Como um álbum de figurinhas da Copa ajudou a ensinar democracia a estudantes em MG
Projeto de uma escola particular de Belo Horizonte transformou o interesse dos alunos pelo futebol em uma experiência prática sobre direitos fundamentais, cidadania e participação social
Em ano de Copa do Mundo, a disputa por figurinhas, os debates sobre convocações e a expectativa pela formação da seleção costumam reúnir milhões de pessoas. Em uma escola particular de Belo Horizonte, esse interesse pelo futebol ganhou um novo significado: virou ferramenta para ensinar democracia, cidadania e direitos fundamentais.
A atividade surgiu a partir de uma situação comum entre adolescentes. Durante a expectativa pela convocação da seleção brasileira, um estudante demonstrou vontade em acompanhar o anúncio dos jogadores escolhidos. A partir desse interesse, a professora e advogada Ingrid Castor identificou uma oportunidade de transformar um tema já presente no cotidiano dos alunos em uma dinâmica educativa.
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Quando o futebol encontra a educação
O resultado foi a criação de um álbum inspirado nas tradicionais coleções de figurinhas que ganham popularidade durante grandes competições esportivas.
No material desenvolvido para a atividade, cada figurinha representava um direito fundamental previsto na Constituição Federal. Entre os temas abordados estavam dignidade, liberdade, educação, saúde e trabalho.
Mais do que memorizar conceitos, os estudantes foram convidados a refletir sobre como esses direitos se manifestam no dia a dia, seja na escola, em casa ou nas relações sociais.
“Percebi o quanto eles estavam envolvidos com a Copa e me recordei da dinâmica dos álbuns de figurinhas. Então surgiu a ideia de usar esse universo para aproximar os estudantes dos direitos fundamentais de uma forma mais conectada à realidade deles”, afirma Ingrid.
Aprender na prática
A dinâmica incluiu um dos momentos mais tradicionais dos álbuns: a troca de figurinhas. Para completar a coleção, os estudantes precisavam interagir, negociar e colaborar com os colegas. Em muitos casos, aqueles que já haviam concluído o álbum ajudavam os demais a encontrar e organizar as figurinhas que faltavam.
Segundo Ingrid, a experiência mostrou que valores ligados à cidadania podem ser trabalhados de forma concreta. “A atividade mostrou que, muitas vezes, aprendemos cidadania não apenas estudando sobre ela, mas também vivenciando-a nas pequenas atitudes do dia a dia”, diz.
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Direitos fundamentais mais próximos da realidade
Para o estudante Davi Sathler, o projeto chamou atenção por unir duas áreas de seu interesse. “Foi gratificante porque reuniu uma das coisas que eu mais gosto, que é o futebol, e a educação. Compreender os direitos fundamentais me deu base para uma vida melhor”, relata.
Já Felipe Rocha destaca a forma como o conteúdo foi apresentado. “Foi uma aula descontraída e que ensinou muito”, afirma.
Entre os temas abordados, ele aponta a liberdade de expressão como um dos mais marcantes. “Podemos manifestar nossa opinião sobre tudo, mas sem desrespeitar os outros”, disse.
A figurinha mais importante do álbum
A surpresa ficou para o fim da atividade. Depois de completarem as 15 figurinhas relacionadas aos direitos fundamentais, os estudantes receberam uma 16ª figurinha especial.
Diferentemente das demais, ela não representava um direito específico. Representava cada um dos próprios alunos. A novidade foi apelidada pela turma de “figurinha legend”, em referência às versões raras presentes em coleções esportivas.
Junto dela, os estudantes receberam uma convocação simbólica para integrar a chamada “Escalação da Democracia”. A proposta foi mostrar a ideia de que a participação cidadã não acontece apenas nas instituições públicas, mas também nas escolhas e atitudes cotidianas.
“Os estudantes passaram a enxergar os direitos fundamentais de forma mais concreta, percebendo que a democracia também se manifesta em atitudes diárias de respeito, participação e responsabilidade”, conclui Ingrid.
A educação vai muito além dos livros. Continue no Portal Paranaíba Mais e descubra outras iniciativas que mostram como o aprendizado pode acontecer de forma criativa e conectada à realidade dos estudantes.