Dia dos solteiros: liberdade e paz explicam a escolha por viver só em Uberlândia

Mais de 304 mil pessoas não vivem em união estável em Uberlândia, refletindo o desejo de priorizar o autoconhecimento, a rotina e o sossego

, em Uberlândia

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O Dia dos Namorados é sempre uma data lembrada e comemorada por muitos casais ao redor do mundo, mas será que vale a pena e é importante também comemorar o Dia dos Solteiros?

Para milhares de moradores em Uberlândia, a resposta é sim. A data carrega um sentimento mais voltado para a celebração da liberdade e do planejamento pessoal, mostrando que hoje muitas pessoas buscam por autonomia e preferem focar no próprio desenvolvimento antes de iniciar um relacionamento estável.

Amigos reunidos bebendo no dia dos solteiros
No dia dos solteiros, a vida sozinho também pode ser relacionada com liberdade e autoconhecimento – Foto: Pexels/Reprodução

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Quase metade dos uberlandenses não vive em união

Levantamentos do último Censo do IBGE (2022) apontam que entre os 713.224 habitantes de Uberlândia, pelo menos 42% das pessoas com mais de 10 anos não viviam em uma união. No município também foram registradas 186.842 pessoas que nunca viveram em união.

E nesse cenário, o Paranaíba Mais conversou com duas pessoas que relataram o que pensam sobre viver fora de uma relação a dois. Entre pessoas de diferentes idades e tipos de vida, uma coisa se parece muito em ambos os relatos: vale muito mais dedicar tempo a cuidar de si mesmo, antes de pensar em compartilhar os dias com alguém.

Dia dos Solteiros não é preocupação, diz estudante

Para a geração mais jovem, o relacionamento costuma ser um tópico muito presente em conversas com amigos e familiares. A clássica pergunta “E os namoradinhos” sempre surge para fazer uma pessoa solteira refletir sobre a vida amorosa.

Uma estudante de 24 anos, que nunca teve um relacionamento, conta que a pressão para estar acompanhado varia conforme a idade e diz respeito ao modo como cada um lida consigo mesmo. “Pessoal jovem acho que julga mais pela ansiedade de achar que precisa estar num relacionamento naquela idade. E os mais velhos é daquele jeito né, uma tia distante que pergunta ‘e os namoradinhos?’, que já são clássicas, mas também acho que não insistem muito”, diz.

Para ela, enxergar a vida a dois como algo obrigatório é um risco. “Acho que o amor existe em muitas coisas e muitas relações, e depositar todas as suas fichas em um relacionamento pode ser algo meio perigoso”.

Para a estudante, a questão da solteirice nunca foi um problema em sua rotina ou dentro de casa. “Na adolescência era bem tímida, então não tinha essa questão nem sendo discutida entre meus amigos. Só uma amiga namorava naquela época. A minha relação sempre foi bem aberta com a minha mãe e conversávamos sobre isso, e ela não me pressionava. Depois a vida foi acontecendo, e isso não é uma questão”, relata.

Sobre a possibilidade de namorar no futuro, a jovem afirma que teria sim um relacionamento, mas sem criar urgências. “Acho que pode ser uma experiência muito boa. Não acho que é uma urgência ou indispensável, é algo que acredito que deve ser positivo e uma construção das duas pessoas, e que o tempo que vai dizer isso”, pontua.

Apesar de se considerar tranquila em relação ao status civil, ela destaca o valor do respeito e da própria trajetória. “Sou tranquila, acho que valorizo muito meus amigos e minha rotina, e planos de carreira também. Claro, não quero pagar de desconstruída e desapegada demais. Acho que o relacionamento também é uma coisa muito importante na vida de alguém, mas talvez justamente pelo fato de eu nunca ter vivido um, me faz ter menos necessidade. Mas acho que sendo um encontro legal, de duas pessoas que se gostam e se respeitam, e querem construir algo juntos, é algo que pode acrescentar muito”, conclui.

Paz e independência financeira marcam a maturidade

A forma de enxergar a vida solteira como um momento de aprender mais sobre si, não é algo que precisa, necessariamente, acontecer em uma única fase da vida. A busca pela tranquilidade é o que guia a trajetória de uma professora de 57 anos, que está solteira há mais de duas décadas. “Gosto muito de ser solteira e minha vida tem estado uma paz sozinha. Fiz mais dinheiro e dedico muito mais a mim mesma”, afirma.

Ela conta que já teve muitos namorados, com durações variadas, mas a decisão de se afastar dos relacionamentos veio após uma vivência desgastante. “No último, me senti muito sufocada com um relacionamento com um homem mais novo e foi difícil fazer ele entender que acabou”, recorda.

Atualmente, a docente se diz plenamente satisfeita com a própria companhia. “Sou muito feliz solteira, e acho que não seria difícil arranjar um parceiro, mas já me acostumei”, destaca.

Ao analisar o cenário atual das interações sociais, a professora nota um distanciamento provocado pelo meio digital. “Acho que as pessoas estão mais centradas nelas mesmas hoje em dia, ainda mais com a tecnologia e falta de tempo para se dedicar ao ser humano. Acho perigoso conhecer as pessoas na internet, e prefiro [conhecer os] locais de convívio delas, com os mesmos gostos, rotina”, avalia.

Sobre a rotina longe dos compromissos amorosos, a professora celebra a liberdade plena para tomar suas decisões. “Minha vida de solteira é extremamente importante para mim, pois eu posso ser livre pra fazer minhas ações, escolhas e programas. Às vezes, eu sinto falta de um companheiro para ir nos lugares, mas ligo para um amigo e isso preenche este espaço para mim. Eu não me vejo mais com um relacionamento, embora com 57 anos ainda me ache jovem”, finaliza.

Seja por escolha, para focar nos projetos pessoais ou simplesmente para aproveitar a própria companhia, viver só é uma experiência única para cada indivíduo. Para conferir mais matérias sobre comportamento e notícias do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, acesse o portal Paranaíba Mais.