Homicídio de catadora: cinco são condenados em MG a até 24 anos

Mandante do crime foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão; caso aconteceu no Aglomerado Morro das Pedras, em Belo Horizonte, e teve motivação fútil.

, em Uberlândia

Google News

O julgamento do homicídio de uma catadora que chocou o Aglomerado Morro das Pedras, na região Oeste de Belo Horizonte, terminou nesta quinta-feira (20) com a condenação dos cinco homens acusados pela morte da vítima, uma mulher de 33 anos que catava materiais recicláveis na região. A decisão foi obtida pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, ligada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que classificou a ação dos réus como uma espécie de “tribunal do crime” montado para punir a vítima por uma suspeita nunca confirmada.

MPMG obtém condenação de cinco homens por homicídio de catadora de recicláveis em Belo Horizonte
MPMG obtém condenação de cinco homens por homicídio de catadora de recicláveis em Belo Horizonte – Crédito: Eric Bezerra/MPMG

Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Penas definidas para os réus condenados

O homem apontado como mandante da execução, de 43 anos, recebeu a pena mais alta do julgamento: 24 anos e seis meses de reclusão. Segundo o MPMG, coube a ele dar a ordem final para que a vítima fosse morta, enquanto os outros quatro réus ficaram responsáveis por colocar o plano em prática.

Dois desses executores, de 21 e 22 anos, foram condenados a 15 anos e sete meses de prisão. Já os outros dois, de 24 e 25 anos, receberam pena de 18 anos e nove meses de reclusão. A atuação de acusação no júri ficou a cargo do promotor de Justiça Carlos Eugênio Souto Maior Filizola Júnior. Todos os cinco condenados vão cumprir a pena em regime inicial fechado.

Os jurados também acataram as qualificadoras apresentadas pela promotoria contra o grupo: motivo fútil, uso de meio cruel na execução do crime e emprego de recurso que impediu a vítima de se defender.

Como aconteceu o crime que resultou no homicídio da catadora

De acordo com apuração da Record Minas, quatro dos réus espancaram a vítima em um terreno baldio no bairro São Jorge III. Depois dessa primeira agressão, o grupo levou a mulher para outro ponto da região, onde o assassinato foi consumado com novos golpes. O corpo só foi encontrado depois de ter sido abandonado em um local isolado.

Relatos colhidos durante as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indicam que a vítima chegou a ser arrastada por cerca de 20 metros até o lote vago, onde acabou morta e teve o corpo empurrado para uma ribanceira. As agressões, segundo apurado, começaram dentro da própria casa de um dos suspeitos e continuaram enquanto a mulher era arrastada pela rua até o local do crime.

LEIA MAIS: MPF processa União, ANTT e concessionárias por pedágio de moto em Uberlândia

Motivação: suspeita sobre um carregador de pistola

A denúncia do MPMG  aponta que a ordem para matar a catadora partiu do próprio mandante, justamente para que ela não denunciasse o grupo pela sessão de espancamento sofrida horas antes. Por trás de toda a violência estava a desconfiança dos réus de que a vítima teria ficado com um carregador de pistola recolhido durante seu trabalho.

Testemunhas ouvidas pela PCMG afirmaram que o carregador realmente estava entre o material reciclável coletado pela mulher, mas que ela desconhecia do que se tratava o objeto e acabou vendendo o carregador junto com outros itens recolhidos no dia a dia. Foi essa suspeita, segundo as investigações, que motivou a decisão do grupo de espancar e, em seguida, matar a vítima.

Relembre o caso

O crime veio à tona depois que quatro homens foram presos suspeitos de espancar e matar a catadora de materiais recicláveis no bairro São Jorge III. As investigações da PCMG apontaram desde o início que o episódio fazia parte de um suposto “tribunal do crime”, montado pelo grupo depois de acusar a vítima de ter furtado o carregador de pistola.

Passados meses da prisão dos suspeitos, o processo chegou ao Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que agora resultou na condenação dos cinco envolvidos, incluindo o mandante identificado pelo Ministério Público.

Para ficar por dentro das principais notícias de justiça em Minas Gerais, no Brasil e no mundo continue acompanhando o Paranaíba Mais.