Dinheiro de bets irregulares poderá reforçar segurança pública
Novo decreto autoriza bloqueio de valores ligados a bets irregulares e prevê repasse dos recursos para fortalecer ações de segurança pública
O Governo Federal deu mais um passo no combate às bets irregulares ao regulamentar o bloqueio de recursos financeiros vinculados a plataformas de apostas que atuam sem autorização no país. A medida foi oficializada por meio de decreto assinado nesta sexta-feira (19) e amplia os instrumentos de fiscalização sobre empresas que operam fora das regras estabelecidas pela legislação brasileira.

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A nova regulamentação permite que valores movimentados por operadores ilegais sejam congelados e, após a conclusão dos procedimentos administrativos e judiciais previstos em lei, destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública. A iniciativa busca atingir diretamente a estrutura financeira dessas empresas e fortalecer o combate ao crime organizado e à corrupção.
Segundo o Governo Federal, a medida integra uma estratégia mais ampla para reduzir a atuação de operações clandestinas no setor de apostas online. A proposta é impedir que empresas sem autorização continuem utilizando o sistema financeiro nacional para movimentar recursos obtidos de forma irregular.
Bets irregulares passam a enfrentar novas restrições financeiras
O decreto regulamenta um dispositivo legal que autoriza o bloqueio de recursos vinculados a operadores ilegais de apostas de quota fixa. A partir da identificação de indícios de irregularidade, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda poderá emitir notificações para que instituições financeiras realizem o bloqueio das contas relacionadas às operações investigadas.
Após o congelamento dos valores, será aberto um processo administrativo para apurar os fatos e garantir o direito de defesa das empresas envolvidas. Caso a irregularidade seja confirmada, a Advocacia-Geral da União poderá solicitar à Justiça a transferência definitiva dos recursos para a União.
De acordo com o Governo Federal, o procedimento não afeta os direitos dos apostadores e deverá respeitar todas as etapas previstas no devido processo legal.
Instituições financeiras e anunciantes também podem ser responsabilizados
Outra medida anunciada pelo Ministério da Fazenda amplia a responsabilidade sobre a operação das bets irregulares. Uma portaria publicada na quinta-feira (18) estabelece que bancos e fintechs poderão responder solidariamente pelos tributos não recolhidos por essas empresas caso permitam transações mesmo após receberem comunicação oficial das autoridades.
A responsabilização também alcança pessoas físicas e empresas que promovem publicidade para plataformas ilegais. A mudança pode gerar impactos para influenciadores digitais, agências de marketing e veículos de comunicação que divulguem operadores sem autorização para atuar no Brasil.
Segundo o Governo Federal, o objetivo é criar uma rede de controle capaz de dificultar a circulação de recursos e reduzir os incentivos econômicos para a manutenção dessas atividades.
Operação identificou bilhões em movimentações suspeitas
Durante a assinatura do decreto, representantes do Ministério da Fazenda destacaram os resultados recentes das ações de fiscalização realizadas contra o mercado clandestino de apostas.
Uma operação realizada nesta semana teve como alvo 37 empresas suspeitas de atuar de forma irregular, com movimentações estimadas em R$ 50 bilhões. As investigações também levaram ao bloqueio de aproximadamente 50 mil sites ligados a operadores ilegais e à identificação de cerca de 350 empresas que tiveram suas atividades interrompidas.
Além disso, foram apontadas 37 instituições financeiras envolvidas na movimentação de recursos relacionados às operações investigadas.
Para o Governo Federal, a destinação dos valores recuperados para o Fundo Nacional de Segurança Pública permitirá reforçar ações de combate às organizações criminosas e ampliar investimentos em políticas públicas voltadas à segurança da população.
A regulamentação passa a integrar o conjunto de medidas adotadas para fortalecer a fiscalização do setor de apostas online e impedir que bets irregulares continuem operando à margem da legislação brasileira.
O que é o Fundo Nacional de Segurança Pública?
Segundo o Governo Federal, o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) é um mecanismo da União destinado ao financiamento de ações voltadas ao fortalecimento da segurança pública e à prevenção da violência em todo o país. Vinculado ao Ministério da Justiça, o fundo apoia iniciativas alinhadas às diretrizes nacionais para o setor.
Gerido por um Conselho Gestor, o FNSP destina recursos para projetos de modernização e reaparelhamento das forças de segurança, incluindo polícias civis e militares, corpos de bombeiros e guardas municipais. Os investimentos também contemplam a capacitação de profissionais, o desenvolvimento de sistemas de inteligência e investigação, a produção de estatísticas e informações estratégicas, além do fortalecimento da perícia criminal e da polícia científica.
O fundo ainda financia programas de policiamento comunitário, ações preventivas de enfrentamento à criminalidade e iniciativas voltadas à redução da violência, contribuindo para a melhoria da estrutura e da eficiência dos serviços de segurança pública.