Ex-prefeito de Delta que pegou ar-condicionado da prefeitura é denunciado
Marcos Roberto Estevam virou réu após a Justiça entender que não havia justificativa para que o aparelho do município estivesse em sua residência; caso foi descoberto em 2024, em operação da Polícia Civil
A Justiça determinou, nesta segunda-feira (29), que o ex-prefeito de Delta, Marcos Roberto Estevam, responda oficialmente a acusação de apropriação de bem público.
Em 2024, o réu foi preso em flagrante durante uma operação da Polícia Civil que investigava o crime de peculado. Em sua residência, foi encontrado um ar-condicionado que pertencia à prefeitura.

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Aparelho foi encontrado lacrado na casa do ex-prefeito, em 2024
O equipamento, adquirido com recursos públicos e destinado originalmente ao Centro de Cultura de Delta, foi localizado lacrado e ainda em sua embalagem original.

Na época do flagrante, o então prefeito chegou a se pronunciar após ser solto, justificando que guardou o aparelho em casa por segurança, após notar que a porta de uma academia municipal, local onde ele pretendia instalar o item, estava quebrada.
Veja o vídeo gravado na época:
Ministério Público contestou versão do réu
No entanto, as apurações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contestaram a versão. Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria de Justiça Especializada, não foram identificados registros administrativos que justificassem a guarda do ar-condicionado na residência do político.
Além disso, depoimentos colhidos de servidores indicaram que inexistia qualquer demanda ou ordem para a instalação daquele equipamento em outros prédios públicos.
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Ao analisar o caso, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) destacou que a apropriação do bem pelo investigado não tinha respaldo que justificasse o desvio para sua própria casa, o que caracterizou a justa causa para a abertura da ação penal.
Operações investigavam corrupção e desvio de bens públicos
O caso é um desdobramento da “Operação Limpidus”, que na época cumpriu 20 mandados de bsca e apreensão em Delta (MG) e Igarapava (SP), em 2024. Na época, foram apreendidos dispositivos móveis e documentos relacionados à investigação, que apurava crimes praticados por servidores públicos e agentes políticos contra a administração pública.
Essa ação também já se tratava da continuidade de outra operação, chamada “Cisvalegran”, deflagrada originalmente em 2022. Nessa primeira, medidas cautelares foram cumpridas em Uberaba (MG), Delta (MG), Ribeirão Preto (SP) e Guaíra (SP), em investigações contra esquemas de corrupção e desvio de verbas na área da saúde na região.