De milionários a vítimas de golpes: os dois lados dos vencedores da Mega-Sena
Em quase 30 anos, a Mega-Sena transformou apostadores em milionários no Brasil. Enquanto alguns consolidaram patrimônio, outros enfrentaram golpes, disputas familiares e crimes após o prêmio
Ao longo de quase três décadas, a Mega-Sena transformou apostadores comuns em milionários da noite para o dia. Enquanto alguns usaram a fortuna para construir patrimônio e manter uma vida discreta, outros enfrentaram golpes, disputas familiares e até crimes após ganhar na loteria.
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As histórias revelam como uma fortuna repentina pode mudar vidas de formas diferentes, tanto para ampliar oportunidades quanto para gerar problemas inesperados.
Desde o primeiro sorteio, realizado em 11 de março de 1996, a Mega-Sena se tornou símbolo do sonho milionário no Brasil. Em quase 30 anos, a loteria criou centenas de milionários e distribuiu bilhões de reais em prêmios. As histórias dos vencedores, porém, mostram que ganhar dinheiro não garante estabilidade ou tranquilidade.
Às vésperas do concurso especial de aniversário, o concurso 3010, relembre alguns dos casos mais conhecidos envolvendo vencedores da mega-sena, dos exemplos de gestão financeira às histórias marcadas por perdas e tragédias.
Quem ganhou e multiplicou a fortuna
O maior prêmio individual da Mega-Sena
O maior prêmio pago para um único vencedor em um concurso regular saiu em 11 de maio de 2019, no concurso 2150. Um apostador de Recife (PE) ganhou sozinho R$ 289,4 milhões com uma aposta simples feita pelo internet banking da Caixa Econômica Federal.
As dezenas sorteadas foram: 23 – 24 – 26 – 38 – 42 – 49.
O vencedor retirou o prêmio pouco depois do sorteio e não voltou a aparecer publicamente. Até hoje, não há relatos de ostentação, disputas judiciais ou problemas financeiros relacionados ao caso.
Valmir da Sena: do canteiro de obras para a fazenda
Antes da criação da Mega-Sena, Valmir Amorim, conhecido como “Valmir da Sena”, já mostrava que era possível transformar um prêmio milionário em patrimônio duradouro.
Ex-pedreiro e trabalhador da construção civil em São Paulo, ele ganhou cerca de R$ 36 milhões na antiga Sena, loteria que antecedeu a Mega-Sena. Em valores atualizados, o montante ultrapassaria R$ 130 milhões. Com o dinheiro, Valmir voltou para o interior paulista, comprou uma fazenda de mais de 2,2 mil hectares e investiu em pecuária e agricultura.

Décadas depois, ele continua administrando os negócios no campo e vivendo longe da exposição pública. O patrimônio cresceu ao longo dos anos e tornou Valmir um dos casos mais conhecidos de preservação de fortuna entre ganhadores de loteria.
O ganhador discreto de Santa Catarina
Outro caso que ganhou repercussão foi o de um morador de Ipira (SC), conhecido como “Paulinho Loterias”. Ele foi um dos vencedores da Mega da Virada de 2023, que dividiu o prêmio recorde de R$ 588,9 milhões entre cinco apostas.
Depois de ganhar milhões, decidiu transformar o interesse pelas apostas em atividade profissional. Atualmente, organiza bolões da Mega-Sena e movimenta apostas coletivas nas redes sociais.
Mesmo milionário, mantém uma rotina discreta no interior catarinense e evita exposição pública.
Vencedores da Mega-Sena que perderam tudo
Antônio Domingos e a fortuna gasta em poucos anos
Um dos casos mais conhecidos da história das loterias no Brasil aconteceu ainda nos anos 1980. Antônio Domingos tinha 19 anos quando ganhou um prêmio equivalente a cerca de R$ 30 milhões em valores atuais na antiga Loto, antecessora da atual Quina.
Morador de Salvador (BA), ele trabalhava como zelador e vivia com a mãe. Após receber o prêmio, passou a frequentar hotéis de luxo, organizar festas, comprar carros e ajudar amigos sem planejamento financeiro.

O ex-milionário já chegou a relatar na mídia que vestia roupas novas apenas uma vez e trocava de carro até mesmo quando um dos pneus furava.
Poucos anos depois, o dinheiro acabou. Hoje, Antônio voltou a levar uma vida simples e costuma ser citado como exemplo dos riscos da má administração de uma fortuna repentina.
O aposentado que caiu em golpe milionário
Fredolino José Pereira, morador de Viamão (RS), ganhou mais de R$ 10 milhões em 2018 após fazer uma aposta com dinheiro obtido da venda de latinhas recicláveis.

A história repercutiu em todo o país. Aos 71 anos, ele investiu em imóveis e abriu uma funerária. Segundo investigações, porém, um sócio e a companheira dele aplicaram golpes envolvendo estelionato e lavagem de dinheiro. Fredolino perdeu grande parte da fortuna, e o caso foi parar na Justiça.
O caso que terminou em assassinato
Entre os episódios de maior repercussão está o de Jonas Lucas Alves Dias, vencedor de R$ 47,1 milhões na Mega-Sena em 2020. Morador de Hortolândia (SP), ele mantinha uma rotina discreta após receber o prêmio.

Em setembro de 2022, criminosos sequestraram Jonas e sacaram dinheiro de suas contas bancárias. Ele foi espancado e encontrado ferido às margens de uma rodovia, onde morreu pouco depois.
O crime teve repercussão nacional. Os envolvidos foram condenados a penas que ultrapassam 28 anos de prisão.
A “Viúva da Mega-Sena”
Outro caso de grande repercussão sobre os vencedores da Mega-Sena envolveu Renê Senna, ex-lavrador de Rio Bonito (RJ), que ganhou cerca de R$ 52 milhões na loteria em 2005. Em 2007, ele foi assassinado a tiros enquanto conversava na porta de um bar.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apontaram Adriana Ferreira Almeida, então mulher de Renê Senna, como mandante do crime. O caso ficou conhecido nacionalmente como o episódio da “Viúva da Mega-Sena”.

Segundo a investigação, dois ex-seguranças executaram o ex-lavrador. Adriana foi condenada a 20 anos de reclusão, com prisão determinada pela Justiça em 2018. Os dois ex-seguranças já haviam sido condenados a 18 anos de prisão em 2009.
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