Reconstrução da Faixa de Gaza exigirá US$ 71 bilhões

Relatório detalha destruição massiva na Faixa de Gaza, aponta prejuízos bilionários e revela urgência na recuperação de moradias, saúde e segurança alimentar

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A Faixa de Gaza enfrenta uma das maiores crises da história recente, segundo relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (21). O documento estima que serão necessários cerca de 71,4 bilhões de dólares para reparar os danos e restabelecer serviços essenciais após mais de dois anos de ataques de Israel.

Faixa de Gaza destruída após ataques de Israel
Ruínas de Beit Lahia, na Faixa de Gaza, destruídas por bombardeios israelenses, 23 de fevereiro de 2025. – Crédito: Reprodução/ Jaber Jehad Badwan

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Os números revelam um cenário de devastação generalizada. Os danos diretos à infraestrutura chegam a 35,2 bilhões de dólares, enquanto as perdas econômicas somam 22,7 bilhões. Juntos, os impactos ultrapassam 57,9 bilhões de dólares, refletindo a magnitude da destruição em setores estratégicos.

A crise habitacional lidera a lista de prejuízos. O setor concentra 18 bilhões de dólares em danos, o equivalente a mais da metade do total. Em seguida, aparecem comércio e indústria, transporte e sistemas de água e saneamento, todos severamente comprometidos. A reconstrução de moradias também aparece como prioridade imediata, exigindo 16,2 bilhões de dólares em investimentos.

O relatório elaborado em parceria com o Banco Mundial e a União Europeia aponta que as necessidades mais urgentes incluem a retomada de serviços básicos, como saúde, abastecimento de água, saneamento e transporte. A remoção de mais de 68 milhões de toneladas de entulho também surge como desafio crítico, com custo estimado superior a 1,7 bilhão de dólares.

A segurança alimentar é outro ponto central. O setor agrícola demanda 10,5 bilhões de dólares, sendo 7,5 bilhões apenas nos primeiros meses, para evitar o agravamento da fome e reativar a produção local. Já a área da saúde precisa de 10 bilhões no total, com foco inicial na instalação de estruturas temporárias e no atendimento a traumas físicos e psicológicos.

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Impacto humano e colapso social na Faixa de Gaza

A situação humanitária na Faixa de Gaza é descrita como catastrófica. Mais de 71 mil palestinos morreram e 171 mil ficaram feridos desde o início do conflito, enquanto quase toda a população foi afetada direta ou indiretamente. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas e 60% perderam suas casas.

O colapso dos serviços públicos agrava ainda mais o cenário. Menos da metade dos hospitais segue parcialmente funcional e a maioria das escolas foi transformada em abrigo. A precariedade no saneamento e na gestão de resíduos expõe a população a surtos de doenças.

Crianças e mulheres estão entre os grupos mais vulneráveis. Praticamente todas as crianças precisam de apoio psicológico, enquanto centenas de milhares estão fora da escola há mais de dois anos. A desnutrição atinge 40% das gestantes e lactantes.

O impacto também se reflete no aumento de pessoas com deficiência. De acordo com o levantamento, mais de 41 mil indivíduos sofreram lesões incapacitantes relacionadas ao conflito, incluindo milhares de amputações.

Relatório traça base para reconstrução

A avaliação funciona como uma base técnica para orientar os esforços de recuperação. O estudo considera dados coletados entre outubro de 2023 e outubro de 2025, utilizando imagens de satélite e verificações em campo para medir os danos e projetar necessidades futuras.

O documento não define estratégias de execução, mas estabelece prioridades para curto, médio e longo prazo. Nos primeiros meses, a estimativa é de 10,8 bilhões de dólares para ações emergenciais. Em até 18 meses, o valor sobe para 15,5 bilhões, enquanto o restante será distribuído ao longo de cinco anos.

Além da reconstrução física, o relatório destaca a necessidade de restaurar a atividade econômica. A economia local sofreu uma contração histórica de 83% em 2024, com recuperação limitada no ano seguinte. Atualmente, grande parte da população está fora do mercado de trabalho, agravando a crise social.

Com base nesses dados, o documento reforça que a recuperação da Faixa de Gaza depende de coordenação internacional, financiamento contínuo e planejamento estruturado para reconstruir não apenas a infraestrutura, mas também as condições básicas de vida da população.