Em 1ª entrevista, Renê Júnior vai contra sua confissão e nega ter matado gari
Empresário preso por matar o gari Laudemir Fernandes, em agosto deste ano, em Belo Horizonte, teria confessado o crime em depoimento, mas agora apresenta outra versão
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O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior negou ter disparado contra o gari Laudemir Fernandes, em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, do último domingo (30), versão contrária a dada em seu depoimento em agosto. O réu, que é acusado de homicídio triplamente qualificado, admitiu ter passado pelo local do crime armado e reconheceu estar presente durante o ocorrido.
O crime ocorreu em 11 de agosto no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte. O empresário de 47 anos se irritou com o caminhão de lixo que realizava a coleta de resíduos em uma rua quando foi passar de carro pelo local. Renê Júnior teria ameaçado a motorista do veículo e atirado em Laudemir enquanto ele trabalhava.
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A entrevista ao jornalista Roberto Cabrini para o Domingo Espetacular foi realizada no presídio em Caeté, e é a primeira desde a prisão do réu. Renê Júnior está preso desde o dia do crime, quando foi encontrado horas depois em uma academia de luxo.
À polícia e ao jornalismo da Record, o réu afirmou que não conhecia bem a área onde o incidente ocorreu e comentou a mudança de narrativa sobre porte de arma. “No primeiro dia, meu advogado pediu para não comentar nada até ele se inteirar”, disse.
Durante a entrevista, Renê Júnior também afirmou que foi orientado por um advogado a dizer que o gari foi atingido por uma bala perdida. O acusado trocou de defesa pelo menos três vezes. “Eu estava com esse advogado e ele falou: ‘O que aconteceu deve ter sido um acidente com a vítima. Uma bala perdida deve ter atingido a vítima e você foi o cara que estava passando na hora e levou o título do negócio'”, relatou o empresário ao falar sobre as determinações do antigo advogado.
No entanto, o inquérito policial afirma que Renê Júnior desceu armado de seu veículo, ameaçou a equipe de coleta e efetuou um disparo direcionado. Além do homicídio, o réu responde por porte ilegal de arma de fogo, ameaça (contra a motorista do caminhão) e fraude processual, por tentar trocar a arma do crime.
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Empresário negou contato com a esposa
O empresário atuava no setor de alimentação e é casado com a delegada Ana Paula Balbino, de quem era a arma utilizada no crime. Ela foi acusada de ter emprestado a arma usada no crime e por prevaricação, por não agir embora soubesse que o marido era suspeito do crime.
Renê Júnior também comentou, durante a entrevista, sobre o contato com a esposa no dia da morte de Laudemir Fernandes. Ao ser questionado sobre possíveis privilégios na abordagem após o crime, o empresário rebateu. “Eu não tive contato com minha esposa. Eu liguei para o coronel da Polícia Militar para ver o que eu faria”.
No entanto, a Polícia Civil teve acesso a mensagens enviadas pelo celular do acusado no dia do crime. Renê Júnior enviou mensagens à esposa, “estava no lugar errado, na hora errada. Amor, não fiz nada” e também sugeriu a troca de armas: “entrega a nove milímetros. Não pega a outra”.
Renê Júnior depôs em audiência de instrução
O empresário prestou depoimento na segunda etapa da audiência de instrução na última quarta-feira (26). Enquanto Renê Júnior disse ter sido coagido a confessar o disparo e alegou portar arma por medo de ameaças, testemunhas afirmaram que o trabalhador foi morto apenas por exercer sua função e por não ter o mesmo poder econômico do réu.
A sessão ocorreu no 1º Tribunal do Júri Sumariante, no bairro Preto, na Região Centro-Sul da capital. Renê optou por não responder às perguntas, mas fez um relato próprio sobre sua vida e sobre o dia do crime.