STF: professores temporários têm direito ao piso nacional

Decisão do stf amplia alcance do piso do magistério e passa a valer para profissionais contratados por tempo determinado em todo o país

, em Uberlandia

Os professores temporários passam a ter direito ao piso salarial nacional do magistério após decisão do Supremo Tribunal Federal tomada nesta quinta-feira (16). O entendimento estabelece que o valor mínimo deve ser pago a todos os profissionais da educação básica da rede pública, independentemente do tipo de contrato.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o piso salarial nacional para profissionais da educação básica na rede pública também vale para os professores temporários.
A decisão unânime foi tomada nesta quinta-feira (16), no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1487739 – Crédito: Bruno Moura/STF

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A decisão foi unânime no julgamento de um recurso com repercussão geral, o que significa que a tese fixada deverá ser aplicada a processos semelhantes em tramitação na Justiça. Na prática, estados e municípios terão que adequar a remuneração dos professores temporários ao piso definido em lei.

O caso teve origem em uma ação movida por uma professora temporária contra o estado de Pernambuco. Ela alegou ter recebido salário abaixo do piso nacional e pediu o pagamento das diferenças. Após negativa em primeira instância, o Tribunal de Justiça estadual reconheceu o direito, destacando que a profissional exercia a mesma função dos professores efetivos.

Professores temporários e o alcance do piso salarial

Ao analisar o caso, o relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a Constituição não limita o pagamento do piso apenas a servidores efetivos. Segundo ele, a regra deve alcançar todos os profissionais do magistério, inclusive aqueles contratados por tempo determinado.

O ministro também criticou a prática recorrente de estados e municípios de ampliar contratações temporárias para reduzir custos. Para ele, o que deveria ser exceção acabou se tornando regra, o que contraria o objetivo de valorização dos professores previsto na legislação.

Dados recentes da educação básica mostram que 14 estados possuem mais professores temporários do que efetivos, sendo que em oito deles esse percentual ultrapassa 60%. Na avaliação do relator, esse cenário traz prejuízos tanto para os profissionais, que enfrentam salários menores e menos estabilidade, quanto para o ensino, devido à alta rotatividade.

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Impactos para a educação pública

Ao seguir o voto do relator, o ministro Flávio Dino destacou que a contratação de profissionais temporários não está ligada apenas a questões financeiras, mas também a problemas estruturais da rede de ensino. Entre eles, citou dificuldades de lotação, afastamentos por motivos de saúde e, sobretudo, a cessão em grande escala de servidores para outros órgãos.

Apesar disso, ficou definido que o piso nacional deve ser respeitado para todos os profissionais da educação básica, independentemente do vínculo. Outros benefícios, como adicionais por tempo de serviço, podem variar conforme o regime de contratação.

Para o relator, o principal desafio da educação pública não está na falta de recursos ou de profissionais, mas na gestão. A decisão reforça a necessidade de valorização dos professores como elemento central para a melhoria do ensino no país.