Caso Vanessa Lara: Way 262 pagará pensão à família após crime

Decisão liminar aponta que vegetação alta em trecho da rodovia sob responsabilidade da concessionária contribuiu para o crime; empresa deve pagar dois terços do salário da vítima à mãe

, em Uberlândia

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A Vara Única de Juatuba determinou, em caráter liminar, que a concessionária Way 262 pague uma pensão mensal à mãe de Vanessa Lara de Oliveira, de 23 anos, morta após ser estuprada às margens da BR-262 em fevereiro deste ano. A decisão judicial reconhece que a omissão na manutenção da via, especificamente a falta de capina, obrigou a jovem a utilizar um caminho improvisado, onde foi emboscada. O valor fixado corresponde a dois terços da remuneração que a vítima recebia.

Caso Vanessa Lara
Decisão da Justiça liga crime a falta de manutenção na BR-262 e impõe pensão à família de Vanessa Lara – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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De acordo com os autos, o crime ocorreu em um trecho da rodovia tomado por vegetação densa. A Justiça entendeu que o estado de abandono da área forçou Vanessa a desviar de seu trajeto habitual para acessar o ponto de ônibus, criando o cenário que permitiu o ataque.

Um ponto crucial da decisão destaca que a Prefeitura de Juatuba já havia solicitado formalmente a limpeza do local à concessionária antes do crime, alertando que o mato alto colocava em risco a segurança de quem circulava por ali. A manutenção, entretanto, só foi executada pela Way 262 após a morte da jovem.

Caso Vanessa Lara

Vanessa Lara de Oliveira, de 23 anos, morava em Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas, e se deslocava diariamente até Juatuba para trabalhar e custear a faculdade de Psicologia. Ela desapareceu no dia 9 de fevereiro, após sair do posto do Sine onde atuava como terceirizada.

Imagens de câmeras de segurança registraram a jovem caminhando pela cidade depois do expediente. Segundo as investigações, Vanessa seguia em direção ao ponto de ônibus localizado às margens da BR-262, quando foi abordada.

Dias depois, o corpo dela foi localizado em uma canaleta de drenagem, em uma área de difícil visualização por causa da vegetação alta às margens da rodovia.

Conforme o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a jovem foi seguida até o local do crime. O suspeito, Ítalo Jefferson da Silva, foi preso em 12 de fevereiro, em Carmo do Cajuru, enquanto se escondia em um vagão de trem de carga.

Histórico criminal do suspeito

Segundo a Polícia Civil, Ítalo já tinha três condenações por estupro e deveria cumprir pena em regime semiaberto domiciliar. No entanto, era considerado foragido após não comparecer para instalação da tornozeleira eletrônica.

As investigações apontaram que ele já havia cumprido pena por estupro em Patrocínio, no Alto Paranaíba.

Ele foi denunciado pelo MPMG por:

  • Feminicídio;
  • Estupro;
  • Ocultação de cadáver.

Atualmente, o réu está detido no Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.

Próximos passos e desdobramentos

A decisão que estabelece o pagamento da pensão é provisória, o que permite que a concessionária Way 262 recorra da sentença. Além do auxílio mensal, a família de Vanessa pleiteia uma indenização por danos morais na justiça comum. O processo segue tramitando em segredo de justiça.

A reportagem procurou a concessionária Way 262, responsável pelo trecho de 438,9 quilômetros da BR-262, para comentar a decisão da Justiça e os apontamentos sobre falhas na manutenção da área. Até a publicação desta matéria, não houve retorno oficial.