Ataques nas redes ao Banco Central partem de grupo com empresas em Uberlândia
Páginas de entretenimento como o Instagram Alfinetei são citadas em levantamento da Febraban sobre publicações em massa após o caso Banco Master
Os ataques nas redes sociais ao Banco Central, registrados no fim de dezembro após a liquidação do Banco Master, tiveram como um de seus principais pontos de partida uma rede de perfis de entretenimento ligada a empresas sediadas em Uberlândia. Entre as páginas citadas está o Instagram Alfinetei, que reúne mais de 25 milhões de seguidores.

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De acordo com um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), houve um crescimento fora do padrão no número de publicações críticas ao Banco Central em um curto espaço de tempo. Apenas no dia 27 de dezembro, foram identificadas 4.560 postagens em plataformas como Instagram, X (antigo Twitter) e Facebook, concentradas em cerca de 36 horas.
A análise aponta indícios de uso de mecanismos artificiais para ampliar o alcance, como automação e robôs.
O movimento chamou a atenção do setor financeiro e de órgãos de controle por ocorrer logo após a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, processo que segue sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os perfis citados no levantamento sobre os ataques nas redes, estão páginas de grande alcance conhecidas pelo conteúdo voltado a celebridades e entretenimento. Essas páginas integram uma estrutura empresarial composta por diferentes empresas formalmente registradas e por uma rede de perfis que, somados, alcançam cerca de 40 milhões de seguidores nas redes sociais.

Os registros indicam que os administradores dessas páginas mantêm participação direta em múltiplos CNPJs e atuam de forma integrada na gestão dos perfis, que têm base operacional em Uberlândia. A organização funciona a partir de uma lógica de alcance massivo, com distribuição simultânea de conteúdos entre diferentes páginas controladas pelo mesmo grupo.
A atuação chamou atenção pela mudança repentina de pauta editorial. Perfis tradicionalmente dedicados a notícias sobre famosos e entretenimento passaram, em curto espaço de tempo, a publicar conteúdos relacionados à política monetária e à atuação do Banco Central, abordagem considerada atípica para páginas desse segmento.
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Em algumas publicações, o tema foi abordado com memes e montagens típicas de páginas de fofoca, ironizando a rapidez da liquidação do banco. A mudança gerou questionamentos de seguidores, que passaram a perguntar nos comentários por que páginas de entretenimento estavam tratando de assuntos financeiros e institucionais.
A reportagem do Paranaíba Mais procurou a página Alfinetei e seus responsáveis para comentar os ataques nas redes ao Banco Central apontados no levantamento da Febraban. Até o fechamento desta matéria não houve resposta.
Campanha de ataque
Segundo reportagem do portal R7, a Polícia Federal apura uma denúncia de contratação de influenciadores digitais para uma campanha coordenada de ataques ao Banco Central. Ao menos 46 perfis teriam sido remunerados por meio de uma agência. O caso veio a público após dois influenciadores recusarem a proposta e denunciarem o suposto esquema.
Documentos e registros indicam que os valores ofertados variavam de acordo com o alcance dos perfis, podendo chegar a até R$ 2 milhões. Em mensagens atribuídas ao suposto contratante, a ação é descrita como uma campanha “contra o sistema”, com a exigência de assinatura de um termo de confidencialidade.
Ainda conforme as denúncias, diversos blogueiros teriam aceitado os pagamentos para disseminar informações falsas.