Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustíveis
Tensões na região elevam preço do petróleo e podem favorecer vendas brasileiras de combustíveis, enquanto exportações de alimentos podem sofrer impacto temporário
O conflito no Oriente Médio pode gerar reflexos diretos no comércio exterior brasileiro. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Herlon Brandão, que aponta possíveis ganhos para as exportações de combustíveis e impactos pontuais nas vendas de alimentos.

Segundo Brandão, a escalada de tensões na região costuma pressionar os preços do petróleo no mercado internacional. Como o Brasil exporta mais petróleo do que importa, esse movimento tende a favorecer o desempenho do setor energético na balança comercial.
O diretor falou à Agência Brasil que a valorização da commodity pode ampliar o saldo das vendas externas brasileiras de combustíveis. Na prática, isso significa que, caso os preços internacionais do petróleo avancem, o país pode registrar um aumento nas receitas geradas por esse segmento.
Conflito no Oriente Médio e impacto nas exportações de alimentos
Apesar da possível vantagem no setor de combustíveis, o conflito no Oriente Médio também pode provocar efeitos negativos em outro campo importante para o Brasil: o agronegócio. Países da região figuram entre os principais compradores de diversos produtos agrícolas brasileiros.
Entre os itens exportados estão carne de frango, milho, açúcar e alimentos halal, produzidos de acordo com normas islâmicas. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino países do Oriente Médio. A participação chega a 30% no caso da carne de aves, 17% para o açúcar e 7% para a carne bovina.
Mesmo assim, Brandão avalia que qualquer impacto negativo tende a ser passageiro. Para ele, a demanda por alimentos nesses mercados permanece consistente, o que deve permitir a normalização dos fluxos comerciais ao longo do tempo.
Mudanças na balança comercial
As tensões internacionais surgem em um momento de transformações nas relações comerciais do Brasil com alguns de seus principais parceiros econômicos.
Em fevereiro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 2,523 bilhões, uma queda de 20,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. As importações também recuaram 16,5%, totalizando US$ 2,788 bilhões. Com isso, o saldo comercial ficou negativo em US$ 265 milhões.
Esse resultado marca a sétima retração consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano. O movimento está associado à sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros em meados de 2025. A medida foi derrubada pela Corte Suprema dos Estados Unidos no fim de fevereiro, mas os efeitos positivos dessa decisão ainda devem levar algum tempo para aparecer nas estatísticas.
Crescimento das exportações brasileiras para a China
Enquanto as vendas para os Estados Unidos diminuíram, o comércio com a China apresentou forte avanço. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o país asiático alcançaram US$ 7,220 bilhões, crescimento de 38,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No sentido contrário, as importações de produtos chineses caíram 31,3%, totalizando US$ 5,494 bilhões. O resultado foi um superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial brasileira com a China.
Segundo Brandão, parte da variação nas importações está ligada à compra de uma plataforma de petróleo avaliada em aproximadamente US$ 2,5 bilhões. O equipamento foi adquirido da Coreia do Sul, o que também influenciou os dados regionais do comércio exterior.
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União Europeia e Argentina também influenciam balança comercial
Os números do comércio exterior mostram ainda desempenho positivo na relação com a União Europeia. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 34,7%, alcançando US$ 4,232 bilhões. Já as importações recuaram 10,8%, somando US$ 3,301 bilhões, o que garantiu superávit de US$ 931 milhões.
No caso da Argentina, houve retração nas duas direções do comércio. As exportações brasileiras para o país vizinho caíram 26,5%, totalizando US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram, recuando 19,2% e chegando a US$ 850 milhões. Ainda assim, o Brasil manteve superávit de US$ 207 milhões na relação bilateral.
China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil e exercem forte influência sobre o desempenho geral da balança comercial. Nesse cenário, o conflito no Oriente Médio surge como mais um fator capaz de alterar temporariamente o fluxo das exportações brasileiras, especialmente nos setores de energia e alimentos.