Autora do TCC ‘Antes Elize do que Eliza’ explica frase que dividiu a internet

Após ser acusada de fazer apologia ao crime, Clara Souza publicou um vídeo para explicar que a pesquisa analisa o julgamento moral de mulheres pela mídia e não compara os crimes

, em Uberlândia

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A estudante de Direito Clara Souza, de 22 anos, voltou às redes sociais para explicar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que viralizou após o título “Antes Elize do que Eliza” gerar críticas e acusações de apologia ao crime. Em um vídeo, ela afirmou que a frase analisada na pesquisa não representa sua opinião, mas o objeto do estudo acadêmico.

A monografia, aprovada com nota 10, analisa como a mídia, as redes sociais e a opinião pública constroem narrativas sobre mulheres envolvidas em casos criminais, tanto na condição de vítimas quanto de acusadas.

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Antes Elize do que Eliza
Vídeo publicado pela estudante esclarece o significado da frase que viralizou nas redes e explica por que o TCC recebeu nota máxima apesar da polêmica – Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Vídeo explica o objetivo da pesquisa

No vídeo, Clara afirma que parte do público interpretou o trabalho como uma tentativa de colocar Elize Matsunaga e Eliza Samudio no mesmo patamar ou de justificar o assassinato cometido por Elize. Segundo a estudante, essa nunca foi a proposta da pesquisa.

“Eliza Samudio foi vítima de um crime brutal. Elize Matsunaga cometeu um crime, foi julgada e condenada. Elas ocupam posições jurídicas completamente diferentes”, afirma.

A estudante explica que a comparação feita no TCC não trata dos crimes, mas da forma como as duas mulheres foram retratadas pela cobertura da mídia e pelo debate público. Segundo Clara, o objetivo é compreender os mecanismos de julgamento moral que surgem quando uma mulher está no centro de um caso criminal.

O que significa a frase “Antes Elize do que Eliza”?

A expressão, que circula há anos em plataformas como TikTok, Instagram e X, ganhou repercussão nacional após aparecer no título da monografia. De acordo com Clara, a frase foi colocada entre aspas porque representa um fenômeno social analisado na pesquisa.

No vídeo, a estudante afirma que compreender o significado social da expressão não significa defender o crime cometido por Elize Matsunaga.

Segundo ela, a frase reflete o sentimento de insegurança de muitas mulheres diante da violência doméstica.

“Compreender o sentido social dessa frase não significa concordar juridicamente com ela. Significa perguntar por que tantas mulheres conseguem reconhecer nessa expressão um sentimento de medo, abandono e insegurança”, explica.

Julgamento além da Justiça

Um dos principais argumentos apresentados por Clara é que tanto Eliza Samudio quanto Elize Matsunaga tiveram suas vidas pessoais exploradas pela mídia, embora ocupassem posições completamente diferentes perante a Justiça.

No caso de Eliza Samudio, a estudante afirma que aspectos como profissão, vida sexual e relacionamentos passaram a integrar a narrativa pública, desviando o foco da violência sofrida pela vítima.

Em relação a Elize Matsunaga, Clara diz que a cobertura frequentemente extrapolou o crime e construiu uma imagem baseada em características morais, como frieza e manipulação.

Para a autora, as duas foram submetidas ao que ela define como “tribunal moral”, um julgamento paralelo promovido por manchetes, programas de televisão, documentários, redes sociais e pela opinião pública.

Pesquisa discute violência de gênero e cobertura da mídia

Ao longo de mais de 130 páginas, a monografia aborda temas como violência de gênero, patriarcado, violência simbólica, processo penal midiático e sociedade do espetáculo.

Segundo Clara, a pesquisa busca mostrar que a violência contra a mulher também pode ocorrer por meio da exposição da intimidade, da deslegitimação da palavra da vítima e da cobrança para que ela corresponda ao ideal de uma “vítima perfeita”.

Ela diz que o trabalho pretende promover o debate sobre a forma como casos criminais envolvendo mulheres são tratados pela imprensa e pelas redes sociais.

TCC recebeu nota máxima

Clara Souza concluiu o curso de Direito na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral (CE). O TCC recebeu nota 10, e a banca examinadora sugeriu que a pesquisa seja desenvolvida futuramente em um projeto de mestrado.

Atualmente, Clara atua na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, em um núcleo especializado no enfrentamento à violência doméstica.

Após a repercussão nacional, a estudante afirma ter recebido mensagens de apoio de mulheres de diferentes regiões do país e reforçou o convite para que as pessoas conheçam a pesquisa antes de tirar conclusões.

“Depois de toda essa repercussão, meu convite é para que vocês não parem apenas no título. Conheçam os meus argumentos e observem as camadas que existem por trás dessa discussão.”

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