Justiça de Minas condena 19 réus por esquema de estelionato com kombis; entenda
Grupo especializado em fraudes virtuais usava sites falsos de veículos e lavava dinheiro com compra de Kombis antigas; penas chegam a 14 anos de prisão
Um grupo de 19 réus, especializado em estelionatos eletrônicos de veículos em sites falsos, conhecido como ‘golpe do leilão’, foi condenado pela 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Frutal, no Triângulo Mineiro.
As penas variam de 6 anos a 14 anos e 6 meses de reclusão, todas em regime inicial fechado. Os valores e bens bloqueados serão destinados prioritariamente ao ressarcimento das vítimas.

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A ação da organização criminosa, que também atuava no esquema de lavagem de dinheiro com operações nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, foi desarticulada durante a operação “Martelo Virtual II”, conduzida pela Polícia Civil.
Como funcionava a estrutura do golpe
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a organização atuou de forma estruturada entre os anos de 2021 e 2025, criando sites falsos de leilões de veículos.
As vítimas eram induzidas ao erro e realizavam transferências via Pix e TED acreditando na arrematação de automóveis que jamais eram entregues.
A atuação dos condenados era dividida em três frentes:
- Núcleo financeiro: Encarregado dos saques e da distribuição dos valores ilícitos.
- Núcleo operacional: Responsável pela criação das páginas fraudulentas e atração das vítimas.
- Núcleo de lavagem de capitais: Focado no recrutamento de “laranjas” e na abertura de empresas de fachada.
Para dificultar o rastreamento policial das quantias roubadas, o grupo aplicava a técnica conhecida como “puladas”, efetuando sucessivas transferências entre dezenas de contas bancárias e empresas fictícias.
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Lavagem de dinheiro com Kombis e lojas em SP
As investigações desvendaram um método complexo utilizado para reintroduzir os recursos ilícitos na economia formal. Os líderes do esquema compravam veículos antigos colecionáveis, principalmente modelos Kombi, da Volkswagen, fabricados a partir de 1963.
Sob a metodologia batizada pelos próprios criminosos de “reformas de comboios inflados”, o grupo realizava intervenções estéticas nos utilitários e simulava revendas por valores superfaturados para garagens parceiras ou terceiros. O processo forjava um base contábil e jurídica falsa para justificar os lucros obtidos com os golpes.
Segundo a investigação, a organização movimentou pelo menos 32 veículos nessa modalidade, totalizando cerca de R$ 2,6 milhões em transações simuladas. Além das Kombis, a lavagem contava com a gestão oculta de boxes em shoppings populares na cidade de São Paulo e venda massiva de frotas.
Justiça de Minas pede ressarcimento das vítimas
Na decisão judicial, foi ordenado que todo a quantia financeira bloqueada via Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) e os bens apreendidos sejam revertidos para reparar o prejuízo financeiro sofrido pelas pessoas lesadas.
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