MP investiga vice-prefeito por injúria racial em evento da Prefeitura

Ministério Público abriu investigação contra Vanderlei Pelizer após denúncia de que ele teria hostilizado uma criança negra em evento educacional no Centro Administrativo

, em Uberlândia

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O Ministério Público (MP) investiga o vice-prefeito por injúria racial após receber uma denúncia que aponta que Vanderlei Pelizer teria hostilizado uma criança negra durante uma atividade educacional realizada no Centro Administrativo Virgílio Galassi, em Uberlândia. O caso ocorreu no dia 16 de novembro de 2025, durante uma exposição da rede municipal voltada à identidade racial.

O processo foi instaurado no início da semana pelo promotor Moisés Batista Abdala, coordenador das Promotorias Criminais da comarca. O procedimento foi encaminhado para uma promotoria especializada, que agora avalia as providências a serem tomadas.

MP investiga vice-prefeito por injúria racial em evento da Prefeitura
MP investiga vice-prefeito por injúria racial após denúncia de hostilização a criança negra – Crédito: YouTube/Reprodução

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MP investiga vice-prefeito por injúria racial após denúncia formalizada

Segundo a denúncia enviada à Ouvidoria do Ministério Público, o documento afirma que o vice-prefeito teria chamado a atividade de “lavagem cerebral” e dito que aquele tipo de conteúdo seria algo que “a direita precisa enfrentar na Prefeitura”.

O relato também menciona que profissionais da educação foram hostilizados e que Pelizer teria encerrado uma discussão com uma servidora dizendo: “O que você acha não me interessa.”

A denúncia chamou atenção nos bastidores políticos porque não foi apresentada por adversários ideológicos, mas por um cidadão que se identifica como de direita. “O que Pelizer fez não representa a direita. Direita não humilha criança negra.”

O pedido solicita investigação com base na Lei 7.716/89 e manifesta apoio à perda do mandato.

Segundo pedido de cassação contra Pelizer em menos de seis meses

A nova investigação do MP reacende a crise política envolvendo o vice-prefeito. Este é o segundo pedido de cassação apresentado contra Vanderlei Pelizer em um intervalo de menos de seis meses. Em junho, vereadores já haviam tentado retirar o mandato dele após a participação em uma missão oficial a Israel, quando Pelizer permaneceu fora do país durante a escalada do conflito entre Irã e Israel. Na ocasião, o plenário da Câmara arquivou a denúncia por 16 votos a 3. Agora, com o avanço da apuração por suposta injúria racial, o vice volta ao centro das pressões políticas dentro do Legislativo.

Vice-prefeito nega injúria racial e fala em perseguição política

Na nota enviada à reportagem, Vanderlei Pelizer negou ter cometido injúria racial e afirmou que “não houve, em nenhuma de minhas palavras ou em minha fiscalização, qualquer forma de manifestação de cunho racial”. O vice-prefeito classificou a denúncia como uma tentativa de setores da esquerda de utilizar o Judiciário como ferramenta de perseguição política, em um movimento que ele descreve como “ativismo judicial seletivo”.

Pelizer também defendeu sua atuação na Prefeitura, reforçou apoio aos colégios cívico-militares e voltou a criticar o que considera “doutrinação ideológica” dentro das escolas públicas.

Na nota, o vice-prefeito disse ainda que seguirá colaborando com as autoridades e se manterá “firme, com a consciência tranquila e o compromisso intocável com Uberlândia, com a educação de verdade e com a defesa da democracia”.

Veja a nota na íntegra:

Não houve, em nenhuma de minhas palavras ou em minha fiscalização, qualquer forma de manifestação de cunho racial, e reafirmo meu absoluto repúdio a qualquer tipo de discriminação.

O que se observa, com clareza, é mais uma tentativa de setores da militância ideológica da esquerda de utilizarem a via judicial como instrumento de perseguição política, em um fenômeno conhecido como ativismo judicial seletivo, prática já vista em regimes modernos de viés autoritário, nos quais o Judiciário passa a ser utilizado como ferramenta para silenciar opositores.

Carrego com orgulho os ensinamentos das professoras e professores que contribuíram para minha formação. Sou apaixonado pela educação e pela nobre missão de ensinar — missão esta que sempre defendi com firmeza. Não por acaso, sou um apoiador convicto dos colégios cívico-militares, onde o professor é respeitado, valorizado e protegido, tendo ao seu lado a segurança necessária contra alunos que, infelizmente, já não respeitam mais a autoridade do educador.

Todavia, como vice-prefeito, reafirmo: sou totalmente contra aqueles que, em vez de ensinar, tentam doutrinar crianças com pautas comunistas, ideologias de esquerda ou agendas político-partidárias. Professor tem que ensinar sua matéria, preparar o aluno para a vida, formar cidadãos, e não transformar a sala de aula em palanque ideológico e político. E é isso que minha fiscalização combate.

É contra esse tipo de atuação, que desvirtua a essência da educação, que tenho me levantado — sempre de forma clara, aberta e dentro do direito constitucional de crítica e opinião. Isso se chama democracia.

Por isso, a utilização do Poder Judiciário, assim como pedidos de cassação movidos contra minha pessoa por políticos de esquerda, ou a mando desses, apenas confirma aquilo que a população já percebe: há um grupo que não aceita o livre debate, não suporta opinião divergente e tenta silenciar quem pensa diferente. Para eles, quem discorda deve ser eliminado do debate público — uma postura que afronta diretamente o maior princípio democrático: a liberdade de expressão e o confronto saudável de ideias.

Reforço que seguirei firme, com a consciência tranquila e o compromisso intocável com Uberlândia, com a educação de verdade e com a defesa da democracia — aquela que existe para todos, não apenas para quem pensa igual.

Também estarei totalmente à disposição das autoridades para esclarecer minha atuação e fiscalização enquanto vice-prefeito, atuação essa pautada pelos princípios da ética, do zelo e do senso de obrigação enquanto vice-prefeito eleito democraticamente.