Serra da Saudade: o município mineiro onde o GPS nem precisa recalcular rota
Com 850 habitantes, dois bairros, zero farmácias e nenhum posto de gasolina, município é o menor do Brasil, segundo dados do IBGE
A pacata Serra da Saudade, localizada no Centro-Oeste de Minas, a aproximadamente 250 km de Belo Horizonte, é cidade menos populosa do Brasil. Com apenas 850 habitantes, o município conta com uma infraestrutura aconchegante e eficiente, como ginásio poliesportivo, praça de esportes, academia ao ar livre, creche, parque de exposições, posto de saúde e uma escola municipal.
Para além do número de habitantes, a cidade ainda se destaca pelos baixos índices de criminalidade. O último homicídio aconteceu cerca de 60 anos atrás.

A cidade é dividida em dois bairros, o Centro e o São Geraldo. Embora seja o município com o menor número de habitantes do país, seu território, 335 km², é semelhante ao de Belo Horizonte. Um fato curioso é que apenas uma única família corresponde a 5% de toda a população do município. Serra da Saudade faz parte das 1.288 cidades do país que possuam até 5 mil habitantes.
O mito por trás do seu nome
Existe um mito popular por trás do nome da cidade. Segundo a lenda, no século 18, uma tribo indígena habitava aquele território, mas por razões desconhecidas, acabou sendo completamente dizimada, restando apenas uma mulher indígena no local. Sozinha e esquecida, ela passou a viver isolada, até que, em determinado momento, recebeu uma carta enviada por parentes que viviam na Bahia.
Naquela época, as cartas percorriam longos trajetos em condições adversas, sendo levadas por carros de boi, charretes, trens e automóveis. A exposição à chuva e ao sol danificava o papel, e, no caso da carta destinada à índia, isso comprometeu sua leitura. Quando finalmente chegou, a mulher já havia falecido de tristeza e saudade. Os moradores abriram a correspondência e, entre as palavras apagadas, restava apenas uma visível: “Saudade”. Assim, surgiu o nome da cidade: Serra da Saudade.
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Como é viver em Serra da Saudade
O município, mesmo que pequeno, apresenta boa qualidade de vida. Segundo o IBGE, a escolarização de seus jovens e crianças chega a 96,5% e a criminalidade também quase não existe, o policiamento é tranquilo. A cidade também conta com Wi-fi gratuito na região Central, aos arredores praça principal. No município, há dois supermercados, uma loja de roupas, uma padaria, uma casa lotérica e sete bares.
O que falta em Serra da Saldade é um posto de combustível, que obriga os moradores a se deslocarem para a cidade mais próxima, a 15 km de distância, em Estrela do Indaiá. Além disso, para atendimentos hospitalares mais complexos, é preciso procurara um centro mais avançado, já que apenas um posto de saúde atende a comunidade, mesmo local da distribuição de medicamentos. Não existe farmácia.
Outro aspecto curioso de Serra da Saudade é o seu cenário político. O atual prefeito, Alaor Machado, está no quinto mandato e há 25 anos ele reveza a chefia do executivo com sua ex-mulher, Neusa Ribeiro. O filho do ex-casal, Marcelo Machado, é o controlador-geral do município e possui a segunda maior remuneração da folha de pagamento da cidade, ficando atrás apenas de seu pai, o prefeito.
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História oficial de Serra da Saudade
Quando os trilhos da Estrada de Ferro Paracatu chegaram aos pés da Serra da Saudade, a região era composta por pequenas propriedades e duas grandes fazendas, Fazenda do Rancho e Fazenda Serra da Saudade. A primeira, de Pedro Félix, recebeu esse nome por abrigar um rancho que servia de pouso para viajantes e tropeiros que precisavam descansar antes de enfrentar a subida da serra. Já a Fazenda Serra da Saudade, pertencia a Miguel de Furtado Mendonça. batizada em referência à imponente serra que contorna a cidade e dá nome à região.
Na sequencia, com a construção da Estrada de Ferro Belo Horizonte–Paracatu e, posteriormente, de Brasília — cujo caminho mais curto passava pela região —, o local se desenvolveu, atraindo novos moradores que se fixaram ao redor das fazendas.
O lugarejo foi carinhosamente chamado de Rancho dos Carreiros, em homenagem ao rancho e aos tropeiros pioneiros. No entanto, a ferrovia foi considerada antieconômica com o tempo e, em 1969, seus trilhos foram retirados, restando apenas memórias da era ferroviária.
A história administrativa teve início em 1º de março de 1963, com a fundação da prefeitura municipal. Em 30 de agosto do mesmo ano, Serra da Saudade conquistou sua emancipação, deixando de pertencer a Dores do Indaiá. A primeira administradora foi Elza Gonçalves Moreira, nomeada pelo Estado, até que o primeiro prefeito eleito, José Ribeiro da Silva, assumiu o comando do novo município.