Dentre as medidas de corte, Correios quer reduzir jornadas de trabalho e salários dos funcionários
Após prejuízo de R$ 2,6 bilhões, estatal tenta conter gastos com demissões incentivadas e corte na jornada
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Em meio a um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024, os Correios divulgaram, na segunda-feira (12), um plano de contenção de despesas que prevê economizar R$ 1,5 bilhão em 2025, com foco na redução salarial de parte dos funcionários. A medida, detalhada em comunicado interno, inclui a diminuição da jornada de trabalho e ajustes proporcionais nos salários, gerando forte reação de sindicatos e empregados.
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O plano propõe a adoção de uma jornada de 6 horas diárias (34 horas semanais) para empregados administrativos, com corte proporcional nos salários, estimado em cerca de 25% a 29% do valor atual.
A medida deve atingir parte dos 86 mil funcionários e é apresentada como opcional. A redução salarial é uma das principais estratégias para aliviar o orçamento da estatal.
Além da jornada reduzida, o programa de demissão voluntária (PDV), prorrogado até 18 de maio de 2025, busca diminuir o número de empregados com salários mais altos, oferecendo incentivos para trabalhadores com mais de 25 anos de serviço e idades entre 55 e 75 anos.
A expectativa é que o PDV contribua com uma economia de R$ 200 milhões na folha salarial.
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O déficit de 2024 foi impulsionado por uma queda de R$ 335 milhões na receita de encomendas internacionais, devido à “taxa das blusinhas”, e por despesas extras de R$ 700 milhões com reajustes salariais e precatórios trabalhistas.
Segundo o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, a redução salarial é “essencial para evitar um colapso financeiro” e permitir investimentos em modernização. A estatal destaca que, sem as medidas, o prejuízo em 2025 pode alcançar R$ 3 bilhões.
Reação dos funcionários e sindicatos
Algumas das propostas da estatal gerou indignação entre os trabalhadores. A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios exigiu a criação de um Comitê de Crise com participação sindical.
Funcionários também criticam a falta de transparência. “Estamos sendo pressionados a aceitar a jornada reduzida sem garantias de que os salários serão recompostos no futuro”, relatou um empregado administrativo de São Paulo, que preferiu não se identificar.
Um outro ponto de indignação do sindicato é a suspensão da fruição das férias referentes ao período aquisitivo de 2025, anunciada pela direção dos Correios.
Segundo eles, “ao anunciar a suspensão, a empresa desconsidera o planejamento de vida dos trabalhadores, que cumpriram sua jornada durante o período aquisitivo e têm direito ao descanso merecido”.