Governo de Minas reduz de R$ 135 mi para R$ 6 mi verba para prevenção de impactos das chuvas

Levantamento no Portal da Transparência mostra redução nos valores pagos pelo Estado enquanto temporais deixam mortos e desaparecidos na Zona da Mata

, em Uberlândia

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Os temporais que atingiram a Zona da Mata mineira entre segunda-feira (23) e terça-feira (24) deixaram ao menos 40 mortos e mais de 20 pessoas desaparecidas nas cidades de Juiz de Fora e Ubá. Segundo o Corpo de Bombeiros, 208 pessoas foram resgatadas com vida na região.

Em meio à tragédia, levantamento realizado pelo Paranaíba Mais no Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais aponta que a verba de prevenção de impactos das chuvas paga pelo Governo de Minas Gerais caiu 95,6% desde 2023.

Os dados mostram que o valor desembolsado dentro do programa estadual “Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas” passou de R$ 134,8 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025.

Chuvas em Juiz de Fora e Ubá para matéria verba contra chuvas
Imagens mostram situação após chuvas fortes em Ubá, na Zona da Mata Mineira – Crédito: Corpo de Bombeiros/Divulgação

O levantamento considera exclusivamente os valores pagos, conforme detalhamento oficial do portal estadual.

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Tragédia na Zona da Mata

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Juiz de Fora registrou 34 mortes. Cinco corpos foram encontrados na madrugada desta quarta-feira (25), nos bairros Paineiras, Esplanada e Vila Ideal.

Em Ubá, foram confirmadas seis mortes. Inicialmente, havia sido divulgado o número de sete óbitos, mas uma das vítimas morreu eletrocutada e o caso não foi contabilizado como decorrente diretamente das chuvas. Duas pessoas seguem desaparecidas no município.

caixões e carros são arrastados por correnteza após chuvas em Ubá prevenção de impactos das chuvas
caixões e carros são arrastados por correnteza após chuvas em Ubá – Créditos: Redes sociais/Reprodução

Não houve registro de mortes em Matias Barbosa.

Como a prevenção de impactos das chuvas perdeu verba ano a ano

2023: R$ 134.829.787,08

A maior parte dos recursos foi destinada à mitigação de danos causados pelas chuvas (R$ 128,6 milhões), além de valores aplicados na gestão de desastres e no atendimento ao período chuvoso.

2024: R$ 41.113.405,70

Houve redução de aproximadamente 69% em relação ao ano anterior. A mitigação de danos continuou concentrando o maior volume de pagamentos.

2025: R$ 5.875.482,98

Neste ano, o maior volume pago foi destinado à mitigação de danos pontuais nas rodovias (R$ 5,6 milhões). As ações de gestão de desastres, atendimento ao período chuvoso e prevenção de eventos hidrometeorológicos críticos somam menos de R$ 300 mil.

Queda progressiva na prevenção de impactos das chuvas

  • 2023 → 2024: queda de R$ 93,7 milhões

  • 2023 → 2025: queda de R$ 128,9 milhões

  • Redução acumulada de 95,6%

Anúncio de repasses emergenciais

Após a tragédia, o governador Romeu Zema anunciou o repasse emergencial de recursos aos municípios afetados. Segundo o Executivo estadual, serão destinados R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá para ações de reconstrução e enfrentamento aos danos causados pelas chuvas.

A redução da verba ocorre em um momento em que municípios mineiros enfrentam uma das maiores tragédias climáticas dos últimos anos.

Governo contesta levantamento

Em nota disponibilizada, o Governo de Minas afirmou que “não é verdadeira a informação de que o Governo de Minas reduziu nos últimos anos os investimentos em prevenção de impactos das chuvas”.

Segundo o Executivo estadual, os investimentos em prevenção contra desastres aumentaram 170% na média anual em relação ao último ano da gestão anterior. O governo informou ainda que, em 2025, foram aplicados R$ 1,9 bilhão em ações de prevenção contra desastres de todos os tipos — incluindo chuvas e alagamentos — classificando o montante como o segundo maior investimento dos dois mandatos do governador.

A administração estadual argumenta que a divergência nos números pode estar relacionada à reclassificação contábil de despesas ao longo do tempo, o que, segundo a nota, pode alterar a forma como os dados aparecem no Portal da Transparência.

O governo também ressaltou que, conforme a Lei nº 12.608/2012, cabe aos municípios a responsabilidade por fiscalizar construções irregulares, realizar obras de contenção e garantir a segurança da população.