“Avança Uberlândia” prevê mais drenagem para enfrentar enchentes na Rondon Pacheco
Programa prevê reservatórios, piscinões e reestruturação da rede para reduzir alagamentos e aumentar a segurança em dias de chuva intensa
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Para quem mora em Uberlândia, a cena se repete a cada temporal: em poucos minutos, a Avenida Rondon Pacheco, principal corredor viário da cidade, se transforma em um dos pontos mais críticos de alagamento, afetando o trânsito, causando prejuízos e colocando vidas em risco.
Agora, esse cenário passa a ser o principal alvo de um conjunto de obras estruturais previstas dentro do programa “Avança Uberlândia”, que aposta em intervenções de drenagem e contenção de águas pluviais como caminho para enfrentar um problema que se arrasta há décadas. A proposta vai além de ações paliativas e mira soluções de longo prazo para reduzir enchentes, aumentar a segurança e dar mais previsibilidade à rotina da cidade nos períodos de chuva.

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Um problema antigo, agora mapeado
Segundo o secretário de Infraestrutura, Guilherme Marques, a atual gestão decidiu, antes de executar qualquer obra, entender tecnicamente o problema. Logo no primeiro ano de mandato do prefeito Paulo Sérgio, a Prefeitura contratou uma empresa especializada em engenharia hidráulica para estudar toda a bacia de contribuição da Rondon Pacheco.
O diagnóstico revelou que mais de 50 quilômetros quadrados de áreas urbanas, incluindo córregos, bairros e avenidas, despejam grandes volumes de água em um sistema de drenagem que não consegue absorver tudo ao mesmo tempo. “O desafio não é só a quantidade de água que chega, mas a velocidade com que ela chega. Quando o sistema recebe mais do que consegue escoar, o alagamento acontece”, explicou o secretário.
Veja como fica a avenida:
Por que somente ampliar galerias não resolve o problema da Rondon Pacheco
Uma das conclusões técnicas do estudo foi que construir mais galerias ao longo da Rondon não seria viável. Além do alto custo e do impacto urbano, acelerar o escoamento levaria ainda mais água para o Rio Uberabinha, agravando alagamentos em outros pontos da cidade, à jusante do antigo córrego São Pedro, canalizado para a construção da avenida na década de 1970.
A solução, portanto, não é fazer a água passar mais rápido, mas segurá-la temporariamente.
Veja como são as galerias da Rondon Pacheco:
Piscinões e reservatórios: como será a solução?
O projeto prevê a construção de reservatórios de contenção (piscinões) em pontos estratégicos da cidade. Essas estruturas vão armazenar o excesso de água durante chuvas fortes e liberá-la gradualmente após o pico da precipitação, reduzindo a pressão sobre a rede de drenagem.
A primeira etapa do projeto contempla:
- Reservatório na região do Teatro Municipal
- Reservatórios próximos ao campus da Educação Física – A prefeitura ainda está em tratativa com a UFU para implementar o reservatório
- Estruturas na Avenida Anselmo Alves dos Santos, ao lado da Prefeitura
- Adequações na represa do Parque do Sabiá
- Redirecionamento de redes nos bairros Santa Mônica e Tibery
Esse conjunto de intervenções compõe o chamado primeiro pacote (TR-10), planejado para enfrentar chuvas intensas com recorrência média de até dez anos, segundo explicou o secretário.
Investimento quase bilionário e execução por etapas
O custo total estimado para a solução completa da Rondon Pacheco gira em torno de R$ 700 milhões. No entanto, a Prefeitura optou por dividir o projeto em fases.
O primeiro pacote, avaliado entre R$ 300 e R$ 400 milhões, já é considerado suficiente para reduzir drasticamente os riscos, trazendo mais conforto e segurança à população.
A estratégia, segundo o secretário, permite avaliar os resultados ao longo do tempo e tomar decisões responsáveis do ponto de vista técnico e financeiro.
O que muda na prática para a população?
Com a execução do primeiro pacote, a expectativa é que:
- As enchentes se tornem menos frequentes
- A lâmina d’água em eventos extremos seja significativamente menor
- O risco de acidentes graves e perdas materiais seja reduzido
- O trânsito tenha mais previsibilidade em dias de chuva
Atualmente, em episódios de chuva forte, há registros de lâminas de água que ultrapassam um metro de altura em alguns trechos da Avenida Rondon Pacheco, cenário que transforma a via em um ponto crítico de risco.
A gravidade do problema já resultou em consequências irreversíveis. Em novembro de 2024, a influenciadora digital Jeniffer Soares Martins, de 28 anos, morreu após ser arrastada por uma enxurrada durante um temporal, caso que evidenciou o perigo enfrentado por motoristas e pedestres e reforçou a urgência de soluções estruturais para evitar novas tragédias.
Com a execução das obras previstas, a expectativa é que, mesmo em eventos extremos, os impactos sejam significativamente reduzidos e passem a ocorrer de forma muito mais controlada.
E afinal, quando as obras começam?
A execução da solução completa para a Avenida Rondon Pacheco ainda depende da definição final das fontes de financiamento, mas uma parte importante do plano já saiu do papel. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, as obras de seis represas de contenção no Córrego Lagoinha, orçadas em cerca de R$ 72 milhões, já foram licitadas e têm recursos garantidos.
A previsão é que os primeiros meses sejam dedicados à elaboração dos projetos executivos, etapa prevista em contrato, com o início efetivo das intervenções programado para o segundo semestre de 2026. Essas obras marcam o começo prático do plano de drenagem e representam o primeiro passo para reduzir os impactos das chuvas na região da Rondon Pacheco.
Um projeto complexo, mas estruturante
Para a Secretaria de Infraestrutura, o Avança Uberlândia marca uma mudança de postura: planejar primeiro, executar com base em dados e dividir grandes obras em etapas viáveis.
“O compromisso é olhar para a dor da população e buscar soluções reais. É um projeto complexo, mas necessário para uma cidade que cresce no ritmo de Uberlândia”, destacou Guilherme Marques.