Madalena Gordiano é homenageada na UFU após 5 anos de resgate
Projeto que participou do resgate de Madalena Gordiano homenageia a mulher, que viveu em trabalho análogo à escravidão por 38 anos, em Patos de Minas
Madalena Gordiano foi homenageada na tarde desta quinta-feira (27), em uma solenidade na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Há cinco anos, ela foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão, em Patos de Minas.

A solenidade é do projeto Clínica, do curso de Direito da Universidade, e teve como nome “5 anos de reexistência”, em homenagem à história de Madalena.
A coordenadora do projeto, Márcia Leonora, reiterou a importância da homenagem. “Isso representa muito para nós que enfrentamos o trabalho escravo dentro do âmbito da nossa pesquisa na UFU”, celebrou.
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Liberdade, ainda que tardia
Em entrevista à TV Paranaíba, Madalena conta sobre suas tatuagens, que simbolizam tanto a sua história. “Eu tenho uma rosa, um coração, um terço…”, conta, com um sorriso no rosto. No braço esquerdo, a palavra “libertei”, para estampar ao mundo que é uma mulher livre.
“Tem uma borboleta aqui de quando eu queria sair voando igual uma borboletinha, e consegui voar, igual ela”, celebra Madalena.

Relembre o caso Madalena Gordiano
No dia 27 de novembro de 2020, Madalena foi resgatada do apartamento da família Rigueira, no centro de Patos de Minas. Imagens feitas pela equipe mostraram o quarto pequeno que a empregada doméstica vivia, sem janela, apenas com uma cama e um guarda-roupas.

Aos oito anos, acompanhada da mãe, Madalena começou a trabalhar para a família. O acordo era a adoção irregular da criança, em troca de moradia e estudos. As promessas nunca se realizaram, e Madalena se tornou uma empregada doméstica da casa, onde ficou até 2005, quando foi dada à família de Dalton, filho de Maria das Graças Milagres Rigueira.
Ela nunca teve registro em carteira, não recebia salário, férias ou descanso semanal remunerado pelos serviços prestados ao longo de 38 anos.
Em 2022, Dalton Milagres Rigueira, Valdirene Milagres Rigueira, Raíssa Lopes Fialho Rigueira e Bianca Lopes Rigueira Nasser foram denunciados pelo Ministério Público Federal. Em 2024, foram condenados a penas que ultrapassam 14 anos de prisão, além de multas e indenizações de quase R$ 1,3 milhão à vítima. Os réus puderam recorrer da sentença em liberdade.