Inventor do spray de barreira vê processo contra a Fifa perto do fim
Enquanto aguarda pagamento milionário pelo spray de barreira, brasileiro se dedica a dois estudos; um deles visa solucionar problema matemático de 2 mil anos
A um passo do fim da disputa judicial que travou por mais de duas décadas com a Fifa, o inventor do spray de barreira, Heine Allemagne, vive um momento decisivo. Pai da criação, ele aguarda o trânsito em julgado do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) após vitória confirmada em outra corte, a do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Aos 54 anos, o inventor nascido em Ituiutaba e morador de Uberlândia afirma que a etapa é “meramente formal”, embora a Fifa siga recorrendo. Enquanto espera o desfecho, ele conduz dois novos projetos acadêmicos e tecnológicos que considera os mais importantes da carreira desde a criação do spray.

Heine recorda que a vitória técnica da invenção ocorreu ainda em 2014, quando o spray entrou na Copa do Mundo no Brasil. Ele diz nunca ter duvidado da solução criada para fixar a barreira em cobranças de falta, mas admite que a relação com a Fifa mudou quando a entidade deixou de cumprir promessas feitas a ele. “A certeza da verdade, das provas, sempre me guiou. Lutar contra a Fifa não é simples. É um órgão poderoso e não joga fair play”, afirma. Para ele, o processo se transformou numa disputa desigual. “É um Davi contra Golias. A Fifa tentou cancelar minhas patentes e recorreu sempre que pôde.”
Desgaste emocional e financeiro marcou trajetória
O impacto pessoal dessa trajetória aparece com clareza no relato do inventor. Pai de família, ele afirma que o desgaste financeiro e emocional marcou os 24 anos dedicados ao projeto. A instabilidade, conta, esteve presente durante toda a caminhada. Ainda assim, diz que manteve confiança. “Emocionalmente desgasta porque você enfrenta algo desproporcional. A Fifa na zona de conforto e eu completamente fora. Mas eu fui pra cima com a convicção de quem tem fome e sede de justiça.”
Pesquisas matemáticas e tecnológicas ganham protagonismo
Paralelamente ao processo, Heine iniciou pesquisas que agora ganham prioridade em sua rotina. Ele afirma trabalhar na resolução de problemas clássicos da matemática relacionados à distribuição de números primos, tema estudado há mais de dois mil anos, e diz ter avançado em testes de algoritmos em grandes escalas. Os estudos, segundo ele, abrem portas para aplicações em segurança digital, criptografia e otimização computacional. O inventor afirma que o material está em fase de fundamentação científica na Universidade de Uberaba (Uniube), onde prepara um artigo para publicação internacional.

No campo da Engenharia Elétrica, ele desenvolve um novo modelo de motor que, segundo afirma, propõe ganhos de eficiência e autonomia superiores aos modelos convencionais. O projeto também está em análise na universidade. “São duas frentes que devem gerar novas revoluções. Estou em laboratório, mostrando e comprovando que funcionam. Os testes já existem e estamos preparando as bases acadêmicas.”
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Ausência de reconhecimento de entidades do futebol
Mesmo com o reconhecimento técnico conquistado, Heine diz não ter recebido nenhum tipo de homenagem ou gesto público de entidades do futebol em relação ao spray de barreira. “Não houve nada de CBF, Fifa ou ligas. Ainda estamos na fase litigiosa. Não acredito que virá algo espontâneo”, afirma. Para ele, o uso do spray em campeonatos de todo o mundo representa uma espécie de vitória simbólica. “Eu sei quem colocou esse spray lá dentro. Fiz os testes, implantei no Brasil, na América do Sul e nas competições da Fifa. Todo spray existente nasceu desse trabalho.”

A exposição da história também fez surgir outra rotina: a de aconselhar inventores. Ele conta que recebe pedidos frequentes de orientação sobre patentes, apresentação de projetos e caminhos de implantação. “Muita gente passou a me procurar. Tento ajudar de forma institucional e encaminhar quem precisa. Minha luta inspirou muita gente.”
Base em Uberlândia e novos caminhos
Depois de anos viajando por dezenas de países para defender a invenção, Heine mantém hoje sua base em Uberlândia, cidade que define como “o melhor lugar para morar”. Ele cita a estrutura urbana, o ritmo da cidade e o ambiente social como fatores que o fizeram escolher o Triângulo Mineiro como lar. “Já morei no Rio, no Paraná. Uberlândia tem um conjunto de coisas que fazem sentido para mim.”
Quando a disputa com a Fifa chegar ao fim, Heine diz que pretende direcionar energias e recursos para os novos ciclos de trabalho. Afirma que projetos nas áreas científica, tecnológica e até no show business devem ganhar força. Também prepara novas ideias para o futebol brasileiro. “Quando você vence algo, o melhor é contribuir com o coletivo. Quero focar no que pode gerar impacto real. Tenho vários projetos engatilhados, inclusive com apresentações à CBF.”
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A “taça”, como ele define o encerramento definitivo da ação, ainda não está nas mãos. Mas, para Heine, a etapa final da luta contra a Fifa está próxima. E o inventor, que vê sua criação espalhada pelos estádios do mundo, já sonha com o próximo capítulo.