Reconstrução da Faixa de Gaza exigirá US$ 71 bilhões
Relatório detalha destruição massiva na Faixa de Gaza, aponta prejuízos bilionários e revela urgência na recuperação de moradias, saúde e segurança alimentar
A Faixa de Gaza enfrenta uma das maiores crises da história recente, segundo relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (21). O documento estima que serão necessários cerca de 71,4 bilhões de dólares para reparar os danos e restabelecer serviços essenciais após mais de dois anos de ataques de Israel.

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Os números revelam um cenário de devastação generalizada. Os danos diretos à infraestrutura chegam a 35,2 bilhões de dólares, enquanto as perdas econômicas somam 22,7 bilhões. Juntos, os impactos ultrapassam 57,9 bilhões de dólares, refletindo a magnitude da destruição em setores estratégicos.
A crise habitacional lidera a lista de prejuízos. O setor concentra 18 bilhões de dólares em danos, o equivalente a mais da metade do total. Em seguida, aparecem comércio e indústria, transporte e sistemas de água e saneamento, todos severamente comprometidos. A reconstrução de moradias também aparece como prioridade imediata, exigindo 16,2 bilhões de dólares em investimentos.
O relatório elaborado em parceria com o Banco Mundial e a União Europeia aponta que as necessidades mais urgentes incluem a retomada de serviços básicos, como saúde, abastecimento de água, saneamento e transporte. A remoção de mais de 68 milhões de toneladas de entulho também surge como desafio crítico, com custo estimado superior a 1,7 bilhão de dólares.
A segurança alimentar é outro ponto central. O setor agrícola demanda 10,5 bilhões de dólares, sendo 7,5 bilhões apenas nos primeiros meses, para evitar o agravamento da fome e reativar a produção local. Já a área da saúde precisa de 10 bilhões no total, com foco inicial na instalação de estruturas temporárias e no atendimento a traumas físicos e psicológicos.
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Impacto humano e colapso social na Faixa de Gaza
A situação humanitária na Faixa de Gaza é descrita como catastrófica. Mais de 71 mil palestinos morreram e 171 mil ficaram feridos desde o início do conflito, enquanto quase toda a população foi afetada direta ou indiretamente. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas e 60% perderam suas casas.
O colapso dos serviços públicos agrava ainda mais o cenário. Menos da metade dos hospitais segue parcialmente funcional e a maioria das escolas foi transformada em abrigo. A precariedade no saneamento e na gestão de resíduos expõe a população a surtos de doenças.
Crianças e mulheres estão entre os grupos mais vulneráveis. Praticamente todas as crianças precisam de apoio psicológico, enquanto centenas de milhares estão fora da escola há mais de dois anos. A desnutrição atinge 40% das gestantes e lactantes.
O impacto também se reflete no aumento de pessoas com deficiência. De acordo com o levantamento, mais de 41 mil indivíduos sofreram lesões incapacitantes relacionadas ao conflito, incluindo milhares de amputações.
Relatório traça base para reconstrução
A avaliação funciona como uma base técnica para orientar os esforços de recuperação. O estudo considera dados coletados entre outubro de 2023 e outubro de 2025, utilizando imagens de satélite e verificações em campo para medir os danos e projetar necessidades futuras.
O documento não define estratégias de execução, mas estabelece prioridades para curto, médio e longo prazo. Nos primeiros meses, a estimativa é de 10,8 bilhões de dólares para ações emergenciais. Em até 18 meses, o valor sobe para 15,5 bilhões, enquanto o restante será distribuído ao longo de cinco anos.
Além da reconstrução física, o relatório destaca a necessidade de restaurar a atividade econômica. A economia local sofreu uma contração histórica de 83% em 2024, com recuperação limitada no ano seguinte. Atualmente, grande parte da população está fora do mercado de trabalho, agravando a crise social.
Com base nesses dados, o documento reforça que a recuperação da Faixa de Gaza depende de coordenação internacional, financiamento contínuo e planejamento estruturado para reconstruir não apenas a infraestrutura, mas também as condições básicas de vida da população.