Uefa ameaça boicotar Copa do Mundo Feminina no Brasil; entenda

Entidade que comanda o futebol europeu rejeita venda de espaços da Copa do Mundo a investidores privados e ameaça deixar de fora até a próxima edição do Mundial Feminino, sediada em solo brasileiro

, em Uberlândia

A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) colocou o futebol mundial em alerta nesta quinta-feira (30). As 55 federações filiadas à entidade decidiram, de forma unânime, recusar qualquer participação em torneios organizados pela Fifa caso o presidente Gianni Infantino avance com a proposta de vender fatias da Copa do Mundo a fundos de investimento privados sediados nos Estados Unidos. A Copa do Mundo Feminina, realizada no Brasil em 2027, é uma das competições mais ameaçadas no momento. 

A UEFA concorda em boicotar as competições da FIFA caso os planos de venda da Copa do Mundo sejam concretizados.
Infantino, presidente da Fifa, enfrenta uma batalha árdua para levar adiante seu plano – Crédito: Reprodução/Instagram

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Segundo o jornal The Guardian, a definição saiu de uma reunião de emergência que durou pouco menos de duas horas. Mesmo com o receio inicial de que federações menores, atraídas pelos valores oferecidos no plano de Infantino, pudessem romper o bloco europeu, o encontro terminou com discurso único entre os dirigentes.

Uefa formaliza posição contra venda de espaços do torneio

Segundo comunicado divulgado pela entidade, nenhuma seleção filiada disputará competições organizadas pela Fifa enquanto a proposta estiver de pé. O texto condiciona o fim do impasse à desistência total do projeto e à garantia formal de que a governança do futebol internacional não será aberta à iniciativa privada.

As federações europeias devem enviar uma carta oficial à Fifa ainda esta semana, formalizando o aviso. O prazo que Infantino havia estabelecido para adesão ao plano terminava em 19 de setembro, mas agora o dirigente enfrenta pressão para rever o projeto por completo, o que enfraquece sua posição às vésperas da eleição de reeleição prevista para março do próximo ano.

A reunião foi conduzida pelo presidente da entidade, Aleksander Ceferin, e contou com falas de integrantes do comitê executivo, além de representantes do conselho da Fifa. Cerca de vinte dirigentes de federações nacionais discursaram durante o encontro, em um ambiente descrito por diversas fontes como de forte união.

Entre as manifestações mais firmes esteve a da presidente da federação inglesa, Debbie Hewitt, que defendeu com veemência o boicote. Um porta-voz da entidade inglesa reforçou o posicionamento em nota, afirmando apoio integral à decisão coletiva e reforçando que o torneio pertence ao futebol e aos torcedores.

 

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Copa do Mundo Feminina deve ser o primeiro palco do boicote

De acordo com o que ficou definido, o boicote ao futebol profissional teria início já na próxima edição da Copa do Mundo Feminina. No futebol de base, o primeiro torneio a sofrer o impacto tende a ser o Mundial Feminino Sub-20, com estreia marcada para 5 de setembro, na Polônia. Seis das 24 seleções participantes, entre elas a Inglaterra, representam países filiados à entidade europeia.

A seleção inglesa ainda enfrenta a Grécia em confronto de ida e volta pelas eliminatórias do Mundial, em outubro, partida que deve testar a firmeza da federação caso a Fifa mantenha o plano de venda.

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Pressão se espalha para outras confederações

A entidade europeia convidou outras confederações a seguirem o mesmo caminho e acredita que parte dos países asiáticos compartilha da insatisfação. Historicamente, o apoio a Infantino se concentra fora do continente europeu, e qualquer enfraquecimento dessa base pode comprometer sua permanência no comando da Fifa.

Em nota, a entidade classificou o momento como um ultimato às federações de todo o mundo, descrevendo o cenário como uma tentativa de captura das principais competições do esporte e afirmando que a movimentação representa governança pela intimidação, e não uma decisão construída de forma democrática.

Fontes ligadas ao futebol europeu avaliam que o episódio aumenta a probabilidade de surgir um candidato apoiado pelo continente para disputar a eleição da Fifa no próximo ano, pleito no qual Infantino era dado como favorito sem grande oposição.

Conversas também estão em andamento com a Concacaf, confederação que reúne 41 nações da América do Norte, Central e Caribe. A entidade já manifestou discordância do plano de venda, mas ainda não confirmou adesão ao boicote. Uma reunião de emergência da confederação foi marcada para o fim da tarde de quinta-feira, com anúncio previsto para a noite.

Governos europeus entram no debate sobre o futuro da Copa do Mundo

Diversas federações do continente mantiveram contato com seus respectivos governos sobre o assunto, e muitos deles teriam manifestado apoio ao boicote nos bastidores. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, foi o primeiro político a criticar publicamente o plano, afirmando em rede social que o torneio nunca pertenceu a ninguém isoladamente.

A ministra da Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, também se posicionou a favor da decisão da entidade europeia, destacando que o futebol pertence aos torcedores, e não a investidores bilionários, e defendendo que chegou a hora de proteger o esporte.

Com o impasse longe de uma solução, o futuro da Copa do Mundo e a permanência de Infantino à frente da Fifa devem seguir no centro das atenções do futebol mundial nas próximas semanas.

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