“Esta é a nossa casa novamente”: arquiteto revela as novidades da nova Arena do Praia Clube

Obra em Uberlândia avança para a superestrutura; novo ginásio terá 2.099 cadeiras, três quadras de treinamento e mudanças nos acessos da torcida

, em Uberlândia

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Quase dois anos depois do temporal que destruiu a antiga Arena Praia, em Uberlândia, a nova casa do Praia Clube começa a ganhar forma. A obra está na fase final das fundações e inicia a superestrutura de concreto, enquanto as estruturas metálicas já foram 100% fabricadas e pintadas. A previsão é que a torcida volte ao ginásio no fim de 2027.

A nova arena ocupará o mesmo espaço do antigo ginásio, mas não será apenas uma reconstrução. O projeto preserva parte das estruturas que permaneceram após o colapso da cobertura e acrescenta novas soluções para circulação, acessibilidade, segurança, conforto e alto rendimento.

O projeto é assinado pelo arquiteto Luiz Volpato, de Curitiba (PR), que também trabalhou no projeto de reforma da Vila Belmiro, estádio do Santos. Para ele, o principal desafio foi transformar o espaço sem simplesmente aumentar sua área. “Talvez o maior desafio tenha sido fazer uma arena muito maior em significado sem poder torná-la simplesmente maior em território.”

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Créditos: Luiz Volpato Arquitetura/Divulgação

Nova Arena do Praia: quando ficará pronta?

A obra utiliza um sistema construtivo misto, com estruturas de concreto e metálicas, vedações em alvenaria, materiais acústicos e grandes superfícies envidraçadas. Segundo Volpato, a etapa de fundações está chegando ao fim e a execução da superestrutura de concreto começa a avançar.

Ao mesmo tempo, a estrutura metálica da arena já está pronta. Parte dos componentes, inclusive, já chegou ao canteiro de obras e aguarda a sequência da construção para ser montada.

Ainda serão feitos fechamentos, cobertura, instalações, acabamentos, equipamentos esportivos e toda a infraestrutura necessária para a operação do ginásio. A previsão atual é de inauguração no final de 2027.

O que o temporal de 2024 mudou no projeto?

O antigo ginásio sofreu graves danos em 28 de setembro de 2024, quando um temporal atingiu a cidade de Uberlândia. Grande parte do telhado desabou sobre a quadra e as arquibancadas. Apesar da dimensão dos danos, ninguém ficou ferido.

A estrutura acabou sendo demolida, e as equipes do Praia precisaram mudar de casa. O vôlei passou a disputar partidas no Uberlândia Tênis Clube (UTC), na região central da cidade. Já o futsal foi deslocado para outro ginásio do próprio Praia, com dimensões menores para receber os torcedores.

Mas, segundo Volpato, o episódio não levou simplesmente à reprodução da estrutura anterior. “O que mudou profundamente foi a oportunidade de repensar o ginásio como um todo.”

O programa principal foi mantido: uma quadra para grandes jogos e outras três quadras destinadas ao treinamento de alto rendimento.

A diferença está no que foi acrescentado ao redor delas. Estrutura, fluxos, acessibilidade, segurança, conforto, acústica e experiência do público foram revistos.

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Nova estrutura terá concreto e aço

Uma das principais diferenças em relação ao antigo ginásio estará justamente na estrutura.

A antiga arena era predominantemente metálica. Na nova construção, os principais pilares e vigas da superestrutura serão de concreto, enquanto a estrutura metálica ficará concentrada principalmente na cobertura dos grandes vãos.

Volpato explica que a escolha não significa que uma estrutura metálica seja insegura. A proposta foi combinar diferentes sistemas construtivos de acordo com suas características. “Nossa opção pelo sistema misto nasceu da busca por robustez, eficiência construtiva e pela melhor resposta possível às características específicas desta nova arena.”

O arquiteto afirma ainda que o projeto contou com calculistas especializados para diferentes áreas, como fundações, concreto e estrutura metálica.

Acesso da torcida será completamente diferente

Uma das mudanças que o torcedor deverá perceber logo na chegada será a organização dos acessos.

No antigo ginásio, os caminhos de atletas, imprensa, arbitragem, operação e público se cruzavam em diversos pontos. Em alguns casos, a própria quadra fazia parte desse fluxo.

A nova arena foi desenhada para separar esses percursos. “A principal quebra de paradigma do novo projeto foi separar completamente o fluxo do espectador do fluxo dos profissionais envolvidos no jogo.”

O público terá um acesso principal pela Avenida Uirapuru. A entrada levará a uma grande esplanada, com instalações sanitárias, alimentação e espaços de convivência. De lá, os torcedores acessarão os lugares pela parte superior das arquibancadas. Os associados também terão um percurso interno exclusivo até esse mesmo acesso principal.

Já atletas, arbitragem, imprensa e equipes de operação terão caminhos próprios e independentes.

Nova Arena Praia Clube
Créditos: Luiz Volpato Arquitetura/Divulgação

Arena terá 2.099 cadeiras numeradas

A nova Arena Praia terá 2.099 cadeiras numeradas, arquibancadas aumentadas e um novo nível de camarotes. Mas, para o arquiteto, o principal ganho não está apenas na quantidade ou no tipo de assento.

A proposta é mudar a experiência do torcedor desde o momento em que ele chega ao clube. A esplanada terá áreas de alimentação e convivência, enquanto o mezanino contará com camarotes com visão privilegiada da quadra principal.

“A ideia é que a experiência não comece quando a bola sobe ou o jogo começa. Ela começa na chegada à Arena.”

O Sport Bar também será remodelado e continuará sendo um espaço de uso exclusivo dos sócios do Praia Clube.

Créditos: Luiz Volpato Arquitetura/Divulgação

Uma estrutura acima da quadra vai permitir transformar a arena

Entre as soluções menos visíveis, mas importantes para o funcionamento do novo ginásio, está um grid metálico técnico suspenso sobre a quadra.

A estrutura ficará acima dos 12 metros livres exigidos para o jogo e terá passarelas para equipamentos de iluminação, som, iluminação cênica, telas de proteção e outros dispositivos. Na prática, o sistema permitirá modificar e fazer a manutenção da estrutura técnica sem ocupar a área de jogo.

A solução também aumenta a versatilidade da arena para diferentes modalidades e eventos.

Segundo Volpato, essa capacidade de transformação é uma das principais características do projeto. “Talvez a maior surpresa não esteja em um único elemento, mas na versatilidade que a nova arena terá.”

Créditos: Luiz Volpato Arquitetura/Divulgação

Arquibancadas antigas serão aproveitadas

Apesar de toda a transformação, o projeto não parte de um terreno completamente vazio. As arquibancadas existentes serão preservadas, assim como parte onde ficam vestiários, Sport Bar e outras instalações operacionais. Isso também determinou a permanência da quadra em sua posição original. O desafio foi adaptar estruturas construídas em períodos diferentes, quando os critérios de visibilidade eram diferentes dos atuais.

Uma terceira frente de arquibancadas será acrescentada ao projeto. Com isso, o público ficará mais próximo da quadra, enquanto o tratamento acústico deverá ajudar a concentrar o som da torcida em direção ao jogo e reduzir o impacto sobre a vizinhança.

Para Volpato, preservar parte da estrutura também representa uma decisão ambiental e econômica.

“Uma decisão importante tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental, evitando demolições e desperdícios desnecessários.”

Três quadras terão padrão da arena principal

A nova estrutura também foi pensada para quem estará dentro do ginásio antes mesmo dos jogos. As três quadras de treinamento terão padrão equivalente ao da quadra principal. A ideia é permitir que os atletas treinem em condições semelhantes às encontradas nas competições.

Os vestiários serão qualificados e padronizados, os bancos das equipes serão reposicionados e a zona de escape da quadra principal ficará livre para os profissionais envolvidos nas partidas. O projeto também visa a atenção ao conforto térmico e à iluminação.

Uma das soluções descritas pelo arquiteto é a criação de uma espécie de “caixa preta”, reduzindo a entrada de luz natural que possa provocar ofuscamento ou interferir na percepção dos atletas.

Treinamento, recuperação e competição ficarão conectados

O projeto prevê ainda a integração do Departamento de Alto Rendimento com o complexo esportivo. Os espaços de recuperação e crioterapia ficarão posicionados entre as quadras de treinamento e a arena principal. Também haverá uma academia específica para os atletas.

A intenção é integrar as diferentes etapas da preparação esportiva. “O objetivo é que treinamento, preparação, competição e recuperação funcionem como partes de um único sistema.”

A última partida antes do temporal

A nova arena também carrega a memória do antigo ginásio. O último jogo da equipe feminina do Praia Clube no espaço ocorreu em 8 de abril de 2024, quando o time venceu o Flamengo por 3 sets a 2, pelo primeiro confronto da série semifinal.

Pouco mais de cinco meses depois, o temporal atingiu Uberlândia e provocou o colapso da cobertura. Desde então, a torcida não voltou a acompanhar os jogos do vôlei no tradicional ginásio do clube.

“Esta é a nossa casa novamente, mas é uma casa nova”

Volpato afirma que preservar a história do espaço foi uma das preocupações do projeto. A posição da quadra e parte das estruturas existentes permanecem, mas recebem uma nova organização.

A intenção é que a torcida reconheça o lugar quando voltar, mas encontre uma experiência diferente.

“Existe uma memória afetiva muito forte ligada ao antigo ginásio e seria um erro tentar apagá-la.”

O arquiteto resume a expectativa para o primeiro dia de funcionamento em uma frase:

“Esta é a nossa casa novamente, mas é uma casa nova.”

Veja o vídeo de apresentação do projeto

A nova Arena Praia tem previsão de inauguração no final de 2027. Até lá, ainda serão necessárias as etapas de montagem da estrutura metálica, realização da cobertura, fechamentos, instalações, acabamentos e implantação dos equipamentos esportivos.

Quando estiver pronta, a proposta é que o espaço volte a receber as equipes do Praia, mas com uma estrutura pensada não apenas para os grandes jogos, como também para treinamento, eventos e uma nova experiência para quem estiver nas arquibancadas.

Do temporal de 2024 à nova Arena: a transformação ainda está em andamento. Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para não perder os próximos capítulos dessa história.