Após facada em escola de Uberlândia, pais relatam bullying recorrente

Famílias apontam casos antigos de agressões, racismo e falta de solução por parte da instituição

, em Uberlândia

Relatos de pais de alunos da Escola Estadual Sérgio de Freitas Pacheco, no bairro Tibery, em Uberlândia, apontam que casos de bullying e conflitos entre estudantes não são recentes na unidade.

Após a agressão com faca envolvendo dois alunos da escola, registrada nesta quarta-feira (18), famílias com filhos na instituição estadual relataram ao Paranaíba Mais situações recorrentes dentro da escola e cobram medidas mais efetivas.

Aluno é esfaqueado em escola
Secretaria de Estado de Educação apura se bullying motivou agressão na E.E. Sérgio de Freitas Pacheco – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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Uma mãe, que tem duas filhas ligadas à instituição, uma que já concluiu os estudos e outra ainda matriculada, afirma que a filha mais velha enfrentou episódios frequentes de intimidação ao longo do último ano letivo. Segundo ela, mesmo após registros formais junto à escola, os problemas não foram solucionados.

De acordo com o relato, a estudante chegou a acionar a mãe diversas vezes durante o período escolar por conta das situações vividas. “Ela me ligava quase todos os dias chorando”, afirmou. A responsável também disse que houve troca de agressões entre alunos após ofensas e que, apesar de registros internos feitos pela direção, não houve resolução efetiva dos conflitos.

A mesma mãe, que preferiu não se identificar, relata ainda que a filha mais nova, que continua na escola, também já foi vítima de racismo dentro da unidade. “É muito triste, porque as famílias sofrem e nada é resolvido”, disse.

Outro caso

Outro relato obtido pela reportagem reforça o cenário de insegurança. O pai de duas ex-alunas da instituição, Daniel Rafael, disse que precisou retirar as filhas da escola no ano passado após descobrir que uma delas, então no 3º ano do Ensino Médio, sofria opressão e chantagens por sua orientação sexual. Segundo Daniel, a filha era alvo de intimidações de outros alunos.

“Tivemos que ir até lá e descobrimos o que estava acontecendo. Ela estava sendo oprimida e chantageada por ser homossexual. Cheguei a registrar Boletim de Ocorrência na polícia e procurei o Conselho Regional, mas não deu em nada. Ninguém respondia nem fazia nada”, desabafou o pai. A ocorrência tem data de 16 de julho de 2024.

Diante da ausência de providências pela gestão escolar e pela Delegacia de Ensino que, segundo ele, não deu retorno sobre o caso, Daniel decidiu transferir as duas filhas da instituição para garantir a segurança e o bem-estar das jovens.

Na época, a filha mais nova cursava o 1º ano. Ele reforça que o ambiente era marcado por frequentes relatos de bullying e que não recebiam o encaminhamento adequado por parte dos supervisores.

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As denúncias indicam um cenário de conflitos recorrentes entre alunos, com queixas sobre a condução dos casos pela gestão escolar. As famílias ouvidas defendem maior participação dos responsáveis nas mediações e ações mais efetivas para prevenir episódios de violência.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) para posicionamento sobre as denúncias e questionou quais medidas estão sendo adotadas para apurar os relatos e reforçar a segurança no ambiente escolar. Até o momento, não houve retorno.