Empresário é investigado por gravar funcionárias no banheiro de empresa em Santa Juliana
Homem de 53 anos chegou a ser preso em flagrante após admitir que escondeu o celular para gravar a funcionária, mas foi liberado posteriormente; denúncia revelou relatos de outras mulheres
Uma funcionária de uma imobiliária de Santa Juliana, no Triângulo Mineiro, descobriu que estava sendo filmada enquanto usava o banheiro da empresa e procurou a polícia. O empresário de 53 anos, dono do estabelecimento, é investigado por denúncias de assédio e importunação sexual envolvendo funcionárias e ex-funcionárias. Ele chegou a ser preso em flagrante após admitir que havia escondido o próprio celular no banheiro para fazer as gravações, mas foi posteriormente liberado. O caso terá audiência trabalhista nesta quinta-feira (27).

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Empresário é investigado por gravar funcionárias
A história veio à tona depois que Vitória Lacerda, de 25 anos, encontrou os vídeos no celular corporativo utilizado pelo empresário. Ela trabalhava com pagamentos da imobiliária e recebeu o aparelho para realizar uma operação bancária.
O celular estava desbloqueado. Ao verificar o conteúdo, Vitória encontrou, na lixeira, gravações em que aparecia dentro do banheiro da empresa.
Segundo a jovem, havia mais de um registro e alguns arquivos indicavam que ela poderia ter sido filmada em outras ocasiões.
“Entrei em estado de choque, só sabia chorar”, contou Vitória em entrevista à TV Paranaíba.
Ela conseguiu registrar as evidências encontradas no aparelho antes de procurar as autoridades.
As imagens mostram a funcionária em situação de intimidade dentro do banheiro. Por envolver conteúdo íntimo obtido sem autorização, a reportagem não reproduz as gravações.
Empresário inicialmente negou, mas admitiu ter escondido celular
Depois da denúncia, o empresário foi conduzido à delegacia. Conforme o boletim de ocorrência, ele inicialmente negou ter instalado qualquer câmera no banheiro.

Durante o atendimento policial, porém, teria admitido que escondeu o próprio celular no local para fazer as gravações.
Ainda de acordo com o registro, o homem afirmou que os vídeos não haviam sido divulgados.
Na ocasião, ele foi preso em flagrante e foi posteriormente colocado em liberdade.
Agora, uma audiência trabalhista está prevista para quinta-feira (27).
Ex-funcionária afirma ter sofrido abusos desde os 15 anos
Depois que a vítima procurou a polícia, outras ex-funcionárias passaram a contar situações que, segundo elas, teriam acontecido enquanto trabalhavam na imobiliária.
Um dos boletins de ocorrência consultados pela reportagem registra uma denúncia feita em dezembro de 2024 por uma jovem que tinha 19 anos na época.
Ela relatou ter sido vítima de uma tentativa de abuso sexual durante o expediente. Segundo o registro, o então patrão teria tocado partes do corpo dela e exposto o órgão genital.
A mulher contou que os episódios teriam começado quando ela ainda tinha 15 anos. Em mensagens, relatou situações em que o empresário teria tocado seu corpo sob diferentes justificativas.

Em um dos episódios descritos por ela, registrado por vídeo, o homem teria usado uma bermuda larga, sem roupa íntima, e se sentado diante dela de forma que parte do órgão genital ficasse exposta.
Depois disso, a jovem teria pedido demissão. Os relatos estão sendo apurados pela Polícia Civil.
Advogada explica diferença entre as possíveis acusações
A advogada Miriane Alves explica que os episódios narrados pelas mulheres podem receber diferentes enquadramentos jurídicos, de acordo com o que ocorreu em cada situação e com as provas disponíveis.
A análise pode envolver crimes como importunação sexual, além de outras condutas previstas na legislação. Já a caracterização de assédio depende das circunstâncias específicas e da relação existente entre as pessoas envolvidas.
No caso das gravações feitas no banheiro, a obtenção de imagens íntimas sem autorização também deverá ser analisada pelas autoridades.
A especialista ressalta ainda que os registros oficiais não necessariamente representam todos os casos ocorridos, principalmente por causa da subnotificação.
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Minas registrou 171 casos de importunação sexual até maio
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que Minas Gerais registrou 381 casos de importunação sexual em 2024.
Em 2025, foram 334 ocorrências. Entre janeiro e maio de 2026, já eram 171 registros.
Nos casos de estupro, foram contabilizadas 536 ocorrências em 2024, 496 em 2025 e 202 entre janeiro e maio deste ano
Caso segue sob investigação
Vitória afirma que decidiu levar o caso adiante depois de perceber que outras mulheres poderiam ter passado por situações semelhantes.
A jovem também fez um apelo para que possíveis vítimas procurem as autoridades.
“Não se calem. A gente trabalha honestamente querendo ser alguém na vida. Eu estou nessa causa por todas as mulheres.”
Segundo ela, as denúncias tiveram impacto direto na rotina e fizeram com que buscasse acompanhamento profissional.
A Polícia Civil deverá analisar as gravações, os boletins de ocorrência e os demais elementos apresentados pelas denunciantes para apurar as circunstâncias dos fatos.
A reportagem tentou contato com o empresário para obter a versão dele sobre as acusações e sobre o andamento do caso, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação dele ou da defesa.
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