Entenda o novo programa contra o crime organizado
Governo federal destina R$ 1,06 bilhão e cria linha de crédito de R$ 10 bilhões para integrar forças, reforçar presídios e atacar finanças de facções
Nesta terça-feira (12), o Governo Federal lançou um novo programa contra o crime organizado. O “Brasil Contra o Crime Organizado” começa com um aporte direto de R$ 1,06 bilhão ainda neste ano e uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões, estruturando uma nova estratégia nacional para enfrentar facções em diferentes frentes. A iniciativa articula ações operacionais, tecnológicas e de inteligência para reduzir o poder econômico e logístico das organizações criminosas.

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O plano reúne medidas que vão desde operações mensais integradas até mudanças no sistema prisional e no modelo de investigação criminal. Segundo o Palácio do Planalto, o objetivo é atingir simultaneamente os pilares que sustentam o crime: dinheiro, comando dentro das prisões, impunidade em crimes violentos e acesso a armas.
Programa contra o crime organizado aposta em integração
Um dos eixos centrais do programa é a articulação entre União, estados e municípios. A proposta é unir esforços para atingir tanto a cúpula quanto a base financeira das facções, sem sobrepor competências locais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o sucesso depende da cooperação entre as esferas de poder. A estratégia prevê operações mensais coordenadas e a criação, até setembro, de comitês estaduais voltados à investigação financeira e recuperação de ativos.
Programa contra o crime organizado mira o dinheiro das facções
O primeiro eixo do programa concentra R$ 388,9 milhões e tem como foco sufocar financeiramente o crime. Entre as principais ações estão o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e a criação de uma estrutura nacional para operações interestaduais de alta complexidade.
Também estão previstas ferramentas tecnológicas avançadas para análise de dados e a ampliação de leilões de bens apreendidos, acelerando a retirada de recursos das organizações criminosas.
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Mudanças no sistema prisional
Com investimento de R$ 330,6 milhões previsto para 2026, o segundo eixo busca cortar a comunicação e a articulação das facções dentro das prisões. A meta é elevar 138 unidades prisionais ao padrão de segurança máxima, semelhante ao dos presídios federais.
Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, 80% das lideranças de organizações criminosas identificadas no país estão cumprindo pena nestes 138 estabelecimentos.
O plano inclui aquisição de equipamentos como scanners corporais, bloqueadores de celular e drones, além da criação do Centro Nacional de Inteligência Penal. A iniciativa também prevê operações para retirada de itens ilícitos e capacitação de agentes.
Ampliação de investigação de homicídios
O terceiro eixo destina cerca de R$ 201 milhões para melhorar a resolução de crimes letais. A proposta reforça a perícia e as polícias científicas, além de modernizar institutos médico-legais e integrar bancos de dados genéticos e balísticos.
A estratégia inclui compra de equipamentos especializados, como comparadores balísticos e tecnologias de análise de DNA, com distribuição para estados.
Combate ao tráfico de armas
O quarto eixo, com aproximadamente R$ 145 milhões, foca no combate ao comércio ilegal de armas e explosivos. Entre as medidas estão o fortalecimento de sistemas de rastreamento, a criação de uma rede nacional de enfrentamento e o reforço de delegacias especializadas.
As operações também devem atuar no desvio de armamentos e na circulação ilegal, considerada um dos principais fatores de fortalecimento das facções.
Crédito amplia capacidade de investimento local
Além do investimento direto, estados e municípios poderão acessar a linha de crédito de R$ 10 bilhões para reforçar a segurança pública. Os recursos poderão ser aplicados na compra de viaturas, drones, sistemas de monitoramento, equipamentos de perícia e na modernização de presídios.
O financiamento vem do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social, criado para apoiar projetos estruturais, incluindo segurança.
Cronograma prevê ações contínuas
O programa estabelece uma agenda permanente de ações. As operações integradas ocorrerão todos os meses, enquanto os comitês de investigação financeira devem estar em funcionamento até setembro.
A combinação entre inteligência, tecnologia e integração institucional forma a base do programa contra o crime organizado, que aposta em ações simultâneas para reduzir a capacidade de atuação das facções em todo o país.