Preço do diesel dispara e Petrobras mira autossuficiência

Alta recente no preço do diesel pressiona o país e leva a Petrobras a estudar plano para zerar importações em até cinco anos

, em Uberlandia

O preço do diesel voltou ao centro do debate econômico após uma escalada impulsionada pelo cenário internacional. Em meio a esse movimento, a Petrobras avalia um plano para tornar o Brasil autossuficiente no combustível em até cinco anos, o que pode reduzir a dependência externa e amenizar impactos futuros no bolso dos consumidores.

 

preço do diesel
O plano de negócios da companhia começará a ser discutido em maio, segundo adiantou a presidente da estatal.- Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

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O preço do diesel no país subiu cerca de 23% desde o início da guerra no Irã, refletindo a pressão global sobre o petróleo. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o diesel S10 registrou alta de 23% no período, agravada por um reajuste de R$ 0,38 aplicado recentemente. O cenário acende um alerta, já que o Brasil ainda depende da importação de aproximadamente 30% do combustível consumido internamente.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a companhia estuda ampliar sua produção para alcançar a autossuficiência total. Segundo ela, o plano atual previa atender até 80% da demanda nacional, mas a estratégia está sendo revista com uma meta mais ambiciosa.

“Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos”, disse a executiva durante um evento sobre energia em São Paulo. A proposta deve começar a ser discutida internamente a partir de maio, com possível divulgação no fim do ano.

Expansão das refinarias

A busca por maior produção passa por investimentos em refinarias já existentes. Um dos principais projetos envolve a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que deve aumentar sua capacidade de produção de diesel de 230 mil para 300 mil barris por dia.

Outro eixo estratégico está no Rio de Janeiro, com a expansão da Refinaria Duque de Caxias, integrada ao Complexo de Energias Boaventura. A expectativa é elevar a produção de cerca de 240 mil para 350 mil barris diários.

Além dessas unidades, a Petrobras também promove ajustes em refinarias localizadas em São Paulo, priorizando a produção de diesel em detrimento de outros derivados. A estratégia busca reforçar a oferta do combustível considerado essencial para o transporte e a atividade econômica.

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Preço do diesel e impacto global da guerra

A alta do preço do diesel está diretamente ligada ao conflito no Oriente Médio, que afeta uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo. Rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, concentram grande parte do fluxo global, o que intensifica a volatilidade dos preços.

Com isso, o barril do tipo Brent passou de cerca de US$ 70 antes do conflito para pouco mais de US$ 101, elevando custos em toda a cadeia de energia. Esse movimento também impacta outros combustíveis, como o querosene de aviação, que sofreu reajuste de 55% e pesa significativamente nas despesas das companhias aéreas.

Para conter os efeitos da alta, o governo adotou medidas como a zeragem de tributos federais e avalia a concessão de subsídios. Ainda assim, o avanço do preço do diesel reforça a urgência de ampliar a produção nacional.

Nesse contexto, a aposta da Petrobras em alcançar a autossuficiência surge como uma tentativa de reduzir vulnerabilidades externas e garantir maior estabilidade ao mercado interno nos próximos anos.