Mendonça dá 5 dias para PGR analisar caso Moraes e Vorcaro
Relatório tornado público por André Mendonça aponta que o ex-banqueiro pediu intervenção e informações privilegiadas ao ministro para barrar investigações; PGR tem cinco dias para se manifesta
Nesta terça-feira (1º), a relação apontada pela Polícia Federal (PF) entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro veio a público após a queda do sigilo das investigações, determinada pelo também ministro do STF, André Mendonça. Além da quebra do sigilo, o ministro também determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse a respeito do relatório das investigações nos próximos cinco dias. Segundo o documento da PF, o banqueiro buscava ajuda com Moraes para obter informações e tentar influenciar o processo de investigação.

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Ainda de acordo com a PF, Vorcaro conversava diretamente com um contato salvo em nome do ministro do STF. Nas conversas, o banqueiro preso na Operação Cúmplice Zero teria buscado a ajuda de Moraes para obter informações privilegiadas e tentar conter ou retardar medidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master.
O conteúdo das mensagens entre Vorcaro e Moraes
Entre as mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF), há uma conversa em que Vorcaro afirma a um contato atribuído a Moraes que estava “tentando antecipar os investigadores”. O diálogo teria ocorrido em 17 de novembro de 2025.
Os arquivos analisados pela PF também mostram a preocupação do ex-banqueiro com investigações envolvendo o Banco Master, conduzidas pelo Banco Central, pela própria PF e pelo Ministério Público.
Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirma que “G e os diretores estão na pressão máxima”. Em seguida, solicita uma atuação junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao então procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo o relatório da PF, Vorcaro escreveu: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”.
Segundo os investigadores, o número atribuído a Andrei Rodrigues não aparece na lista de contatos de Vorcaro. O nome do diretor-geral da PF, no entanto, foi mencionado em uma conversa entre o ex-banqueiro e o ex-deputado Fábio Faria, realizada em abril de 2024.
Outras mensagens indicam que o ex-banqueiro buscava informações sobre possíveis medidas contra o Banco Master e questionava se haveria maneiras de impedir ou atrasar eventuais ações das autoridades.
Entre os registros periciados estão mensagens como: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, “E o Galípolo quem está pressionando isso pra fazer intervenção?”, “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê para bloquear?” e “E com Andrei dá pra segurar?”.
Em outro trecho recuperado pela perícia, Vorcaro também afirma ser grato à vida de Moraes. “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo.”
A perícia também encontrou mensagens trocadas entre os dois em 17 de novembro de 2025, horas antes da primeira prisão de Vorcaro no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Naquele dia, o empresário foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, pouco antes de embarcar em um avião particular com destino ao exterior.
Nas conversas, Vorcaro afirma que jornalistas investigavam operações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo a PF, o então banqueiro relatou ter feito “uma correria aqui pra tentar salvar” a situação e avaliou que a movimentação poderia “inibir” o avanço das apurações. Em outro momento do diálogo, Vorcaro questiona se deveria permanecer fora do Brasil na segunda-feira seguinte.
Repercussão do vazamento do relatório
Ainda nesta terça-feira (1º), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que cita o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo relatos de servidores e interlocutores, Alexandre de Moraes e André Mendonça tiveram uma discussão acalorada após a determinação pela manifestação da PGR. O episódio teria envolvido um confronto verbal direto entre os dois ministros. Moraes teria criticado a condução do caso e a decisão de encaminhar formalmente à PGR o pedido de manifestação sobre os registros, por considerar inadequada a iniciativa entre integrantes da própria Corte.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou, nesta terça-feira (1º), estar “extremamente preocupada” com a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. A entidade defendeu uma apuração rigorosa e imparcial dos fatos, sem distinção quanto às pessoas eventualmente envolvidas. Veja nota na íntegra:
“A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha com atenção e extrema preocupação as notícias sobre a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. A OAB defende a apuração rigorosa e isenta de todos os fatos, em relação a quem quer que seja, asseguradas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência. Esses princípios garantem a legitimidade da apuração.
A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral. A OAB seguirá cumprindo seu papel de defender a Constituição”.
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