Greve dos garis em BH entra no 2º dia com quase mil toneladas de lixo acumuladas

Categoria alega más condições de serviço e reivindicam direitos trabalhistas, como plano de saúde; greve dos garis promete continuar até mediação

, em Uberlândia

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Garis que prestam serviço à empresa Sistemma Serviços Urbanos, responsável pela coleta de lixo nas regionais Leste, Nordeste e Noroeste de Belo Horizonte, iniciaram uma paralisação dos serviços na manhã de segunda-feira (19). A greve dos garis continua nesta terça-feira (20) e já registra quase mil toneladas de lixo nas ruas da capital.

Greve dos garis em Belo Horizonte
Greve dos garis em Belo Horizonte entra no segundo dia e promete seguir até mediação – Crédito: @garigatobh/Instagram/Reprodução

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Com a greve, os garis reivindicam seus direitos como trabalhadores. Eles relatam atraso no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS), falta de plano de saúde, sobrecarga no serviço e sucateamento dos caminhões. Segundo o gari e influenciador digital Tales Alves, conhecido como “Gari Gato” nas redes sociais, também reclamou de corte no vale-alimentação quando os funcionários estão de atestado.

“Não tem garis o suficiente pra poder coletar o lixo e tá sobrecarregando, obrigando os funcionários a trabalhar sobrecarregados. […] Os garis estão tendo problemas tanto psicológico, mental, depressivo. Se você ver a situação desses companheiros aqui, vocês não têm ideia”, comentou ele em um vídeo no Instagram.

Os trabalhadores cobram uma ação da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para intervir na situação da categoria. Segundo Tales Alves, os garis irão continuar com a paralisação até que medidas sejam tomadas.

Em nota, a SLU informou que iniciou um plano de contingência na manhã desta terça-feira (20), para minimizar os impactos da paralisação. “Foram mobilizados 308 garis e 47 caminhões, sendo 38 caminhões basculantes e 9 compactadores, que já estão atuando no recolhimento dos resíduos nas regiões Leste, Nordeste e Noroeste da cidade. Os garis e os caminhões empregados nessa operação são provenientes de outros contratos de prestação de serviços de limpeza urbana, além de recursos próprios da SLU”, escreveu.

A Superintendência também informou que acompanha as negociações para a solução do impasse entre os garis e a empresa. “A Autarquia esclarece que está adimplente com todas as suas obrigações contratuais e tomando as providências para a garantia da prestação do serviço essencial à população”, informou no comunicado.

 

O que disse a empresa responsável

Em nota enviada à imprensa, a Sistemma Serviços Urbanos informou que foi surpreendida pelo “movimento paredista repentino e irregular”. A empresa argumentou que a greve não possui legitimidade sindical: “Tanto o sindicato representativo dos coletores quanto o sindicato representativo dos motoristas manifestaram-se informando que não convocaram, não conduzem e não reconhecem o movimento como greve da categoria”.

A Sistemma também disse que o movimento não respeitou a comunicação prévia mínima de 72 horas, exigido na legislação, e não respeitou a manutenção do contingente mínimo.

O comunicado ainda informou que identificou a atuação de um trabalhador vinculado a outra empresa de limpeza urbana que tem incitado o movimento. “Esse mesmo influenciador tem adotado postura de amplificação pública do conflito, por meio de redes sociais e manifestações externas, circunstância que aparenta extrapolar a preocupação legítima com eventuais reivindicações trabalhistas, assumindo contornos de exploração midiática e política do episódio”, disse em nota.

Por fim, a Sistemma informou que acionou o Tribunal Regional do Trabalho e as instituições policiais. A empresa disse que está adotando as providências necessárias para “mitigar os impactos à população” e resolver a situação.