Caso Cássio Remis: Jorge Marra será julgado novamente em BH em 2027

Novo júri ocorrerá quase sete anos após a morte do ex-vereador em Patrocínio; réu foi absolvido da acusação de homicídio no primeiro julgamento, mas decisão acabou anulada

, em Uberlândia

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Jorge Moreira Marra será julgado novamente em 17 de março de 2027 pela morte do ex-vereador Cássio Remis, ocorrida em Patrocínio em setembro de 2020. O novo Tribunal do Júri será realizado em Belo Horizonte, quase sete anos após o crime.

Jorge Marra, que responde ao processo em liberdade, foi absolvido da acusação de homicídio no primeiro julgamento, realizado em 2022. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), no entanto, anulou o resultado em 2024 após analisar recurso apresentado pela acusação.

A defesa tentou reverter a anulação, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, em 2025, a determinação para a realização de um novo júri. Ao analisar o caso, a ministra Cármen Lúcia considerou que havia respaldo para a decisão que reconheceu que o primeiro veredito foi manifestamente contrário às provas dos autos.

O novo julgamento será realizado fora de Patrocínio após a Justiça aceitar o pedido de transferência para outra comarca. A acusação argumentou que a repercussão do caso, a polarização política e a influência das pessoas envolvidas poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados na cidade.

Caso Cássio Remis
Caso Cássio Remis terá novo júri em Belo Horizonte, quase sete anos após a morte do ex-vereador de Patrocínio – Crédito: Redes sociais/Reprodução

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Caso Cássio Remis começou após transmissão ao vivo

Cássio Remis morreu aos 38 anos, em 24 de setembro de 2020. Advogado, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Patrocínio, ele tentava retornar ao Legislativo naquele ano e fazia oposição à administração municipal.

Pouco antes de morrer, Cássio iniciou uma transmissão ao vivo nas redes sociais na Avenida João Alves do Nascimento. No vídeo, ele denunciava o que apontava como uma possível utilização irregular de funcionários, máquinas e materiais da Prefeitura de Patrocínio em uma obra particular. Veja:

Na época, Jorge Marra ocupava o cargo de secretário municipal de Obras e era irmão do então prefeito Deiró Marra. As imagens mostram Jorge se aproximando de Cássio, tomando o celular dele e deixando o local. Cássio seguiu Jorge por mais de dois quilômetros na tentativa de recuperar o aparelho. A movimentação terminou em frente à Secretaria Municipal de Obras, na Avenida Orlando Barbosa, no bairro São Benedito.

Segundo a investigação, Jorge pegou uma arma em uma caminhonete e efetuou cinco disparos quando Cássio tentou fugir. O ex-vereador morreu no local. Após os disparos, Jorge deixou Patrocínio. A polícia encontrou a caminhonete e a arma em Perdizes. Ele se apresentou três dias depois, em 27 de setembro de 2020, e permaneceu preso até o primeiro julgamento.

Primeiro júri absolveu Jorge Marra de homicídio

O primeiro julgamento ocorreu em outubro de 2022 e durou aproximadamente 17 horas. A defesa sustentou a tese de legítima defesa, e os jurados absolveram Jorge Marra da acusação de homicídio. O júri o condenou pelo porte ilegal de arma de fogo. Como Jorge já havia permanecido preso por mais de dois anos, a Justiça considerou a pena cumprida e determinou que ele fosse colocado em liberdade.

A acusação recorreu da absolvição sob o argumento de que a decisão dos jurados contrariava as provas reunidas no processo. Entre os elementos apresentados estavam relatos de testemunhas segundo os quais Cássio não teria agredido Jorge, mas apenas cobrado a devolução do celular.

Em 2024, o TJMG acolheu o recurso e anulou a absolvição. No ano seguinte, o STF manteve a decisão, preservando a determinação para a realização de um novo julgamento.

Família espera decisão diferente no novo júri

Quase seis anos após a morte de Cássio, a família ainda convive com a ausência e com as lembranças deixadas pelo crime. A mãe, Francisca Carneiro dos Santos, conta que não consegue assistir às imagens que registraram os últimos momentos do filho. “Se eu vejo nas publicações, eu desvio. Não vejo esse vídeo. A única coisa que vejo dele é essa foto”, relatou. Segundo Francisca, setembro se tornou um período especialmente difícil, pois reúne aniversários da família e a data da morte de Cássio.

O irmão, Marcos Remis dos Santos Filho, também afirma que passar pelos locais relacionados ao caso representa um desafio. “A gente tem que passar por aqui quase diariamente. É sempre um desafio psicológico e sempre remete a tudo o que aconteceu”, disse.

Além da dor pela perda, os familiares relatam que evitam determinados lugares de Patrocínio para reduzir a possibilidade de encontrar Jorge Marra, que responde ao processo em liberdade. “Sinceramente, eu evito, porque talvez eu não saberia qual seria a minha reação”, afirmou Marcos.

Francisca Carneiro dos Santos observa uma foto do filho, Cássio Remis, morto em setembro de 2020, em Patrocínio – Crédito: Rafael Ribeiro/TV Paranaíba

A trajetória política da família continuou após a morte do ex-vereador. Francisca assumiu a candidatura registrada pelo filho e conquistou uma vaga na Câmara Municipal em 2020. Atualmente, Marcos Remis Filho também exerce o cargo de vereador em Patrocínio.

Para o pai, Marcos Remis dos Santos, o interesse de Cássio pela política começou ainda na infância, quando acompanhava o trabalho dele na Câmara Municipal. “Ele sempre acompanhava todos os trabalhos. Nasceu para aquilo”, relembrou.

Agora, a família deposita no novo júri, em Belo Horizonte, a expectativa de uma decisão diferente daquela tomada em 2022. Os familiares acreditam que a transferência do julgamento pode reduzir a influência da polarização política existente em Patrocínio. “Eu acredito que o júri de Belo Horizonte não consiga ser tão influenciado a ponto de promover mais essa injustiça, tanto com a nossa família quanto com a população de Patrocínio”, declarou Marcos Remis Filho.

Apesar da espera e das decisões judiciais tomadas ao longo dos últimos anos, Francisca afirma que mantém a confiança em um novo desfecho para o processo. “Eu nunca deixei de acreditar na Justiça”, disse.

A reportagem procurou a defesa de Jorge Marra, mas não recebeu retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Confira a reportagem completa produzida pela TV Paranaíba:

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