Da lona de circo ao Brasil: conheça a história por trás da Festa do Peão de Barretos

Festa do Peão de Barretos nasceu em 1956, cresceu além das arenas e se tornou um dos principais encontros da cultura sertaneja do país

, em Uberlândia

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Setenta anos separam uma arena improvisada sob uma lona de circo de um dos principais símbolos da cultura sertaneja do país. A história da Festa do Peão de Barretos começou em 1956, com dois dias de programação, e ganhou novos capítulos até transformar a cidade do interior de São Paulo em ponto de encontro de peões, artistas e público de diferentes regiões do Brasil.

Hoje, quem atravessa os portões do Parque do Peão encontra uma realidade distante daquela das primeiras edições. Entre palcos, competições, camping e diferentes atrações, milhares de pessoas circulam por uma estrutura que transformou a festa em um dos principais eventos do calendário sertanejo.

Em 2026, nomes como Ana Castela, Gusttavo Lima, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone, Simone Mendes, Leonardo e Matheus & Kauan integram a programação. Mas, para entender como o Barretão chegou até aqui, é preciso voltar a uma mesa de bar e a um grupo de jovens que provavelmente não imaginava a dimensão que aquela ideia alcançaria.

Parque do peão, onde acontece a Festa do Peão de Barretos.
Parque do Peão se tornou o endereço de uma tradição que começou em 1956 e atravessou gerações em Barretos – Crédito: Alisson Demetrio/Divulgação

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História da Festa do Peão de Barretos começou com 20 jovens

A história começa antes mesmo da primeira montaria oficial. Em 15 de julho de 1955, 20 jovens reunidos em uma mesa de bar fundaram o clube Os Independentes, em Barretos.

Para integrar o grupo, era necessário ter mais de 22 anos, ser solteiro e financeiramente independente. A proposta inicial tinha caráter social e buscava arrecadar recursos para entidades assistenciais durante as comemorações do aniversário da cidade. Antonio Renato Prata, apontado como autor da ideia, tornou-se o primeiro presidente da associação.

Um ano depois, uma competição de doma de cavalos ajudou a inspirar algo maior.

Nos dias 25 e 26 de agosto de 1956, Barretos realizou a primeira Festa do Peão. O palco estava longe da estrutura que o público conhece atualmente. As disputas aconteceram em um antigo picadeiro de circo, no Recinto Paulo de Lima Correa.

Não havia grandes estruturas nem os equipamentos de som atuais. Orlando Araújo e Orestes Ávila apresentaram a festa com um megafone. Aníbal Araújo, peão de fazenda, venceu a disputa e entrou para a história como o primeiro campeão.

A programação daqueles primeiros anos também revela as raízes do evento. Além do rodeio, havia catira, violeiros, Queima do Alho, carros de boi, manifestações do folclore brasileiro e até pau de sebo. O que nasceu como uma celebração ligada ao cotidiano das fazendas começava a construir uma identidade própria.

De dois para cinco dias e os primeiros passos além de Barretos

O crescimento ocorreu rapidamente. Durante a década de 1960, a festa, que ganhava projeção pelo país, passou a durar cinco dias.

A arena também começou a receber participantes estrangeiros, com representantes de países como Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 1964, o evento recebeu reconhecimento de utilidade pública estadual. Poucos anos depois, em 1967, Os Independentes adquiriram uma sede própria na cidade.

A música também passou a ocupar espaço cada vez maior. Artistas conhecidos nacionalmente, como Chico Buarque e Mazzaropi, aparecem entre os nomes que passaram pela festa naquele período.

Nas décadas seguintes, o evento continuou incorporando novidades. Em 1970, ocorreu o primeiro concurso para escolher a Rainha da Festa. Dois anos depois, Barretos recebeu pela primeira vez a visita de um presidente da República durante o evento.

A festa criada por jovens do interior começava a ultrapassar as fronteiras da cidade.

Barretão cresceu e precisou de uma casa maior

O aumento do público trouxe uma nova necessidade: mais espaço. No início dos anos 1980, Os Independentes adquiriram uma área de 40 alqueires para implantar o Parque do Peão. O antigo recinto já não comportava o público atraído pela festa.

Antes da mudança definitiva, outro capítulo começou a ser escrito dentro da arena. Em 1983, a montaria em touros passou a integrar oficialmente a programação. Airton Filho, de Riolândia (SP), tornou-se o primeiro campeão da modalidade após a oficialização.

Em 1984, enquanto trabalhavam na transferência da festa, integrantes de Os Independentes visitaram a estrutura que estava sendo preparada para o primeiro Rock in Rio, no Rio de Janeiro, em busca de referências. No ano seguinte, a mudança tornou-se realidade.

A edição de 1985 marcou a estreia da Festa do Peão no novo parque. A transferência abriu caminho para a construção da estrutura que se tornaria uma das imagens associadas ao evento.

Arena do Parque do Peão ganhou nova estrutura após a expansão da Festa do Peão de Barretos – Crédito: Arquivo os independentes/Divulgação

Oscar Niemeyer deixou sua marca no Parque do Peão

A expansão não terminou com a mudança. Em 1989, Barretos inaugurou o Estádio de Rodeios, com capacidade indicada pelo histórico de Os Independentes para 35 mil espectadores sentados. O projeto leva a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer.

A construção consolidou uma imagem que, décadas depois, permanece diretamente associada ao Barretão. O evento que começou em um picadeiro de circo agora tinha uma arena própria como casa.

A transformação também chegou à imagem do peão. Nos anos 1980, o traje tradicional, com bombacha, lenço no pescoço, guaiaca e botas de cano longo, começou a dividir espaço com jeans, cintos de couro com grandes fivelas e outras referências do estilo country norte-americano.

Vista da Arena do Parque do Peão durante a construção e após a conclusão da estrutura – Crédito: Arquivo os independentes/Divulgação

Barretos cruza fronteiras e chega ao Guinness

Se os anos 1980 consolidaram a estrutura, a década seguinte reforçou a projeção internacional. Em 1991, Barretos registrou 950 montarias e entrou para o Guinness Book, segundo o histórico de Os Independentes.

Poucos anos depois, a arena passou a receber competidores de diferentes partes do mundo. O histórico registra a presença de peões americanos, canadenses e australianos e a aproximação com a Professional Bull Riders (PBR), ampliando o intercâmbio entre o rodeio brasileiro e o circuito internacional.

Ao mesmo tempo, os shows ganharam espaço. A festa passou a reunir artistas nacionais e atrações internacionais, sem abandonar elementos ligados às origens sertanejas. Essa combinação ajudou a construir o formato que caracteriza o Barretão atual.

Tradições sobreviveram ao crescimento

A transformação da Festa do Peão não apagou costumes que acompanham sua história. A Queima do Alho, presente desde as primeiras edições, permanece na programação. A música de raiz também ganhou espaços próprios ao longo das décadas. Em 1984, por exemplo, Barretos realizou o primeiro Festival de Música Raiz, a Violeira.

Até hoje, viola, comida típica e elementos ligados à vida dos antigos peões dividem espaço com grandes estruturas, música eletrônica e artistas que ocupam as plataformas digitais.

Queima do Alho preserva uma das tradições que acompanham a Festa do Peão de Barretos desde as primeiras edições – Mariana Miranda/ Divu

A programação de 2026 ajuda a mostrar essa convivência. Enquanto diferentes gerações do sertanejo ocupam o Estádio e outros palcos, a festa também recebe pagode, música eletrônica, forró e axé.

É um Barretão diferente daquele de 1956, mas que ainda preserva símbolos de onde tudo começou.

Gostou de conhecer a história do Barretão? A festa continua e em nesta edição a gente acompanha tudo de perto.

Os bastidores, as curiosidades, os shows e tudo o que movimenta o Parque do Peão você acompanha aqui no Portal Paranaíba Mais e na Paranaíba FM, a rádio oficial do Barretão 2026.