Uberlândia perde 136 empregos, mas microempresas vão na contramão; entenda o cenário
Dados do boletim do Cepes/UFU mostram saldo negativo de 136 postos em julho, enquanto MEIs e microempresas criaram 418 vagas e evitaram uma queda maior no mercado de trabalho
O mercado de empregos formais em Uberlândia fechou julho no vermelho, com 136 postos a menos, mas o resultado só não foi pior devido ao desempenho dos MEIs e das microempresas. Enquanto os negócios de menor porte criaram 418 vagas no mês, pequenas, médias e grandes empresas registraram, juntas, saldo negativo.
Uberlândia contabilizou 12.435 admissões e 12.571 desligamentos em julho. A diferença entre contratações e demissões resultou no saldo negativo de 136 empregos formais.
Os números fazem parte do Boletim Mensal do Emprego de Uberlândia, elaborado pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU), com base em dados ajustados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
O resultado representa uma mudança em relação a junho, quando Uberlândia criou 465 postos formais. Apesar da queda em julho, o município ainda mantém saldo positivo no acumulado de 2026. Entre janeiro e julho, foram registradas 87.181 admissões e 85.200 desligamentos, uma diferença positiva de 1.981 empregos formais nos sete primeiros meses do ano.

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MEIs e microempresas criam 418 vagas em julho
O resultado por porte dos estabelecimentos mostra uma diferença entre os negócios menores e as demais empresas. MEIs e microempresas abriram 418 postos de trabalho em julho, resultado de 4.098 admissões e 3.680 desligamentos.
Nas demais categorias, o resultado foi negativo. As médias empresas fecharam 207 postos; as grandes, 184; e as pequenas, 166. A administração pública terminou o mês com saldo positivo de três vínculos. O desempenho dos negócios menores também se destaca no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, MEIs e microempresas criaram 3.177 empregos, resultado superior ao saldo de 1.981 vagas registrado pelo município considerando todos os portes.
A diferença ocorre porque outras categorias perderam postos de trabalho no período. As grandes empresas acumulam saldo negativo de 931 empregos, enquanto as pequenas fecharam 455. As médias empresas, por outro lado, apresentam saldo positivo de 181 vagas.
Comércio é único setor que abre vagas em julho
Entre os cinco setores econômicos analisados, somente o comércio registrou mais admissões do que desligamentos em julho. O segmento encerrou o mês com 98 novos empregos formais.
Os outros quatro setores fecharam postos:
- serviços: -93;
- agropecuária: -72;
- construção: -37;
- indústria: -32.
O cenário muda quando considerado o acumulado de 2026. A construção lidera a criação de empregos no ano, com saldo positivo de 1.173 postos. Na sequência aparecem indústria, com 814, e serviços, com 534.
A agropecuária acumula saldo positivo de 22 vagas. O comércio, apesar da recuperação registrada em julho, ainda contabiliza 562 postos a menos desde janeiro.
Jovens ganham vagas enquanto trabalhadores acima de 25 anos perdem postos
Mesmo com o resultado negativo do município em julho, houve criação de empregos entre os trabalhadores mais jovens.
A faixa de 18 a 24 anos registrou o maior saldo positivo, com 230 empregos. Entre trabalhadores de até 17 anos, foram criados outros 119 postos. Nas faixas etárias a partir dos 25 anos, os desligamentos superaram as admissões. A maior redução ocorreu entre trabalhadores de 30 a 39 anos, com saldo negativo de 206 vagas.
Também houve perdas nas faixas de 40 a 49 anos (-130), 60 anos ou mais (-100), 25 a 29 anos (-77) e 50 a 59 anos (-47).
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Mulheres concentram maior parte das vagas fechadas
O boletim também aponta diferenças no resultado de julho por sexo. Entre as mulheres, o saldo ficou negativo em 127 postos formais. Entre os homens, foram fechados nove.
Os resultados também variaram conforme a escolaridade. Trabalhadores com ensino médio completo tiveram saldo positivo de 155 empregos, enquanto aqueles com ensino superior completo registraram saldo negativo de 172 postos. Entre trabalhadores com pós-graduação, foram fechadas 60 vagas.
Os números não correspondem à taxa de desemprego de Uberlândia. O levantamento considera a movimentação dos vínculos formais de trabalho registrada pelo Novo Caged, a partir das admissões e dos desligamentos informados pelas empresas.
Salário médio de admissão chega a R$ 2.312
O salário médio real de admissão chegou a R$ 2.312 em julho, alta de 1,22% em relação a junho, quando estava em R$ 2.285. Apesar do avanço mensal, o indicador acumula queda real de 0,34% em 2026.
A agropecuária registrou o maior salário médio entre as novas contratações, de R$ 2.515. Na sequência aparecem indústria, com R$ 2.415, e serviços, com R$ 2.412. Na construção, a remuneração média de admissão ficou em R$ 2.280. O comércio, único setor com saldo positivo de empregos em julho, apresentou o menor valor entre os cinco segmentos analisados: R$ 2.062.
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