Renegociação de dívidas cresce 36% em Minas Gerais enquanto inadimplência desacelera
Número de renegociações chegou a 1,5 milhão no estado entre maio e agosto; no país, avanço de consumidores inadimplentes foi de apenas 0,06% em agosto, segundo a Serasa
O crescimento da inadimplência perdeu força no Brasil em 2026, enquanto aumentou a procura dos consumidores por acordos para colocar as contas em dia. Em Minas Gerais, foram fechadas 1,5 milhão de renegociações de dívidas entre maio e agosto, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa.

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No cenário nacional, o número de pessoas com dívidas em atraso chegou a 83,98 milhões em agosto, ante 83,93 milhões no mês anterior. O aumento de 0,06% foi o menor crescimento mensal da inadimplência registrado pela Serasa neste ano.
Renegociação de dívidas cresce 36% em MG
Enquanto o número de inadimplentes avançou em ritmo mais lento, a quantidade de pessoas que buscaram alternativas para regularizar débitos aumentou. Entre maio e agosto, o total de consumidores que procuraram renegociar pendências passou de 7,1 milhões para 9,4 milhões no país.
No mesmo intervalo, foram registrados 19,7 milhões de acordos de renegociação, 36% a mais que no período equivalente de 2025.
Em Minas Gerais, o crescimento também foi de 36%, com 1,5 milhão de acordos fechados durante os quatro meses analisados.
Segundo a Serasa, o movimento pode estar relacionado à realização de mutirões de negociação e à ampliação de condições de pagamento oferecidas aos consumidores ao longo do ano.
Ação emergencial teve mais de 218 mil acordos em um dia
A procura por renegociação também apareceu nos resultados de uma ação emergencial promovida pela Serasa em 9 de setembro de 2026.
Ao longo de apenas um dia, foram fechados mais de 218 mil acordos em todo o país. Em Minas Gerais, o número ultrapassou 17 mil negociações.
Para a especialista da Serasa em educação financeira, Aline Vieira, o aumento das renegociações está relacionado à desaceleração do avanço da inadimplência.
“A queda no ritmo de crescimento da inadimplência não é coincidência: ela caminha lado a lado com o aumento expressivo nos acordos fechados nos últimos meses. Quando o consumidor encontra condições melhores para negociar, ele volta a organizar as contas antes que a dívida se acumule ainda mais”, afirma.
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Renegociar não encerra o problema, diz Serasa
A entidade também destaca que a renegociação representa apenas uma etapa para quem está tentando recuperar o equilíbrio financeiro.
De acordo com Aline Vieira, manter as contas organizadas depois do acordo é fundamental para evitar que novas dívidas sejam acumuladas.
“Renegociar a dívida resolve o problema imediato, mas é a educação financeira que evita que ele volte a se repetir.”
A especialista afirma ainda que a Serasa busca disponibilizar conteúdos relacionados à educação financeira e ao cenário de crédito para auxiliar consumidores na tomada de decisões sobre o próprio dinheiro.
O que os números mostram
Os dados de agosto indicam dois movimentos simultâneos no mercado de crédito: a quantidade de brasileiros inadimplentes continua elevada, mas o ritmo de crescimento desacelerou, enquanto a busca por renegociações aumentou.
No país, o número de pessoas negativadas subiu 0,06% de julho para agosto. Já entre maio e agosto, a quantidade de acordos realizados cresceu 36% na comparação anual.
Em Minas Gerais, o avanço de 36% nas negociações representa 1,5 milhão de acordos no período.
Os indicadores, portanto, não significam que o problema do endividamento tenha sido encerrado. Eles mostram uma maior movimentação dos consumidores para negociar pendências justamente no período em que o crescimento mensal da inadimplência atingiu o menor ritmo do ano.
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