Como renegociar dívidas no Desenrola Brasil: veja o passo a passo
Programa atende pessoas com renda de até cinco salários mínimos e permite renegociar dívidas bancárias com descontos, juros reduzidos e possibilidade de uso do FGTS
O prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil foi prorrogado até 31 de agosto de 2026. Com a extensão, consumidores que atendem aos critérios do programa ganharam mais tempo para procurar a instituição financeira, consultar os débitos disponíveis e analisar as condições de renegociação.
O Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, atende pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Diferentemente da primeira edição, a renegociação ocorre diretamente com os bancos participantes, sem uma plataforma única para reunir todas as propostas.
Entre as condições previstas estão juros de até 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses, descontos sobre o saldo devedor e possibilidade de utilizar parte do FGTS para reduzir ou quitar a dívida. A seguir, veja quem pode participar e como funciona o programa.

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Quem pode renegociar dívidas no Desenrola Brasil?
O programa atende pessoas físicas que, ao mesmo tempo:
- recebem até cinco salários mínimos por mês (R$ 8.105);
- contrataram a operação de crédito até 31 de janeiro de 2026;
- tinham parcelas em atraso entre 91 e 720 dias, conforme a data de referência do programa;
- possuem dívidas enquadradas nas modalidades aceitas;
- têm débito com uma instituição financeira participante.
A renda considerada é a registrada no Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central, com base nas informações enviadas pelas próprias instituições financeiras.
Cumprir os requisitos não garante a aprovação automática da renegociação. Cada banco poderá avaliar a capacidade de pagamento do cliente antes de conceder a nova operação de crédito.
Quais dívidas podem entrar no programa?
O Novo Desenrola Brasil contempla apenas dívidas bancárias.
Entre as modalidades aceitas estão:
- cartão de crédito parcelado;
- cartão de crédito rotativo;
- cheque especial;
- crédito pessoal sem consignação;
- empréstimos pessoais originados da consolidação de outras dívidas.
Em regra, contas de água, energia elétrica, telefone, aluguel e tributos não fazem parte desta etapa do programa. O consumidor deve consultar o banco para verificar quais contratos podem ser renegociados.
Como renegociar dívidas no Desenrola Brasil
A negociação ocorre diretamente com a instituição financeira responsável pela dívida.
Veja o passo a passo:
- Identifique em qual banco está o contrato em atraso;
- Acesse os canais oficiais da instituição (aplicativo, internet banking, site, central telefônica ou agência);
- Solicite atendimento pelo Novo Desenrola Brasil;
- Consulte quais dívidas são elegíveis;
- Analise o desconto, a taxa de juros, o número de parcelas, o valor total e a data do primeiro vencimento;
- Escolha entre pagamento à vista ou parcelamento;
- Leia atentamente o contrato e guarde os comprovantes.
Utilize apenas os canais oficiais da instituição financeira. Não há cobrança de taxa para participar do programa.
Quais são as condições do Desenrola 2.0?
As instituições financeiras podem oferecer descontos de acordo com o tempo de atraso e as características da dívida.
No parcelamento, o programa estabelece:
- juros de até 1,99% ao mês;
- prazo entre 12 e 48 meses;
- parcela mínima de R$ 50;
- nova operação de até R$ 15 mil por beneficiário e por banco;
- primeira parcela em até 35 dias;
- reunião das dívidas elegíveis da mesma instituição em um único contrato.
Quando o prazo mínimo de 12 meses resultar em parcelas inferiores a R$ 50, o contrato poderá ter duração menor.
Antes de fechar o acordo, o consumidor deve conferir o Custo Efetivo Total (CET), indicador que reúne juros, tarifas e demais encargos da operação.
O desconto de até 90% vale para todos?
Não. O desconto pode chegar a 90%, mas depende da política de cada instituição financeira, do tempo de atraso, do valor da dívida e da forma de pagamento escolhida.
Por isso, é importante comparar o valor original, o desconto oferecido e o total que será efetivamente pago.
É possível pagar à vista?
Sim. O consumidor pode quitar a dívida à vista utilizando recursos próprios ou optar pelo parcelamento por meio de uma nova operação de crédito.
Antes de escolher a quitação integral, é recomendável avaliar se o pagamento comprometerá despesas essenciais, como alimentação, moradia, saúde e transporte.
Como usar o FGTS no Desenrola Brasil?
O trabalhador pode autorizar o uso do FGTS para reduzir ou quitar a dívida renegociada.
O limite corresponde ao maior destes valores:
- até R$ 1 mil; ou
- até 20% do saldo disponível nas contas vinculadas.
O recurso será utilizado diretamente para amortizar ou quitar a dívida. O dinheiro não é depositado na conta do trabalhador.
Quem aderiu ao saque-aniversário deve observar as regras específicas dessa modalidade antes de utilizar o FGTS na renegociação.
Quando o nome sai do cadastro de inadimplentes?
A instituição financeira deve retirar a dívida renegociada dos cadastros de inadimplentes após o pagamento da primeira parcela, desde que a negativação esteja vinculada ao débito incluído no acordo.
Outras restrições existentes no CPF permanecerão ativas caso não façam parte da renegociação.
O que acontece com dívidas de até R$ 100?
As instituições participantes devem retirar dos cadastros de inadimplentes os registros de contratos ativos cuja dívida original seja de até R$ 100.
A medida retira a negativação, mas não extingue automaticamente a dívida, que poderá continuar sendo cobrada.
Adesão prevê bloqueio em plataformas de apostas
Ao aderir ao programa, o consumidor concorda com o bloqueio do CPF em plataformas de apostas de quota fixa por 12 meses, conforme previsto no contrato.
Durante esse período, ficam impedidos novos cadastros, movimentações financeiras e apostas.
É possível escolher quais dívidas negociar?
Em regra, não. A renegociação deve reunir todas as dívidas elegíveis existentes na mesma instituição financeira, respeitado o limite de R$ 15 mil por beneficiário e por banco.
O que acontece se o acordo não for pago?
O Desenrola Brasil não perdoa automaticamente a dívida renegociada. Caso o consumidor deixe de pagar as parcelas, o banco poderá retomar a cobrança e realizar uma nova negativação, conforme as condições previstas no contrato.
Prazo termina em 31 de agosto
O governo prorrogou o prazo do programa até 31 de agosto de 2026. Inicialmente, as negociações terminariam em 3 de agosto. Segundo o Ministério da Fazenda, o ato que formaliza a prorrogação deveria ser publicado até 31 de julho.
Até a publicação da norma, o consumidor deve confirmar diretamente com a instituição financeira se os acordos continuarão disponíveis durante todo o período adicional. De acordo com o governo federal, o programa já beneficiou mais de 9 milhões de pessoas, e a expectativa é alcançar 10 milhões de renegociações com a prorrogação.
Tem dívidas em atraso? Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para conferir as atualizações do Desenrola Brasil, mudanças nas regras do programa e outras notícias de economia e finanças pessoais.