Seleção da Noruega pode denunciar Trump à Fifa; entenda o caso
Federação norueguesa avalia queixa ética contra a Fifa após decisão que livrou Balogun de suspensão na Copa do Mundo, criticada pela presidente Lise Klaveness
A Seleção da Noruega, de Haaland, pode se tornar protagonista de um novo capítulo na crise ética que atinge a organização da Copa do Mundo. A federação norueguesa de futebol confirmou que seu conselho diretor vai debater a apresentação de uma denúncia formal ao comitê de ética da Fifa. O motivo é a interferência do ex-presidente americano Donald Trump em uma decisão disciplinar e envolveu críticas a um árbitro brasileiro.

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Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, a presidente da federação norueguesa, Lise Klaveness, afirmou ao jornal The Times que espera um reconhecimento público do erro por parte da própria entidade máxima do futebol mundial. Ela cobra que o representante da Noruega junto à Fifa se manifeste sobre o episódio, classificado por ela como uma ruptura perigosa nas regras do esporte. A ação será debatida na próxima reunião do conselho diretor, prevista para o início de agosto.
Entenda o caso que envolve a Copa do Mundo
O imbróglio começou depois que Balogun recebeu cartão vermelho, confirmado por revisão de vídeo, em partida contra a Bósnia e Herzegovina. Pela regra tradicional do torneio, a expulsão geraria suspensão automática de uma partida. No entanto, após uma ligação do lider norte-americano ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a punição foi adiada, permitindo que o jogador atuasse na disputa contra a Bélgica, válida por vaga nas quartas de final da Copa do Mundo.
O episódio fez com que o presidente dos Estados Unidos direcionasse críticas ao árbitro brasileiro Rafael Claus, responsável pela decisão final da suspensão. O presidente dos EUA atacou o árbitro brasileiro, descrevendo-o como “um pouco suspeito, se você analisar o passado dele”.
A partida terminou com vitória belga por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, em um duelo marcado pela repercussão da polêmica extracampo. Trump chegou a classificar publicamente o cartão vermelho como uma decisão equivocada e reivindicou para si o mérito de ter pressionado a Fifa a rever o caso.
Nesta semana, o NY Times divulgou um relatório de um grupo internacional, especializado em detectar fraudes esportivas, que emitiu um alerta a respeito do episódio.
Seleção da Noruega cobra explicações formais
Para Klaveness, ex-jogadora da seleção feminina norueguesa e atual membro eleita do comitê executivo da Uefa, o episódio expõe fragilidades graves na governança do futebol internacional. Ela classificou a decisão da Fifa como resultado de pressões externas, sem respaldo em um processo disciplinar transparente. A dirigente, que também é advogada e já atuou como juíza, alertou que flexibilizar regras básicas do jogo por influência política abre um precedente perigoso para toda a modalidade.
Desde que assumiu a presidência da federação em 2022, Klaveness tem se posicionado como uma das vozes mais críticas dentro da estrutura da Fifa, cobrando transparência e independência nas decisões que afetam competições como a Copa do Mundo.
Denúncia não seria a primeira contra a gestão de Infantino
Este não é o primeiro movimento da Noruega contra a atual gestão da entidade. O país já havia apoiado uma queixa apresentada por uma organização não governamental sediada em Londres, que acusa Infantino de violar o dever de neutralidade política. Entre os pontos citados está a criação de um prêmio de caráter simbólico destinado ao presidente dos Estados Unidos durante o sorteio da Copa do Mundo, realizado em dezembro.
A proximidade pessoal entre Trump e Infantino também tem sido alvo de questionamentos. Reportagens recentes mencionam que o dirigente da Fifa chegou a ser cogitado, por parte do chefe de estado estadunidense, como possível nome para assumir a secretaria-geral das Nações Unidas.
Paralelamente, a mesma organização que provocou a denúncia à Fifa também acionou o Comitê Olímpico Internacional, entidade da qual Infantino é membro eleito, alegando violação das mesmas regras de neutralidade política.
Fifa evita comentar processos internos
Tanto a Fifa quanto o Comitê Olímpico Internacional raramente confirmam ou detalham publicamente investigações em curso em seus respectivos comitês de ética. A credibilidade do processo disciplinar da entidade que organiza a Copa do Mundo já vinha sendo questionada desde 2017, ano em que o investigador-chefe e o juiz responsáveis pelo comitê foram substituídos, ainda no início da gestão de Infantino. Até o momento, a Fifa não divulgou documentos que expliquem os critérios usados para chegar ao veredito envolvendo Balogun ou outros atletas durante o torneio.
Enquanto o caso não é julgado, a expectativa se volta para a reunião de 6 de agosto, quando a diretoria da federação vai decidir se formaliza, ou não, a denúncia contra a condução do episódio pela Fifa. Para acompanhar o processo, fique ligado no Portal Paranaíba Mais.