Música viral da seleção brasileira nasce em Uberlândia e vira febre mundial
Música criada com IA por produtor de Uberlândia viraliza no mundo e embala vídeos da Seleção Brasileira
Uma música viral da seleção brasileira, chamada “Brasil com S” e produzida em Uberlândia tem conquistado milhões de ouvintes e espalhado rapidamente em vários perfis ao redor do mundo. Guilherme Maia, o DJ M4IA, utilizou de inteligência artificial (IA) para fazer a convocação da Amarelinha tocar em mais de 1 milhão de aparelhos no youtube e ser a música tema de mais de 500 mil vídeos criados na internet.
O uberlandense se tornou o primeiro brasileiro a assinar um contrato de música com IA com a gravadora holandesa Spinnin’ Records, responsável por lançamentos de artistas como David Guetta e Alok, além de parceiria com a Warner (a maior gravadora do mundo).
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Maia produz música há 15 anos e diz que sempre gostou de música eletrônica. “Agora, com a IA, que sempre fui entusiasta em várias aplicações, minha produtividade melhorou e a música foi uma oportunidade muito legal”, contou Maia em entrevista ao Paranaíba Mais. Aliando seu conhecimento como produtor e o bom uso da ferramenta, “Brasil com S” ou “Brasil”, conquistou marcas importantes no mercado musical internacional, se tornando a música mais tocada em países como Noruega, Suécia e Holanda.
Segundo Maia, a gravadora contabiliza mais de um bilhão de views desde a primeira vez em que a música foi lançada, no dia 17 de abril. No momento desta reportagem, a música viral da seleção brasileira era a 8ª música mais tocada no mundo, no Youtube Shorts.
A história por trás da música viral da seleção brasileira
Em entrevista ao Paranaíba Mais, Maia conta que a ideia da música surgiu a partir de uma outra canção, feita também a partir de IA, por adolescentes canadenses para ovacionar a seleção francesa, no pré amistoso Brasil e França.
“Tava me incomodando muito todo mundo curtindo essa música da França, mas nós somos brasileiros, nós temos que curtir coisa nossa. E aí eu aproveitei e criei uma versão com IA. Por eu ser produtor musical, foi muito fácil identificar os padrões que eles usaram na música da França, mas eu queria propor algo diferente. Trouxe algo do que eles fizeram que chama Call and Response (quando alguém fala o nome do jogador, uma multidão responde). A partir dessa referência, misturei com um estilo brasileiro que é muito viral no TikTok, nas redes sociais e internacionalmente, que chama Phunk”, contou.
– primeira versão da música, produzida pré- Brasilx FrançaO produtor conta que o sucesso da música também surge da sua experiência e do seu trabalho nas redes sociais. “Por ter uma empresa de marketing, eu entendo muito sobre as métricas do viral, então eu fiz tudo muito intencional. Pensando que não ia dar muita coisa. Eu produzi a música com IA, finalizei ela no meu software de produção musical e aí eu fiz uma escalação. Eram os jogadores que poderiam ir, só que pra não ficar parecido com a métrica de música padrão, eu coloquei que o Neymar voltou. Há dois meses atrás ele nem tinha sido convocado pra Copa”, diz.
Para o DJ, a presença de Neymar foi fundamental no sucesso da música viral da seleção brasileira. “Como ele é uma personalidade como Cristiano Ronaldo pra Portugal, Messi pra Argentina, eu coloquei um plus que era o ‘ respeita o manto’. A composição foi minha, e aí eu coloquei que o rei voltou (Neymar), e fiz um videozinho pra poder divulgar”.
O sucesso fora do Brasil foi imediato, a partir de uma estratégia de responder pessoas estrangeiras com o vídeo, em comentários nas redes sociais. Ele conta que teve resultados excelentes no início, mas que achou que sua música ia morrer após o Brasil perder para a França.
A primeira salvação, e um fator decisivo para o sucesso, foi um vídeo gravado por irmãs gêmeas mexicanas, fazendo uma coreografia com a música. As duas possuem mais de 33 milhões de seguidores, e logo a dança virou febre. Até o momento desta reportagem, mais de 300 mil vídeos já foram produzidos com a música no tik tok e outros 300 mil no Youtube Shorts. A maioria, pessoas dançando.
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Foi neste momento que o produtor uberlandense recebeu proposta da maior gravadora de música eletrônica da Holanda, a Spinning Records. “Sou o primeiro brasileiro a produzir um som com o IA e fechar com essa gravadora. Um marco. Fechei com ele, cedi parte do direito e a gente começou todo um trabalho de marketing para poder visualizá-la mais, e aí, só crescemos”.
Segundo Maia, o “terceiro boom” do lançamento foi a distribuição dos álbuns da Copa, em que vários usuários postaram nas redes sociais o produto utilizando sua música. “O Instagram começou a entregar mais e mais pra todo mundo fazer o seu próprio vídeo”.
O dia da convocação: “O rei voltou”
O produtor uberlandense conta que ele e a gravadora tinham uma grande expectativa em relação a convocação da seleção brasileira. “Graças a Deus, o Neymar foi convocado. Há dois meses, a gente vem falando ‘respeite o manto, o rei voltou’. Então meio que o Brasil adotou essa música”. Nas primeiras 24 horas após a convocação, a música ficou entre as 10 mais ouvidas e utilizadas no mundo no Youtube Shorts. A música viral da seleção brasileira recebeu comentários do Gremmy Latino e foi utilizada, nas redes sociais, por grandes veículos esportivos no Brasil e no mundo.
O sucesso com o nome de Neymar foi uma grande alegria, mas havia um plano B para o lançamento de uma nova versão da música, desta vez 100% atualizada. Na primeira versão, jogadores como Militão e Estevão estavam na lista, mas acabaram fora da Copa. Desta vez, havia uma parceria para uma música com a convocação final.
“Eu fiz uma versão sem o Neymar, que onde quem voltou era o Ancelotti: ‘O Mister chegou’. Graças a Deus, nós vamos usar essa versão do Neymar, que sempre foi uma espécie de marca. Faltando umas 26 horas pra convocação, tivemos a informação de que João Pedro ia sair da lista, e colocamos o Danilo que sabíamos que ia. Mas é um processo demorado e burocrático com a gravadora”, contou.
Ele explica que a versão final, em parceria com a TNT Sports, foi organizada a partir da quantidade de imagens que a emissora tinha dos jogadores possivelmente convocados. Ele comemora que de sua ‘convocação original’ (primeira versão da música), teve “apenas duas baixas”.
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IA na indústria musical
Para Maia, existe uns tons alarmistas em relação ao uso de Inteligência Artificial para a produção musical. Para ele, a IA é “um meio que veio ajudar muitas pessoas a poderem criar melhor. Como a IA é mais democrática, todo mundo acessa, vai ser produzido muita coisa. Quem já tiver um conhecimento prévio, igual eu tenho muitos anos de conhecimento de internet, de fazer vídeo, de fazer música, a ferramenta me ajudou a chegar num resultado mais rápido que talvez eu demoraria mais, talvez eu não conseguiria fazer essa música a tempo de lançar”, disse.
“Ela sozinha não faz nada, ela precisa de pessoas capacitadas. Como produtor musical, ficou muito mais fácil de conseguir sons expressivos, coisas mais potentes, porque eu consigo conciliar meu conhecimento com o que a IA pode me entregar. Ali, essa junção humano, máquina, a gente constrói uma coisa muito mais sólida”.
Ele conta que a própria gravadora Spinnin Records possui um departamento apenas para músicas de inteligência artificial, e alerta que existem limites éticos e de qualidade neste uso. “Eu sou contra o uso da IA de clonar a voz de cantor famoso, de pegar obras de outras pessoas e roubar isso. Realmente a IA, com o mau uso, ela produz muito lixo digital, mas é diferente de quem tem isso em mãos e tem boas intenções. As gravadoras estão percebendo que é um jeito novo de produzir música e as pessoas consomem”.