Quais os impactos da guerra no Brasil?
Alta do petróleo após ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressiona gás natural, transporte global e inflação
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Especialistas alertam que os impactos da guerra no Oriente Médio poderão ser sentidos em todo o mundo. O conflito, iniciado no último sábado (28) pelos Estados Unidos e por Israel, surtem efeitos direto no preço do petróleo, algo que se alastra para os custos logísticos e, em consequência, resulta num efeito inflacionário global. Isso ocorre pelo fato do Irã ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo e pelo poder do país sobre o Estreito de Ormuz, por onde são transportados 20% de todo o petróleo produzido do mundo.

De acordo com Giancarlo Guimarães, economista e especialista em investimentos, os conflitos no Oriente Médio, especialmente aqueles envolvendo o Irã, tendem a prejudicar o fluxo global de petróleo e gás.
Segundo o especialista, a interrupção ou o mero risco de interrupção deste fluxo, reduz a oferta disponível no mercado internacional. Com oferta menor, os impactos da guerra fazem com que o preço destes insumos dispare rapidamente, o que se espalha por todos os setores da economia.
Para entender esta parte dos impactos da guerra, é importante lembrar que o Irã é o 9° maior produtor de petróleo do mundo, representando 4,5% do fornecimento global do insumo. Além disso, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o país ameaçou incendiar navios e bloquear o Estreito de Ormuz.
O bloqueio interrompe o fluxo de aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos mundialmente. Após o anúncio, o preço do barril de petróleo registrou alta de 9%. Na Holanda, os valores de referência do gás natural no atacado subiram 25%.
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“A gente sabe que hoje as economias são intensivas em uso energético. Todo mundo tem algum grau de dependência de derivados do petróleo. Então, isso, por si só, já é um choque imediato muito relevante. E esse tipo de choque tende a se espalhar rapidamente por outros setores econômicos”, explicou Guimarães em entrevista ao Paranaíba Mais.
Ainda segundo ele, naturalmente, um conflito internacional encarece o transporte de navios devido ao aumento do preço dos seguros. Embarcações correm o risco de serem sancionadas ou bloqueadas em meio à guerra, o que encarece o custo de importação e exportação. Além disso, uma alta no custo de energia também aumenta os custos de produção. Assim, com a produção e o transporte mais caro, o preço do petróleo se alastra para outros setores da economia.
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Impactos da guerra em um país produtor de petróleo
Segundo o especialista, ainda que o Brasil seja um país produtor de petróleo, irá sentir os impactos de uma inflação global. Os impactos da guerra implicam uma diminuição na oferta global do recurso e, em um cenário de uma maior demanda global, o preço do petróleo no Brasil também será mudado. Ainda segundo ele, o aumento do custo do transporte internacional de mercadorias também será sentido no país.
“A gente produz aqui o barril de petróleo, e a gente exporta isso para depois importar os derivados, principalmente o diesel. Cerca de um quarto de diesel hoje do Brasil é importado. E é a principal fonte de energia da principal matriz logística que nós temos, que é a matriz rodoviária”, explicou Giancarlo.
Desde o início dos combates, as cotações internacionais do petróleo acumulam alta de 12%. Nesta quarta-feira (4), o barril era negociado em torno de US$ 81. No mesmo período, o mercado de gás natural registrou forte valorização, com aumentos expressivos tanto na Europa quanto na Ásia.
Em relatório, os economistas Vinicius Moreira, Cassiana Fernandez e Mirella Sampaio estimam que cada 10% de aumento no preço do petróleo eleva o PIB do Brasil em 0,1 ponto percentual (p.p.), impacta a inflação (IPCA) em 0,2 p.p. e reduz os déficits fiscais e em conta corrente em, respectivamente, 0,2% do PIB e 0,1% do PIB.