Quatro em dez adolescentes sofrem bullying na escola, alerta IBGE
Pesquisa do IBGE aponta aumento do bullying, com maior incidência entre meninas e ataques ligados à aparência
Em Uberlândia, um caso de bullying entre alunos acabou em um esfaqueamento dentro da própria unidade escolar, na última quarta-feira (18). Uma semana depois do ocorrido, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colocam uma luz sobre o problema. Segundo a pesquisa, quatro em cada dez adolescentes já sofreram com esta situação.

Na última semana, um adolescente de 14 anos foi esfaqueado por um colega , dentro da Escola Estadual Sérgio de Freitas Pacheco, localizada no bairro Tibery, em Uberlândia. Após a facada, relatos de pais de alunos ao Paranaíba Mais apontaram uma realidade de bullying na escola e para a dificuldade da unidade em lidar com o problema.
Bullying na escola faz parte da rotina de adolescentes em todo o país
Segundo levantamento do IBGE, divulgado nesta quarta-feira (25) e com base em depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o Brasil, quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmaram que já sofreram bullying na escola.
Os números fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e, comparado ao último ano em que foi realizada (2019), a proporção de alunos que passaram por isso pelo menos duas vezes subiu 4 pontos percentuais.
“O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E nós observamos aqui uma tendência de aumento, o que indica que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência”, ressaltou o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi.
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Principais números da pesquisa
- 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos sofreram bullying na escola;
- No caso das meninas, percentual sobe para 43,3%;
- Aparência do rosto ou cabelo foi alvo em 30,2% dos casos;
- 13,7% assumiram ter praticado bullying;
- 16,6% dos estudantes já foram fisicamente agredidos por colegas.
Aparência, raça e gênero
Dados da pesquisa apontam que o bullying na escola têm, como principal foco, características relacionadas ao rosto ou ao cabelo, mencionadas em 30,2% dos casos de bullying. Na sequência, aparecem ataques ligados à aparência corporal, com 24,7%, enquanto episódios motivados por cor ou raça correspondem a 10,6%.
O levantamento também chama atenção para um dado expressivo: 26,3% dos alunos afirmaram não identificar um motivo específico para as agressões. Segundo Marco Andreazzi, isso é comum, já que o bullying costuma ocorrer de forma coletiva, dificultando que a vítima compreenda a origem dos ataques. “Pelo contrário, se sente completamente injustiçado”, diz.
Outro ponto observado é a maior incidência entre meninas. O estudo mostra que 43,3% delas relataram já ter sido alvo de bullying na escola, percentual superior ao registrado entre os meninos, que é de 37,3%.
Além disso, 30,1% das adolescentes disseram ter se sentido humilhadas por provocações recorrentes, ocorridas duas vezes ou mais, índice cerca de seis pontos percentuais acima do verificado entre estudantes do sexo masculino.