Decreto garante maior proteção das mulheres na internet

Governo Federal cria regras para plataformas digitais, acelera remoção de conteúdo íntimo e amplia medidas contra violência online e feminicídio

, em Uberlandia

O Governo Federal anunciou novas medidas para reforçar a proteção das mulheres na internet e ampliar o combate à violência de gênero em todo o país. Os atos foram assinados nesta quarta-feira (20),  durante cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

Novas medidas do governo reforçam proteção das mulheres na internet
Os atos ocorreram em cerimônia no Palácio do Planalto para marcar os 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio – Crédito: abio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Entre as mudanças está um decreto que cria novas obrigações para plataformas digitais diante de casos de violência online. A proposta estabelece mecanismos para prevenir crimes virtuais, acelerar a retirada de conteúdos ilegais e ampliar a responsabilização de agressores.

As novas regras também incluem projetos de lei que criam o Cadastro Nacional de Agressores, endurecem punições para criminosos que seguem ameaçando vítimas mesmo presos e reduzem burocracias para agilizar medidas protetivas e decisões judiciais.

O Governo Federal reforça que os direitos garantidos às mulheres fora do ambiente virtual também devem ser assegurados na internet. O texto determina que plataformas digitais atuem com rapidez para impedir a disseminação de conteúdos criminosos e reduzir danos causados às vítimas.

Proteção das mulheres na internet terá remoção rápida de conteúdos íntimos

Uma das principais mudanças prevê que plataformas digitais mantenham canais específicos, permanentes e de fácil acesso para denúncias de conteúdos íntimos divulgados sem autorização. A nova regra estabelece prazo de até duas horas para remoção do material após a notificação.

O decreto também amplia a proteção contra imagens falsas produzidas por inteligência artificial. Conteúdos sexualizados criados sem consentimento, conhecidos como deepfakes, passam a integrar as medidas preventivas exigidas das empresas.

Além da retirada do conteúdo, as plataformas deverão preservar provas e dados necessários para investigações e eventual responsabilização criminal dos autores de violência contra mulheres na internet.

Os canais de denúncia também precisarão informar de forma clara sobre o Ligue 180, serviço nacional de atendimento às mulheres vítimas de violência.

Governo Federal amplia combate à violência digital

O decreto também atualiza regras relacionadas ao Marco Civil da Internet. As plataformas digitais deverão agir de forma preventiva para combater fraudes, golpes e conteúdos ligados a crimes graves.

Entre os conteúdos monitorados estão materiais relacionados à violência contra mulheres na internet, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas, terrorismo e incentivo à automutilação.

As empresas ainda precisarão armazenar dados de anunciantes pelo período de um ano para auxiliar investigações e identificação de criminosos.

A fiscalização ficará sob responsabilidade da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que avaliará se as plataformas estão adotando medidas técnicas para impedir a circulação massiva de conteúdos ilícitos.

O pacto e outras medidas

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio estabelece uma atuação contínua e articulada entre os Três Poderes para prevenir a violência contra meninas e mulheres em todo o país. A iniciativa parte do entendimento de que a violência de gênero no Brasil representa um problema estrutural e, por isso, não pode ser combatida apenas com ações isoladas.

Outro ponto apresentado pelo Governo Federal é a criação do Cadastro Nacional de Agressores. O sistema reunirá informações estaduais e federais sobre condenados por crimes de violência contra a mulher.

O banco de dados incluirá condenações por feminicídio, estupro, perseguição, violência psicológica, assédio sexual, importunação sexual e divulgação não autorizada de imagens íntimas.

Segundo o texto, a medida pretende facilitar a integração entre forças policiais, ampliar o monitoramento de criminosos foragidos e reduzir riscos de reincidência em outros estados.

As novas propostas também ampliam hipóteses para afastamento imediato do agressor do convívio com a vítima. A proteção poderá ocorrer em situações de violência moral, patrimonial e sexual, mesmo sem agressão física direta.

O pacote ainda reduz burocracias para acelerar decisões judiciais e facilitar o cumprimento imediato de medidas relacionadas à proteção financeira das vítimas.

Dados apresentados durante a cerimônia mostram que 53% das medidas protetivas já são analisadas no mesmo dia da solicitação. Em até dois dias, o índice chega a 90% dos casos.