Dia da Consciência Negra: escritora de Uberlândia transforma poesia em resistência
Em "Alma Preta", escritora Tathiane de Lima Silva utiliza poesia para narrar ancestralidade, autocuidado, luta contra o racismo e a força da identidade preta
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No Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quinta-feira (20), Uberlândia celebra a literatura produzida por mulheres pretas com o lançamento de “Alma Preta”, primeiro livro da escritora mineira Tathiane de Lima Silva. A obra, publicada pela editora Sabiá Livros com incentivo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC), reúne poemas que abordam identidade, ancestralidade, autoconhecimento, luta contra o racismo, amor e os atravessamentos da vida.

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Tathiane de Lima Silva, 40 anos, é uma voz que nasce do Triângulo Mineiro e ganha corpo em Uberlândia, onde reside. Bacharel e mestre em Medicina Veterinária pela UFU, graduanda em Filosofia e estudante de violão, ela transita entre ciência, arte e espiritualidade, caminhos que também atravessam sua escrita. Mulher preta e servidora pública, teve poemas reconhecidos em concursos literários da cidade e carrega influências que vão de Milton Nascimento e Mateus Aleluia à potência contemporânea de Iza e à delicadeza de Cecília Meireles.
A autora explica que grande parte dos textos de Alma Preta surgiu durante a pandemia, quando o silêncio das ruas contrastava com o barulho interno provocado pelo luto e pelo isolamento. Nesse período, escrever tornou-se não apenas um exercício criativo, mas um gesto de sobrevivência. “Começou como desabafo de uma menina preta tímida, que enfrentava racismo na escola, e se transformou em um grito potente”, afirma Tathiane.
Uma jornada literária dividida em três caminhos
Organizado em três partes — Caminhos, Autorretrato e Amores —, o livro conduz o leitor por uma narrativa íntima e expansiva. É nessa estrutura que aparecem poemas sobre liberdade, cura, dor e beleza cotidiana.
Em Caminhos, um dos textos que sintetiza a potência da obra, a autora questiona: “Qual caminho seguir? / O caminho que me faz expandir / E fluir / E seguir / Pra dentro de mim.”
Tathiane explica que sua escrita é guiada por experiências reais e afetivas. “Escrevo sobre o que me atravessa no dia a dia. Dores e amores. Espinhos e flores”, resume.
O prefácio da obra é assinado pelo escritor e professor Bruno Inácio, referência no curso de escrita literária que incentivou os primeiros passos de Tathiane no mundo editorial. Segundo ele, a autora cria versos que “dançam” e “transbordam”.
“Tathiane faz versos com leveza e profundidade, rebeldia e afeto, silêncio e imensidão. Alma Preta propõe um respiro diante das turbulências da vida moderna”, escreve Inácio.
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Autenticidade, ancestralidade e empoderamento
Tathiane reforça que seu livro representa uma transformação íntima. “Nele me despi de forma genuína e intencional, sem máscaras, e assim pude ressignificar algumas dores, transformando-as em forças e impulsionadores.”
Ela celebra a importância da ancestralidade negra como base para seu trabalho, ao mesmo tempo em que questiona o racismo cotidiano e afirma seu direito à cura, ao amor e à liberdade.