Prorrogação da votação: veja a cronologia da decisão no segundo turno
Pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro levaram à extensão do horário em urnas ainda abertas. Segundo especialista, 35,5 mil votos foram registrados após as 17h.
A prorrogação da votação tem sido um dos principais assuntos a respeito do processo eleitoral do segundo turno deste domingo (25). A decisão, definida como inédita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e proferida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu após pedido da Federação União Progressista (PT, PCdoB e PV) e também atendeu ao pedido protocolado no TSE pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), em nome do próprio candidato (veja cronologia abaixo).
Apesar das dificuldades impostas pela cronologia das liminares que permitiram votações até às 19h em urnas que ainda não haviam sido fechadas, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ressaltou que as providências adotadas e o trabalho das equipes técnicas permitiram avançar com a apuração. Especialista ouvido pela Record, com base nos dados do TSE, afirmou que apenas 35,5 mil votos foram registrados após às 17h. A diferença entre os candidatos foi superior a 4 milhões.

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Em Salvador, o Procon da Bahia identificou 544 ônibus fora de circulação em razão de bloqueios. Diante da situação, a Justiça Eleitoral determinou a disponibilização de toda a frota, sob pena de multa. Em São Paulo, passageiros enfrentaram longas filas e demora, apesar das determinações para que todos os veículos fossem colocados em operação. A SPTrans atribuiu as dificuldades a questões logísticas. Segundo a campanha petista, que entrou com ação judicial, a prefeitura estaria operando apenas com 60% dos veículos, mesmo após decisão judicial que determinava a circulação de 100% dos veículos.
Sob a alegação de problemas de transportes em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, o PT protocolou um pedido no TSE para a prorrogação da votação nas cidades que estariam com o transporte público afetado, às 13h22. Na ação, a campanha cita decisões de tribunais regionais que determinam o estabelecimento das frotas. Pouco tempo depois, o próprio Partido dos Trabalhadores pediu para que a prorrogação da votação valesse para todo país.
Em sequência, às 15h50, a campanha de Flávio Bolsonaro, em documento assinado pelo próprio ex-candidato, fez pedido semelhante para 17 cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, e citou chuvas, alagamentos e vias interditadas como motivos. Em São Paulo, a capital, Jundiaí, Itapevi, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Itapetininga, Botucatu, Apiaí, Ribeira e Iporanga. No Paraná, Curitiba e Guaratuba. Em Santa Catarina, Tijucas, Videira, Trombudo Central, Joaçaba e Águas de Chapecó. Após a decisão de Zanin, Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha, chegou a publicar nas redes sociais um vídeo com uma “dancinha” para celebrar a prorrogação.
O presidente do TSE, Nunes Marques, relatou que, ao receber o pedido de ampliação do horário, por volta das 15h30, buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do TSE.
Com a falta de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha petista entrou com uma petição ao STF, às 16h22. Zanin foi sorteado para relatar o caso às 16h33 e, por volta das 17h, emitiu duas determinações que prorrogaram a votação.
Segundo ofício do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Nunes Marques assinou um ofício que determinava o funcionamento de urnas ainda abertas às 17h49. Ainda segundo o TRE-MG, “Quando a determinação do STF foi comunicada, portanto, a maioria das seções eleitorais em Minas Gerais já tinha sido encerrada e os boletins de urna emitidos”.
“Assim, a orientação do TSE aos Regionais e do TRE-MG às zonas eleitorais foi para que as seções ainda em funcionamento permanecessem abertas e os dados das seções eleitorais já encerradas fossem transmitidos para o sistema de totalização dos resultados”, concluiu o TRE-MG em comunicado.
Veja cronologia da prorrogação da votação
- 13h22 – Federação do PT protocola, ao Tribunal Superior Eleitoral, o primeiro pedido para prorrogação da votação em municípios que estariam tendo problema de transporte público, e que já teriam tido atuação da Justiça Eleitoral reconhecendo os problemas. Veja documento.
- 15h42 – Ainda ao TSE, a campanha petista amplia o pedido para todo o país. O segundo pedido afirma que as situações narradas no primeiro pedido não eram isoladas, e cita denúncias em outros estados do país. Veja documento na íntegra.
- 15h50- Flávio Bolsonaro solicita, junto ao TSE, a prorrogação da votação, alegando eventos climáticos em diferentes regiões do país. O pedido do candidato foi de prorrogação da votação em cidades, em São Paulo, Paraná e Santa Catarina; que estariam sofrendo com eventos climáticos e falta de energia. Veja documento na íntegra
- 15h46 – Sem resposta do TSE, a campanha petista protocola pedido no STF. Pouco tempo depois, uma extensão que pede para a prorrogação da votação em todo o território nacional
- 16:32 – Por distribuição comum (sorteio), o ministro Carlos Zanin assume a relatoria do caso.
- Por volta das 17h – Zanin emite decisão para que a votação seja prorrogada em todo o país até às 19h, “cabendo ao TSE dar cumprimento”. Veja documento.
- 17h – Às urnas começam a ser fechadas e encaminhadas aos cartórios eleitorais.
- Pouco depois das 17h, Zanin emite outra decisão, informando que concedeu a liminar devido ao fato das duas campanhas terem alegado problemas no transporte de eleitores. Nesta decisão, o ministro determinou que as urnas que foram fechadas seguissem para a apuração e, as urnas ainda abertas cumpriesse prorrogação até às 19h. Veja documento.
- 17h49 – De acordo com ofício do TRE-MG, o ofício” o Ministro Kassio Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por meio do Ofício-Circular n.º 354/2026, datado de 25 de outubro de 2026 e assinado às 17h49, determinou que “as seções eleitorais que ainda estiverem abertas” devem permanecer em “funcionamento até às 19 horas (horário de Brasília), em cumprimento à determinação judicial”.
Veja ofício do TRE-MG. - 19h – Fim da votação nas urnas que ainda estavam abertas. Especialista ouvido pela Record, com base nos dados do TSE, afirmou que apenas 35,5 mil votos foram registrados após às 17h. A diferença entre os candidatos foi superior a 4 milhões.
Lula eleito, Flávio contesta
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos (64.256.232) neste domingo (25), após virada histórica no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL), que teve 48,21% (59.826.041) dos votos.
“O exército não pode parar. O fato de a gente ter ganho esta batalha significa que temos que nos preparar para enfrentar muitas outras batalhas, e agora a batalha mais difícil será governar atendendo aos interesses do povo brasileiro”, declarou.
Em pronunciamento oficial na noite deste domingo (25), o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) declarou que não reconhece o resultado do segundo turno das Eleições 2026 e anunciou que acionará o corpo jurídico de seu partido para pedir a anulação do pleito.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”, afirmou Flávio Bolsonaro.
“Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que a eleição foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora”, completou.
Nesta segunda-feira (26), o TSE afirmou que os fiscais do PL tiveram acesso livre às áreas visitáveis do Tribunal e não sofreram expulsão da sala-cofre. A nota rebate a acusação de Flávio Bolsonaro, candidato derrotado no segundo turno pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que a Justiça Eleitoral retirou os representantes do partido do local durante a apuração.
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