Justiça suspende fechamento de alas psiquiátricas para presos em MG

Decisão liminar atende a pedido do MPMG, que alerta para a falta de estrutura dos municípios mineiros em absorver pacientes que cometeram crimes graves

, em Uberlândia

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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu temporariamente o fechamento e a proibição de novas internações em duas unidades psiquiátricas de Minas Gerais. As unidades Hospital Jorge Vaz, em Barbacena, e o Centro de Apoio Médico e Pericial (Camp), em Ribeirão das Neves, são destinados a pessoas com transtornos mentais graves que cometeram crimes e, por determinação da Justiça, cumprem medidas de tratamento em ambiente fechado.

 alas psiquiátricas para presos
Justiça barra fechamento de hospitais para presos com transtornos mentais em MG – Crédito: MPMG/Reprodução

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A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino após um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O órgão alertou que o estado e os municípios ainda não estão prontos para receber esse perfil de paciente na rede de saúde comum. A ordem de fechamento, que viria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), passaria a valer no dia 8 de junho.

Risco para as famílias e para a saúde pública

A resolução nacional determina que essas pessoas que cometeram crimes, mas que não podem ser penalizadas como presos comuns devido à sua condição mental, sejam tratadas na rede de saúde aberta dos municípios.

No entanto, o Ministério Público demonstrou que a maioria das cidades mineiras, principalmente as pequenas, não possui equipes, médicos ou estrutura para absorver uma demanda tão complexa e dar o suporte necessário.

Em sua decisão, o ministro Flávio Dino destacou o impacto social de liberar esses pacientes sem um plano estruturado:

“O fechamento dos hospitais pode desestruturar famílias, especialmente as que não têm condições financeiras para cuidar desses parentes em casa, aumentando ainda mais a situação de vulnerabilidade deles”, afirmou o ministro.

Dino reforçou que o encerramento dessas atividades precisa de um calendário realista, que respeite a capacidade de cada região, evitando que os pacientes fiquem desamparados ou que a segurança pública seja afetada.

Ministério Público defende mudança com planejamento

O Ministério Público de Minas Gerais esclareceu que apoia o fim dos manicômios, mas que uma mudança desse tamanho não pode ser feita às pressas.

Segundo a promotora de Justiça Giovanna Carone, coordenadora da área de saúde do MPMG, o foco atual é cobrar e ajudar as cidades a estruturarem suas redes de atendimento psicosocial.

  • Mudança gradual: O órgão defende que os leitos e tratamentos nas cidades sejam criados antes que as alas psiquiátricas para presos sejam fechadas.
  • Segurança e direitos humanos: O objetivo é garantir que os pacientes recebam um tratamento digno, mas sem deixar as famílias e a sociedade desprotegidas.

A decisão que mantém os hospitais funcionando em Minas Gerais é provisória e agora será analisada por um grupo de ministros da Primeira Turma do STF.

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Contraste de Barbacena: fim do Hospital-Colônia após 115 anos

Esse debate acontece logo após um momento histórico. No dia 25 de maio, o antigo “Hospital-Colônia” de Barbacena fechou definitivamente suas portas após 115 anos. Os últimos 14 moradores que viviam isolados na unidade foram transferidos para uma residência terapêutica — uma casa mantida pelo governo onde recebem cuidados e têm uma rotina de convívio social.

Mas o próprio Ministério Público explica que existe uma grande diferença entre os dois casos:

  • O antigo Hospital-Colônia: Abrigava pessoas que foram isoladas da sociedade por décadas, muitas vezes apenas por abandono ou preconceito.
  • O Hospital Jorge Vaz e o Camp: Tratam pessoas que sofrem de transtornos mentais e que, além disso, praticaram atos graves previstos como crime. Por isso, a saída deles exige cuidados redobrados tanto com a saúde quanto com a segurança.