Justiça mantém preso sargento suspeito de matar capitã da PM; família faz revelações

Justiça manteve preso o sargento investigado pela morte da capitã Michele Leão Azevedo; familiares relataram histórico de conflitos e a investigação segue sob segredo de Justiça

, em Uberlândia

A Justiça de Minas converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, investigado pela morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A decisão foi tomada pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiências de Custódia de Belo Horizonte, que considerou necessária a manutenção da prisão para garantir a ordem pública.

Michele chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20), após ser levada pelo próprio marido. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.

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Familiares de Michele (capitã da PM morta em BH) afirmaram à polícia que o relacionamento era marcado por controle psicológico e comportamento abusivo.
Familiares de Michele afirmaram à polícia que o relacionamento era marcado por controle psicológico e comportamento abusivo – Crédito: RECORD Minas/ Reprodução

Na terça-feira (21), a Justiça também determinou que o processo tramite sob segredo de Justiça. Segundo a decisão, a medida busca preservar a intimidade dos envolvidos, após o investigado apresentar detalhes da vida íntima do casal durante o depoimento.

Família diz que tragédia era temida

Em entrevista à RECORD Minas, parentes da capitã afirmaram que o relacionamento do casal era conturbado havia anos e disseram acreditar que o desfecho era temido pela família.

“Estava a caminho disso”, afirmou o tio da vítima, Marlon de Carvalho Leão.

Segundo ele, Michele e Eduardo viviam um relacionamento marcado por constantes separações e reconciliações.

“Era um relacionamento muito turbulento. Sempre ia, voltava, ia e voltava.”

De acordo com Marlon, familiares tentaram diversas vezes convencer Michele a encerrar definitivamente o relacionamento, mas o casal acabava reatando. O primo da capitã, Jonathan, também relatou que o sargento apresentava comportamento agressivo e possessivo.

Segundo ele, após uma das separações, Eduardo foi até a casa da mãe de Michele e entrou no imóvel à procura da companheira.

“O Eduardo era uma pessoa muito agressiva. Ele abriu porta, abriu um monte de coisa procurando ela. Era uma postura muito possessiva.”

Jonathan afirmou que Michele voltou a se relacionar com o companheiro após uma conversa entre os dois.

Familiares relatam episódios envolvendo o militar

Além do relacionamento conturbado, parentes relataram situações que, segundo eles, mostravam preocupação com a postura do sargento.

Marlon contou que passou a desconfiar do comportamento de Eduardo durante uma confraternização familiar, quando ele teria oferecido um cigarro eletrônico à filha dele, então com cerca de 12 anos.

“Uma pessoa que é militar fazer algo desse tipo, para mim, já desqualifica.”

Os relatos dos familiares passam a integrar o conjunto de informações analisadas pela investigação da Polícia Civil.

Síndico relata festas frequentes no condomínio

O síndico do condomínio onde o casal morava também relatou problemas recorrentes envolvendo o apartamento. Segundo ele, moradores registravam reclamações frequentes por causa de festas que se estendiam por vários dias.

Em uma das ocasiões, afirmou ter acionado a Corregedoria da Polícia Militar após tentativas frustradas de interromper o barulho.

“Às vezes começava numa quinta-feira e terminava só na segunda. Já houve situação em que acionamos a Corregedoria porque as festas continuavam mesmo depois de chamados.”

O sargento afirmou que as relações envolveram práticas de dominação e agressões físicas conhecidas como “spanking”, que consistem em palmadas ou golpes durante a relação sexual – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Relembre o caso

Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens na noite de segunda-feira (20), mas já chegou morta à unidade.

Inicialmente, o sargento afirmou que a esposa havia caído de uma escada. A versão passou a ser questionada após médicos identificarem múltiplos hematomas e lesões incompatíveis com esse tipo de acidente.

A perícia apontou traumatismo craniano, ferimentos na cabeça, lesões nos membros inferiores e marcas compatíveis com agressões provocadas por objeto rígido. Durante as investigações, os peritos encontraram um pedaço de madeira no lixo do condomínio. Também localizaram roupas de cama lavadas dentro da máquina de lavar.

Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento carregando o corpo da capitã até o carro antes de seguir para o hospital. No hospital, policiais encontraram ainda uma caixa metálica com 18 comprimidos semelhantes ao ecstasy, que, segundo o boletim de ocorrência, o militar tentou descartar no banheiro. Por esse motivo, ele também foi preso em flagrante por tráfico de drogas.

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Investigação continua

A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais da residência, do veículo utilizado para transportar Michele e do exame necroscópico para esclarecer a dinâmica da morte.

A defesa de Eduardo Abner Pereira de Oliveira informou que acompanha a investigação, nega que o militar tenha agredido a esposa e sustenta que é necessário aguardar a conclusão das perícias antes de qualquer conclusão sobre o caso.

O investigado responde ao processo com direito à presunção de inocência, conforme prevê a Constituição.