entre representantes do Irã e dos Estados Unidos foi retomada em Islamabad, após um intervalo nas conversas. O processo conta com a mediação de autoridades do Paquistão, conforme informou a Agência Tasnim, com base em relatos de seu correspondente.
Segundo a publicação, as exigências apresentadas pela delegação norte-americana são vistas como elevadas pelos iranianos, o que pode tornar esta rodada decisiva. A avaliação é de que o encontro representa uma das últimas oportunidades para que a equipe do Irã avance em um entendimento dentro deste ciclo de negociações.
LEIA MAIS: Trump recua após ameaça e suspende ataques ao Irã por duas semanas
A postura de Donald Trump e Netanyahu
Ainda segundo o jornal, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país seguirá firme no enfrentamento ao Irã, mesmo diante das negociações em andamento entre Teerã e os Estados Unidos.
Em publicação nas redes sociais, Netanyahu declarou que, sob sua liderança, Israel continuará combatendo o que classificou como “regime terrorista” iraniano e seus aliados. Na mesma mensagem, ele também fez críticas ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan.
Apesar do cenário diplomático em curso, Israel não participa das negociações realizadas em Islamabad entre representantes dos Estados Unidos e do Irã.
Já Donald Trump, no início da noite deste sábado (11) e enquanto as negociações acontecem, disse à repórteres do lado de fora da Casa Branca que “não faz diferença” para ele se um acordo foi alcançado com o Irã, embora tenha caracterizado como “profunda” as negociações de paz entre EUA e Irã.
Ainda segundo o jornal britânico, Trump teria declarado que “independentemente do que aconteça, nós vencemos. Nós os derrotamos militarmente. Derrotamos completamente aquele país, então vamos ver o que acontece. Talvez eles façam um acordo, talvez não, não importa. Do ponto de vista dos Estados Unidos, nós vencemos”