STF impõe limites nos penduricalhos no Judiciário

Decisão cria teto para benefícios, corta auxílios e promete economia bilionária aos cofres públicos, com novas regras já a partir de abril

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limita os penduricalhos no judiciário redefine o pagamento de benefícios a magistrados e membros do Ministério Público em todo o país. O novo entendimento fixa regras mais rígidas para adicionais e indenizações, ao mesmo tempo em que mantém a possibilidade de ganhos acima do teto constitucional.

De acordo com a Corte, os cortes nos penduricalhos no judiciário deve gerar economia anual de R$ 7,3 bilhões aos cofres públicos
De acordo com a Corte, a limitação deve gerar economia anual de R$ 7,3 bilhões aos cofres públicos – Crédito: Gustavo Moreno/STF

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O julgamento, concluído nesta quarta-feira, estabelece que apenas verbas previstas em lei podem ser pagas, proibindo a criação de novos auxílios por decisões administrativas ou normas locais. A medida busca organizar o sistema remuneratório e reduzir distorções acumuladas ao longo de décadas.

A partir das novas diretrizes, as vantagens financeiras ficam sujeitas a um limite. As verbas indenizatórias e gratificações não poderão ultrapassar 35% do salário dos ministros do STF, referência para o teto do funcionalismo, o que representa cerca de R$ 16,2 mil. Somadas a outros adicionais, as remunerações podem chegar a aproximadamente R$ 62,5 mil mensais.

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Penduricalhos no judiciário terão novo modelo de cálculo

O Supremo também definiu um modelo de escalonamento para os benefícios. O total de valores pagos acima do salário-base não poderá exceder 70% do teto, dividido em dois blocos. Um deles contempla vantagens por tempo de carreira, enquanto o outro reúne indenizações como diárias, acúmulo de funções e férias não usufruídas.

Apesar da limitação, esses valores continuam fora do cálculo do teto constitucional por serem considerados indenizatórios. Na prática, isso permite que juízes e promotores ainda recebam acima do limite formal, mas dentro de regras padronizadas.

A decisão também atinge diretamente penduricalhos no judiciário considerados irregulares. Diversos auxílios foram proibidos e devem deixar de ser pagos imediatamente, especialmente aqueles criados sem respaldo em lei federal específica.

Corte de benefícios e mais transparência

Entre as medidas mais rigorosas está a suspensão de pagamentos retroativos reconhecidos até fevereiro de 2026. Esses valores só poderão ser liberados após auditoria conjunta dos órgãos de controle e autorização expressa do próprio Supremo.

Além disso, todos os tribunais e ramos do Ministério Público deverão divulgar mensalmente, de forma detalhada, os valores recebidos por seus membros. A exigência amplia a transparência e permite maior fiscalização sobre os chamados penduricalhos no judiciário.

As novas regras também alcançam defensorias, advocacia pública e tribunais de contas. No caso de procuradores, o Supremo reforçou que a soma entre salários e honorários não pode ultrapassar o teto.

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Decisão busca padronização e economia

O entendimento foi aprovado por unanimidade e consolida uma tentativa de organizar um tema que, segundo os ministros, gera distorções há cerca de 30 anos. A Corte reconheceu abusos e a multiplicação de vantagens ao longo do tempo nos penduricalhos no judiciário, com mais de mil tipos diferentes de rubricas identificadas.

Com a limitação, a estimativa é de uma economia anual de R$ 7,3 bilhões aos cofres públicos. Ao mesmo tempo, o Supremo determinou que o Congresso Nacional avance na criação de uma lei federal para regulamentar definitivamente o tema.

As novas regras passam a valer já no mês-base de abril, com impacto direto nos salários pagos em maio, marcando uma mudança significativa no sistema de remuneração das carreiras ligadas à Justiça no Brasil.