“Hospital-colônia” de Barbacena encerra atividades depois de 115 anos
Transferência dos últimos moradores encerra definitivamente o modelo manicomial no antigo “‘hospital-colônia" de Barbacena
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A saída dos últimos moradores do antigo “hospital-colônia” de Barbacena, na Zona da Mata, colocou fim, de maneira definitiva, a uma unidade de assistência pisquiátrica baseada no confinamento humano. Depois de mais de um século marcado por histórias de abandono, sofrimento e exclusão, Barbacena viveu, nesta segunda-feira (25), um marco para a luta antimanicomial no Brasil.

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Segundo o Governo de Minas, os 14 pacientes que ainda viviam no Centro Hospitalar Psiquiátrico foram levados para uma residência terapêutica preparada para acolhê-los com acompanhamento especializado, rotina assistida e convivência social. A mudança encerra uma estrutura que, durante décadas, ficou associada às marcas mais profundas da política manicomial brasileira.
Em meio à cerimônia de fechamento, um cadeado fechou simbolicamente a porta do Pavilhão Antônio Carlos. O gesto simples transformou-se no retrato de uma ruptura histórica: a de um passado sustentado pelo isolamento e pela invisibilidade de milhares de pessoas.
O “hospital-colônia” de Barbacena
Ao longo dos anos, o “hospital-colônia” de Barbacena se tornou conhecido nacionalmente por carregar uma das páginas mais duras da assistência psiquiátrica do país. Pessoas consideradas inconvenientes pela sociedade da época eram enviadas ao local por motivos que iam muito além de transtornos mentais. Casos de abandono familiar, pobreza, sofrimento emocional e comportamentos vistos como inadequados acabavam, muitas vezes, atrás dos muros da instituição.
Muitos dos pacientes passaram praticamente toda a vida internados. Os últimos moradores transferidos nesta semana viveram, em média, quase cinco décadas dentro da unidade.

Alguns chegaram ainda crianças e envelheceram sem experimentar uma rotina fora dos corredores do hospital. Desde 2019, dezenas de moradores deixaram a instituição para viver em serviços residenciais terapêuticos implantados em cidades da região.
Os números que cercam a história do “hospital-colônia” de Barbacena ajudam a explicar por que o encerramento ganhou tamanho peso simbólico. Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição. Aproximadamente 24 mil morreram no local. Em determinados períodos, o hospital chegou a concentrar 3.500 internos ao mesmo tempo.
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Atualmente, Minas Gerais conta com 453 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), dos quais 65 são voltados exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes.
O local nos dias de hoje
Enquanto a longa permanência chega ao fim, o Centro Hospitalar Psiquiátrico seguirá funcionando com atendimentos voltados para crises agudas e acompanhamento ambulatorial, dentro dos protocolos atuais do SUS.
Hoje, o município busca ressignificar essa memória. Parte da história permanece preservada no Museu da Loucura, criado para impedir que os abusos registrados ao longo das décadas sejam esquecidos.