Barragem: Nova ação contra Samarco, Vale e BHP é movida por 21 municípios de MG e ES
Os municípios pedem R$ 46 bilhões em indenização pelo rompimento da barragem em Mariana, no ano de 2015, que terminou com 19 pessoas mortas
Um grupo de 21 municípios entrou com uma nova ação civil pública contra as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Os municípios pedem R$ 46 bilhões em indenização pelo que é considerado o pior desastre ambiental do país, que resultou na morte de 19 pessoas, com três ainda desaparecidas.
Os municípios incluem Mariana e Ouro Preto, em Minas Gerais, além de outros nos estados do Espírito Santo e da Bahia afetados pelo rompimento da barragem. Esses municípios não aderiram ao acordo de renegociação homologado pelo Supremo Tribunal Federal em novembro de 2024.

O acordo de renegociação deu aos municípios 120 dias para decidirem se aderem, com o prazo começando a partir da data de homologação pelo Supremo Tribunal Federal, em 6 de novembro de 2024. Portanto, a decisão deve ser tomada até 6 de março.
Vários municípios expressaram preferência por continuar com o processo nos tribunais ingleses.
Argumentos
Na ação, os autores argumentam que, dez anos após a tragédia, não houve nenhuma reparação significativa.
Um trecho do processo afirma: “Não é de surpreender que os valores oferecidos pelas empresas sejam totalmente insuficientes e não levem em conta vários fatores críticos na determinação do valor final devido”.
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“Os municípios continuam completamente desprotegidos, juridicamente falando, quanto à necessidade de indenização pelos danos que sofreram ao longo dos anos. Atualmente, não há qualquer indício ou segurança jurídica sobre a potencial indenização pelos danos sofridos por esses entes federados”, diz o texto.
Na ação, os autores estimam que Minas Gerais e Espírito Santo perderam aproximadamente R$ 250 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB) entre 2015 e 2018, com perdas futuras projetadas entre R$ 455 bilhões e R$ 547 bilhões até 2034. Além disso, as perdas de receita pública nos dois estados devem chegar a R$ 81,6 bilhões entre 2019 e 2034.
Os autores argumentam que “embora a verdadeira extensão futura dos danos à economia dos municípios afetados não possa ser totalmente conhecida, é amplamente reconhecido que os valores alocados a eles na renegociação não contabilizam essas perdas”.
Para efeito de comparação, autoridades municipais de Mariana estimaram em 2015 que as perdas em infraestrutura, moradias privadas e instalações públicas foram quatro vezes maiores que os royalties pagos pela Samarco naquele ano.
Rompimento de barragem
A barragem que rompeu em 5 de novembro de 2015 estava localizada na área rural de Mariana, dentro de um complexo de mineração de propriedade da Samarco, uma joint venture entre a anglo-australiana BHP Billiton e a brasileira Vale. Na época, aproximadamente 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos fluíram pela Bacia do Rio Doce, eventualmente chegando à sua foz no Espírito Santo.
O desastre resultou em 19 mortes, destruiu completamente dois distritos — Bento Rodrigues e Paracatu — e impactou significativamente as populações de dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Com informações da Agência Brasil
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